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Um amor em “Verde e Amarelo”

O 17 de julho de 1994 marcou a vida do casal, cujos destinos se cruzaram, para nunca mais se desligarem.

e1f50a790db657785c9e171e6a78e92a.JPG Foto: -Rosemeri e Everaldo, relembrando o primeiro encontroBob Gonçalves / Jornal de Pomerode

Para a grande maioria dos brasileiros, o dia 17 de julho de 1994 ficou marcado pela conquista do tetracampeonato mundial, nos Estados Unidos. Uma data festiva, onde o povo saiu às ruas para comemorar um título que não vinha, até então, há 24 anos. Só que esta passagem marcou a vida de Everaldo José Régis e Rosemeri Hoffmann Régis de uma forma diferente, afinal, os seus destinos se cruzaram naquele dia, para nunca mais se desligarem.

O dia era de apreensão, afinal, logo mais Brasil e Itália se enfrentariam na grande decisão daquela Copa do Mundo. Só que, também, era de Festa Julina, mais precisamente, nas dependências da E.E.B. Presidente Prudente de Morais, em Testo Rega. E Rosemeri foi trabalhar nos festividades. “Era de manhã e estava fazendo minhas coisas, quando perguntei para um rapaz moreno, que nunca havia visto na vida, se ele gostaria de ajudar a escola. Ele aceitou e me deu muitas moedas e eu ofereci a lembrança da festa”, conta.

 

Lembrança da Festa Julina de 1994 (Foto: Divulgação)

Na hora do almoço, uma amiga de Rosemeri notou que aquele mesmo rapaz não parava de olhar para ela. “Eu pensei: ‘O que ele quer comigo? Eu não conheço ele’.  Tanto que, ele sentou à nossa mesa para almoçar, pelo fato de não haver mais espaço nas outras. Conversamos normalmente, eu voltei às minhas atividades e, quando acabou a festa, ele se aproximou e pediu se poderia nos acompanhar até em casa. E foi o que ele fez. Quando chegamos próximo ao antigo Supermercado União (hoje, Gumz), ele perguntou onde eu iria assistir ao jogo. Respondi que seria na minha casa. Nisso, ele pegou meu casaco e disse que era para encontrá-lo, depois do jogo, na então pracinha existente defronte ao mercado”, relata.

Rosemeri diz que ficou com aquilo na cabeça e só pensava no seu casaco. Quando o jogo terminou e o Brasil conquistou o título, uma grandiosa festa tomou conta da cidade, com carreata e muita alegria. E foi nessa atmosfera que a moça “fugiu” de casa para encontrar o misterioso rapaz. “Eu tive que sair meio que fugida, afinal, meu pai não deixaria sair se eu falasse a verdade. Fui até o local e lá estava ele, me esperando, com o meu casaco. Começamos a conversar e no meio dessa atmosfera que tomou conta de Pomerode e do Brasil todo, pela vitória na Copa, nos beijamos pela primeira vez”.

 

Eu tive que sair meio que fugida, afinal, meu pai não deixaria sair se eu falasse a verdade. Fui até o local e lá estava ele, me esperando, com o meu casaco. Começamos a conversar e no meio dessa atmosfera que tomou conta de Pomerode e do Brasil todo, pela vitória na Copa, nos beijamos pela primeira vez.

 

Régis ressalta que foi amor à primeira vista. “Eu tinha vindo para Pomerode em maio daquele ano e não conhecia ninguém. Posso falar que ainda havia certo preconceito contra as pessoas que vinham de fora. Mas quando a vi, pela primeira vez, naquela festa, rolou uma ‘química’, tanto que estamos juntos há 25 anos. Foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida”.

 

As flores e o casamento

Naquela segunda-feira, houve mais surpresas. “Eu trabalhava no antigo Supermercado União e, no meio do dia, eu recebi um lindo buquê de flores, com um cartão, assinado por um tal de ‘EJR’. Na hora, nem imaginei que poderiam ser dele, pois eu não lembrava mais o seu nome. No fim do expediente, ele estava lá novamente, me esperando. Quando eu saí, me perguntou se eu havia gostado das flores, aí me toquei que era o Everaldo. A partir deste dia, nos encontrávamos sempre e começamos nosso namoro. Ele sempre foi muito romântico, então, percebi que tinha encontrado o homem da minha vida”, conta Rosemeri.

Agora, o desafio seria convencer o pai dela, que era de, certa forma, conservador. “Afinal, ele queria que sua filha casasse com um ‘alemão’”, brinca Régis. “Contei para minha mãe logo na outra semana sobre ele e ela me falou que talvez o pai não aceitaria. Eu sempre saía escondida de casa, até que, um dia, o Everaldo resolveu ‘encarar’ o sogro. Eu o apresentei e logo meu pai viu que se tratava de uma pessoa boa”, complementa a esposa.

Hoje, 25 anos depois, Everaldo José Régis, 48 anos, assistente de materiais, e Rosemeri Hoffmann Régis, 43 anos, diarista, desfrutam de um casamento sólido, que aconteceu três anos após o primeiro encontro, no dia 26 de julho de 1997, e resultou no nascimento de duas filhas, Taynara Caroline e Emely Vitória Régis, com 21 e 11 anos, respectivamente.

 

Casamento foi realizado três anos depois (Foto: Divulgação)

“Não há casal que não brigue. Cada um tem seus gostos, suas opiniões, sua personalidade. Por isso, é preciso aprender a ceder, por mais que você ache que esteja com a razão. É preciso ter um ponto de equilíbrio”, comenta o marido. “Tivemos muitas dificuldades no começo, com a Taynara pequena, uma pneumonia atrás da outra, morávamos de aluguel e ele, para complementar a renda, chegou a polir carros, para poder comprar remédios para a filha. Por isso sempre o admirei, porque, para a família, sempre fez de tudo”, complementa Rosemeri. 

As mudanças também fizeram parte dos dois neste 1/4 de século. “De lá para cá, talvez por não ter passado tanta necessidade quanto eu, na infância e adolescência, a Meri aprendeu a dar valor a cada coisa que se conquista, muito pelas dificuldades que passamos ao longo desses anos, mas que foram superadas com muito trabalho e dedicação. Eu passei fome quando era criança, por isso, fazer uma compra do mês, para mim, é um orgulho, comprar uma bala para a Emely, é motivo de orgulho. Outra coisa é que antes, ela se sentia frustrada por não trabalhar, para cuidar das filhas. Hoje em dia, ela tem outro entendimento, pois, ficando em casa, também pode se dedicar ainda mais a elas”, ressalta Régis.

 

Família: orgulho maior do casal (Foto: Divulgação)

Já para a esposa, a grande mudança se deu quando a paternidade chegou. “Desde o começo, o Everaldo foi uma pessoa carinhosa e dedicada, mas depois que foi pai, ficou ainda mais ‘babão’. Ele faz de tudo para elas e por mim também, sempre apoiando em tudo o que é necessário. Só que às vezes, é até bom demais para os outros, se esquecendo um pouco dele”. “Meu orgulho é a minha família e o meu ‘teto’ para morar. Nenhum casal é perfeito. Mas, por mais que possam se desentender, um filho nunca terá esse laço desfeito”, acrescenta.

Por tudo isso, que o 17 de julho de 1994 ficará marcado, para sempre, na memória e no coração da família Régis, como o dia em que o Tetra brasileiro, na Copa do Mundo, também marcou o início de uma linda história de amor e de vida. E que resultou numa família “TetraLegal”.

 

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