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Uma profissão que persiste no tempo

Relojoeira relata experiência na profissão, que vem se tornando cada vez menos comum nos dias de hoje

5d16c6015877ac2f7c837c8e1495ceab.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Uma profissão que ainda resiste ao tempo e que mantém viva uma tradição centenária. A pomerodense Elia Voigtlaender, de 69 anos, é uma das remanescentes da profissão de relojoeiro, aquele que fabrica ou conserta relógios, e mantém-se na ativa até os dias de hoje, no empreendimento da família.

Ela começou a ter contato com a ocupação em 1975, quando aprendeu o ofício com o ex-marido, Fredemar Klemann, que havia feito o curso de relojoeiro por correspondência, na Universal de São Paulo. “Como ele trabalhava com isso e tínhamos o pequeno negócio de conserto de relógios, fui aprendendo junto. Eu criava meus dois filhos, Gilson e Edson, e ajudava no conserto dos relógios. Basicamente, tudo que aprendi foi observando e ajudando ele”, relata a relojoeira.

Quando Elia começou na profissão, era tudo muito diferente. A maioria dos relógios eram mecânicos e era necessário dar corda ou acionar as correntes que ficavam penduradas na parte de baixo. Ela comenta que era muito comum receber relógios despertadores para o conserto.

 

A relojoeira consertava  um relógio cuco. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

“Naquela época, não havia celulares ou outros aparelhos despertadores. As pessoas precisavam dos relógios e só acordavam com a ajuda deles. Muitos tinham dois relógios despertadores em casa, pois, caso um fosse para o conserto, não ficariam sem. Nós até mesmo emprestávamos em algumas oportunidades”, relembra.

Quando fomos ao estabelecimento da família conversar com Elia, ela consertava um relógio cuco, vindo da Alemanha, adquirido em um mercado de pulgas de lá. Enquanto conversávamos, as mãos hábeis da relojoeira usavam o mecanismo do relógio para explicar como ele funciona e como é necessário cuidado com este tipo de relógio, pela delicadeza das peças. “Este está em bom estado, com tudo funcionando. Apenas precisei arrumar as correntes”, revela.

Ela também mostrou a mola que é responsável pelo som que o relógio produz, uma das peças fundamentais do relógio, que precisa estar em ótimo estado. De acordo com a relojoeira, o cuco é um dos modelos mais complicados de serem consertados, pela quantidade de peças e pela delicadeza delas, necessitando de muito cuidado na hora de serem manuseadas.

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

“Ainda recebemos muitos relógios mais antigos para serem consertados, pois são heranças de família, mas as pessoas já não sabem lidar direito com eles, por isso precisam de ajuda para resolver o problema quando ele para. Mas nunca desistimos de um conserto. Ele tem que funcionar, não adianta entregar se não consegui resolver o problema”, destaca Elia.

De acordo com a relojoeira, atualmente, os relógios não duram mais tanto, por causa dos materiais, principalmente por serem de plástico, que se solta mais fácil. Os mais antigos têm mais chances de serem consertados.

“Para trocar as maquinas dos relógios de parede é rápido, pois é só tirar a velha e colocar a nova, cerca de 30 minutos. Mas, por exemplo, um relógio mais antigo, pode demorar dias, pois deve que se ter muito cuidado para identificar e resolver o problema. Se é só preciso fazer uma limpeza e colocar óleo, são algumas horas. Já tive alguns relógios que demoraram semanas aqui para conseguirmos consertar e houve, também, um relógio que demorou um ano para que conseguíssemos consertar, porque tínhamos que esperar as peças, analisar os tipos de cordas, e tomar cuidado com as reposições. Mas no fim, conseguimos”, ressalta.

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Elia destaca que continua exercendo a profissão por considerá-la um hobby. “É o que eu gosto de fazer, tem que ter paciência, mas insisto porque é o que gosto. Às vezes, em um conserto mais complicado, espero todos saírem da loja e me sento na sala, com o silêncio para me concentrar naquele trabalho. E a melhor parte é ver quando termino o conserto e o relógio está funcionando, é o que mais me encanta. Na manhã seguinte, logo vou conferir se eles ainda estão funcionando e, se não estão, eu logo fico triste. Isso é a minha vida”, frisa a relojoeira.

 

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