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Recurso necessário para inclusão

Carteira de Identificação do Autista é aprovada em SC e promove chance de menos preconceito no dia a dia destas pessoas

ddd562cd369df7c90fcd318d9217b799.jpg Foto: Arquivo pessoal

“Quando alguma coisa ou acontecimento quebra a rotina, eles não sabem lidar com isso, ficam irritados, agitados, muitas vezes realizando movimentos repetitivos entre outros”, conta Cristiane da Costa Henrique, mãe de Caetano Henrique Campestrini, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), sobre as reações do filho em relação à mudança de rotina.

 

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É nestas situações que um documento que será implantado em Santa Catarina irá auxiliar. A Carteira de Identificação do Autista (CIA) será fornecida às famílias, para serem apresentadas em casos de necessidade de serviço preferencial, por exemplo.

Caetano é uma das crianças autistas que já possui a CIA. Ele foi diagnosticado com grau 2 de autismo, quando tinha um ano e meio de idade, mas segundo a mãe, com trabalho, terapias, envolvimento escolar e familiar, ele apresentou um desenvolvimento significativo, alterando seu caso para grau 1.

Conforme dito, mudanças bruscas na rotina podem causar reações nas pessoas com autismo e nem sempre quem está na presença de uma criança autista, principalmente, entende o que está acontecendo. 

Cristiane revela que foram diversas as vezes em que enfrentou situações desagradáveis de preconceito, pelo fato de as pessoas não terem o conhecimento que se trata de uma criança com autismo. “Muitas vezes as pessoas pensam que são crianças mal educadas, que os pais não sabem educar, acham que são retardados, ou simplesmente que são malandros. O preconceito é o nosso maior sofrimento”, afirma a mãe, que também é psicóloga.

 

Muitas vezes as pessoas pensam que são crianças mal educadas, que os pais não sabem educar, acham que são retardados, ou simplesmente que são malandros. O preconceito é o nosso maior sofrimento.

 

De acordo com o texto do Projeto de Lei aprovado pela Assembleia Legislativa de SC e sancionado pelo Governador, a carteira permitirá ao portador o acesso gratuito ao transporte intermunicipal e 50% de desconto na passagem do responsável legal que o estiver acompanhando. Além disso, o portador terá direito ao atendimento prioritário em todos os estabelecimentos públicos e privados do Estado.

Cristiane, que já possui a Carteira para Caetano, afirma que o documento ajuda, e muito e que já precisou dela em vários casos. “Em muitas situações já usei a carteira de identificação e as pessoas pediram até desculpa pelo ocorrido. Muitas crianças com autismo não apresentam nada fisicamente que a identifique como autista. Sendo assim, as pessoas muitas vezes, não sabem como lidar com aquela pessoa ‘diferente’. Quando apresentamos a carteirinha, o olhar é outro”, ressalta.
A previsão do governo estadual é que a emissão do documento seja feita em parceria entre a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (SDS), Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) e Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, porém ainda está em fase de estudos e os órgãos.

A lei que estabelece a CIA em Santa Catarina foi sancionada em 10 de julho pelo governador Carlos Moisés da Silva e estabelece que documento será emitido pelo governo estadual. Entretanto, não há previsão de data para que o documento esteja efetivamente em circulação e nem um modelo de como deverá ser emitida CIA.

 

Fora do mapeamento estatístico

Não se tem dados precisos sobre o número de pessoas que estão no espectro autista no Brasil. Inclusive, no mês de julho, o Senado aprovou o projeto de lei que inclui questionamento sobre autismo nos censos demográficos do país e, inclusive, a pesquisa de 2020 já deverá contar com a pergunta. O objetivo é obter dados mais concretos sobre o autismo, uma vez que atualmente existe apenas uma estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que há dois milhões de pessoas com o transtorno no país.

Em Santa Catarina, uma pesquisa da UFSC, feita em 2006, apontou que a prevalência de autismo é de 1,31 por 10.000 pessoas, com base nos dados das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais - Apaes, Associação de amigos dos Autistas - AMAs e Fundação Catarinense de Educação Especial - FCEE.

 

“É importantíssimo que as pessoas com TEA sejam incluídas! Precisamos mapear essas pessoas. Saber a sua origem, locais onde tem a maior concentração delas. Incluir verdadeiramente o autismo nas políticas públicas e até mesmo uma disciplina específica nas faculdades de medicina. Não devemos subestimar os autistas. Eles são muito avançados, inteligentes, sensíveis, de uma maneira que não temos a capacidade de entender. Só tem uma maneira de lidar com o autista: com amor, ele é a terapia fundamental para seu desenvolvimento”, defende Cristiane.

 

O que é o TEA?

O autismo, também chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um conjunto de déficits na comunicação social e interação social que envolve múltiplos contextos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 70 milhões de pessoas em todo o mundo apresentem alguma das formas de autismo, que são: Síndrome de Asperger, Transtorno Autista ou Autismo Clássico e Transtornos Invasivos do Desenvolvimento.

 

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