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Um intercâmbio repleto de lições

Pomerodense realiza trabalho voluntário com jovens autistas na Escócia e relata experiência

133e4455c44746adc465755d2f632820.jpg Foto: Arquivo pessoal

Uma experiência para a vida toda. Assim Catharina Wachholz define a vivência de seu intercâmbio voluntário, realizado em 2018. No ano passado ela esteve na cidade de Aberdeen, na Escócia, trabalhando voluntariamente no Camphill School Aberdeen, com jovens que possuem algum tipo de necessidade especial.

 

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A estudante conta que sempre desejou viajar para o exterior, fazer um intercâmbio, mas que a acreditava ser um sonho muito distante. Porém, quando chegou ao 3º ano do Ensino Médio, com as incertezas quanto ao caminho que deveria seguir no futuro, começou a pesquisar mais sobre o assunto e a sua tia,  Luciana, indicou o nome da instituição na Escócia, pois uma conhecida dela havia estado lá, também.

“Eu entrei em contato com a instituição ainda em 2017, quando minha tia indicou, para saber mais. Porém, como antes eu precisava me programar, comecei a trabalhar e a guardar dinheiro para realizar este sonho. Então, ainda no fim deste ano, entrei novamente em contato com o Camphill Aberdeen para passar pelo processo de seleção”, conta Catharina.

Por ter o inglês fluente, a estudante já cumpria um dos pré-requisitos para o trabalho voluntário, mas precisou preencher um questionário detalhado, para que a instituição tivesse as garantias de que o voluntário era uma pessoa com responsabilidade para a função. No mês de outubro, Catharina fez uma entrevista com um responsável da instituição e no fim daquele ano, recebeu a confirmação.

 

“Um dos dias mais especiais da minha vida foi quando recebi em mãos o visto e o passaporte, pois ali eu comecei a perceber que estava começando a realizar o meu sonho de sair do país. Eu viajei para a Escócia em abril de 2018 e ao chegar lá foi um choque, pois a cultura e o clima são totalmente diferentes”, relata.

A jovem passou a residir em uma casa que fica nas dependências do Camphill Aberdeen, que funciona como uma grande comunidade, reunindo pessoas com necessidades especiais e voluntários. Seu trabalho era basicamente com jovens de 18 a 25 anos que possuem autismo, sendo responsável por ajudá-los nas tarefas do dia a dia.

“Eu trabalhava cinco vezes por semana, por 12 horas, tendo dois dias de folga depois e um mês de férias. Durante meu trabalho, eu precisava acompanhar o jovem em workshops variados que eles faziam lá, na produção, além de auxiliar em outras coisas básicas de seu dia, como banho, por exemplo. Meus dias eram dedicados a outra pessoa e a experiência abriu a minha mente sobre o autismo”, ressalta Catharina.

O Camphill Aberdeen recebe pessoas do mundo todo, para realizar o trabalho voluntário e a responsabilidade é a palavra chave para o período em que se está lá. “Foi maravilhoso ter essa experiência com eles, porque aprendi muito sobre as dificuldades que existem e o cuidado que se precisa ter, mas ao mesmo tempo aprendi a ver a vida com mais calma, a apreciar as coisas simples, pois eles me ensinaram isso”, destaca.

Catharina afirma que entrou de corpo e alma na experiência e que, ao assumir o papel de estar ao lado de uma pessoa com autismo, passa a vê-la como igual. “Não é ruim, mas também não é fácil. Você precisa aprender a abdicar um pouco de si e pensar no outro. É uma experiência que te dá bem-estar e te engrandece como ser humano. Foi uma montanha-russa maravilhosa”, brinca.

 

É uma experiência que te dá bem-estar e te engrandece como ser humano. Foi uma montanha-russa maravilhosa.

 

O trabalho voluntário na Escócia, segundo Catharina, serviu para que ela mudasse o pensamento sobre muitas coisas e ela recomenda que quem tem vontade de ajudar o outro, deveria tentar. “Antes de passar pelo intercâmbio voluntário, eu pensava em cursar Direito na faculdade, hoje minha vontade é fazer Psicologia. Gosto de destacar que o sonho de viajar para outro país e conhecer uma nova cultura é possível de ser realizado, basta procurar as opções. O trabalho voluntário é um nicho de intercâmbio maravilhoso, mas que tem uma missão e este deve ser o foco de quem o faz. Eu com certeza recomendo e faria tudo de novo”, finaliza.

 



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