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Uma presença internacional

Torneiro espanhol, que perdeu a visão no ano passado, se apresenta no 1º Encontro Internacional de Tornearia

1c40c7df21c9d81c3190a9ec45b93367.jpg Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode

Atornearia em madeira é uma atividade que merece todo o reconhecimento, pelo valor artístico e cultural que representa para Pomerode. Desde 2012 essa técnica vem sendo ensinada a pessoas dos mais distintos lugares, visto que, na Cidade Mais Alemã do Brasil, é mantida a única escola em tornearia do país.

 

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Para alavancar ainda mais essa técnica, há sete anos a Associação dos Artistas e Artesãos em Madeira (Amade), em parceria com a Secretaria de Turismo, realizam o Encontro Nacional de Tornearia em Madeira, que proporciona aos visitantes e torneiros uma verdadeira imersão.

Neste ano a novidade foi 1º Encontro Internacional de Tornearia em Madeira, que além de receber visitantes e artistas dos mais distintos lugares do mundo, teve a honra de receber o único torneiro cego da Espanha, Fran Ferrer. O evento foi realizado na sede da Escola de Tornearia, no Centro Cultural, durante o último fim se semana.

 

Torneiro por hobby há mais de 20 anos, em 2016 ele começou a perder sua visão devido a uma neuropatia isquêmica óptica bilateral. Em 2018 o espanhol perdeu o sentido por totalidade, mas isso não foi impedimento para que ele deixasse de continuar seus trabalhos como torneiro em madeira. Ele nos conta que encontrou na tornearia uma forma de fugir da depressão, já que, após perder sua visão, passou por um dos momentos mais difíceis de toda sua vida.

 

Fran Ferrer perdeu a visão e tornearia ajudou a sair de uma depressão. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

“Quando eu perdi a visão, eu pensei em suicídio, pois me considerava um incômodo. E, graças a tornearia encontrei uma saída para isto. Comecei a me tratar em um psicólogo, com um dos melhores, e ele me recomendou voltar à tornearia. E essa atividade me relaxa bastante e quando vou as oficinas elas me deixam bem e só me passam tranquilidade. Nada de ruim passa na minha cabeça, só penso na arte”, relata.

Ele também comenta que o trabalho artesanal não é muito valorizado na Espanha e, quando conheceu Pomerode, se surpreendeu com a valorização da atividade.
“Me surpreendeu pelo fato de Pomerode dar muito valor ao artesanato, ter uma loja e ver vários produtos feitos à mão. Na Espanha é muito difícil de encontrar artesanatos por lá e eles não valorizam muito esse tipo de arte. O que também me chama atenção é a educação do povo e o carinho que estou recebendo por aqui”. 

Uma das organizadoras do evento, Sandra Prochnow Greuel, o evento tem como objetivo a manutenção deste estilo artístico em madeira e vê um crescimento a cada edição do encontro.

 

Obras despertaram a curiosidade dos visitantes. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

“Estamos realizando há oito anos o encontro e, pela primeira vez, tivemos a oportunidade de transformá-lo em um evento internacional. A gente busca uma arte que já foi comum, em Pomerode, principalmente na fabricação de móveis, só que, com o tempo, acabou-se perdendo. E, o curso de tornearia busca resgatar essa arte”, ressalta Sandra.

Além disso, houve a presença de torneiros de todos os estados do Brasil e também das cidades da região do Vale do Itajaí. 

 

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