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Raio-X: por que a espera é tão longa no HMRT?

Após reclamações constantes da comunidade em relação ao tempo de espera no hospital, buscamos explicações sobre o que acontece e como o problema poderia ser resolvido

ffbb0820518007cf373255b5a906fdb2.jpg Foto: Arquivo Jornal de Pomerode

Permanecer, algumas vezes, por horas na sala de espera do pronto-socorro do Hospital e Maternidade Rio do Testo (HMRT). Tal relato tem se tornado comum nas redes sociais e ganhou tamanha proporção, que vereadores se pronunciaram em tribuna, bem como a diretoria da instituição, por meio de nota oficial.

Em relação aos atendimentos, as opiniões da população se dividem. Há os defensores, que comparam a nossa realidade a outras ao redor do país; e há quem acredite que ainda há muito o que melhorar.

Sarah Martins é uma das pomerodenses que já necessitou do atendimento do HMRT e revela que não vê motivos para reclamações acerca do atendimento. “Não tenho do que reclamar do atendimento do Hospital, sempre que precisei, fui muito bem atendida. Quando a situação requisitava emergência, foi rápido e quando era menos urgente, esperei o que considero dentro do razoável, conforme estava o movimento do dia”, pondera

A usuária também elogiou o atendimento de alguns dos profissionais do HMRT. “Nos dias com o pronto atendimento cheio, os médicos sempre foram prestativos, sempre pediram os exames necessários. O Dr. Thiago e a Dra. Joana sempre me atenderam bem. Não posso reclamar. Mas ressalto a importância de termos uma UTI, tanto adulta quanto pediátrica, e um plantonista pediátrico, também”, destaca.

Samuel Eichstadt também esteve no hospital com uma suspeita de conjuntivite, mas, devido à grande quantidade de pessoas que já esperavam por atendimento, foi à Unidade de Saúde de seu bairro. Lá, foi informado de que o profissional médico responsável não atendia encaixes. Então, retornou ao HMRT, onde esperou cerca de quatro horas, devido à quantidade de pessoas. O diagnóstico, confirmou a conjuntivite.

“No meu ponto de vista, não acho que o problema está só no hospital, mas sim, nos Postos de Saúde, pois se você chegar lá procurando um atendimento na parte da tarde, simples, sem muito gravidade, tipo uma conjuntivite, que foi o meu caso, poderiam fazer um encaixe, pois essa consulta não demoraria. Mas você chega no ‘postinho’ e eles não fazem o encaixe, mesmo explicando que a sua situação é simples. Ao contrário, mandam para o hospital, tirando a vez de uma consulta que seria realmente de emergência, consequentemente, formando longa espera”, pondera Eichstadt.

 

Demanda do HMRT

Em nota oficial divulgada pela diretoria da instituição, após o início da polêmica, no mês de agosto, foi citado que o hospital realiza cerca de 3,5 mil atendimentos por mês. Porém, o principal problema enfrentado é a grande quantidade de casos não classificados como urgência e emergência. 

Para se ter uma ideia, de janeiro a julho deste ano, 26.654 pessoas foram atendidas no pronto-socorro do HMRT. Destas, 19.177 foram de casos que não representavam urgência, enquanto apenas 7.296 foram de urgência e emergência.

 

No pronto-socorro, dois profissionais médicos efetuam o atendimento durante a semana, entre às 10h e 22h, bem como nos fins de semana, das 13h às 22h. No restante do tempo, permanece apenas um médico no local, além das especialidades médicas de sobreaviso, que são acionadas quando necessário, para a avaliação e condução do caso.

O investimento de verbas públicas no HMRT diminuiu. Nos primeiros sete meses deste ano, a instituição recebeu cerca de R$ 4,5 milhões, enquanto no mesmo período de 2018, foram R$ 5,2 milhões recebidos.

Mesmo assim, estão sendo estudadas estratégias para evitar que as esperas de pacientes não sejam tão longas no pronto atendimento. De acordo com o diretor do Hospital e Maternidade Rio do Testo, Frank Volkmann, com o novo contrato assinado com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesa), em parceria, está sendo viabilizada a implantação do Protocolo de Triagem de Manchester.

O protocolo visa humanizar o atendimento ao público; garantir um atendimento rápido e efetivo; classificar, mediante protocolo, as queixas dos usuários que demandam os serviços de urgência/emergência, visando identificar os que necessitam de atendimento médico mediato ou imediato; construir os fluxos de atendimento na urgência/emergência, considerando todos os serviços da rede de assistência à saúde; ser instrumento capaz de acolher o cidadão e garantir um melhor acesso aos serviços de urgência/emergência; escuta qualificada do cidadão que procura os serviços de urgência/emergência; funcionar como um instrumento de ordenação e orientação da assistência, sendo um sistema de regulação da demanda dos serviços de urgência/emergência.

“Este instrumento hierarquiza conforme a gravidade do paciente. Não é utilizado para diagnóstico de doença. Nenhum paciente poderá ser dispensado sem ser realizada a aplicação da Classificação de Risco e, se necessário, encaminhado a uma unidade de saúde de referência”, destaca Volkmann.

Outro ponto apontado pelo diretor, como mudança no quesito atendimento, é a integração dos profissionais médicos por meio do acesso ao sistema de dados. 
“Ainda com base no novo contrato entre HMRT e Sesa, está sendo viabilizado o acesso dos médicos das Unidades Básicas de Saúde ao sistema de informação disponível no hospital, bem como, o acesso ao sistema de informação disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde para o profissional médico plantonista. O objetivo é construir uma melhor assistência ao paciente, dando continuidade aos atendimentos prestados na rede de assistência à saúde do município”, ressalta.

Em nota oficial, o diretor reiterou que a instituição está comprometida em melhorar o atendimento. “Estamos comprometidos em oferecer à população de Pomerode o melhor serviço possível, com os recursos disponíveis. Problemas podem ocorrer, porque não podemos controlar todas as variáveis, mas continuaremos sempre procurando corrigir o mais rapidamente possível”.

 

O que acontece nas Unidades de Saúde

De acordo com a Secretaria de Saúde, as unidades oferecem uma diversidade de serviços realizados pelo SUS, incluindo: acolhimento com classificação de risco, consultas de enfermagem, médicas e de saúde bucal, distribuição e administração de medicamentos, vacinas, curativos, visitas domiciliares, atividade em grupo na unidade e nas escolas, educação em saúde, entre outras. Nelas, muitas necessidades de saúde podem ser resolvidas e, caso seja necessário, ocorre o encaminhamento dos usuários para outros níveis de atenção.

“Nossas unidades de saúde não atuam como pronto atendimento médico, todas as situações são acolhidas e direcionadas para algum tipo de atendimento, que pode ser interno ou externo, no dia ou não. As unidades trabalham, também, com atividades pré-programadas, visando promoção de saúde e prevenção de agravos”, explica a secretária da pasta, Lígia Hoepfner.

A orientação para os usuários é que seja procurado primeiro o hospital, em situações de urgência e emergência. Casos em que se deve procurar primeiro o atendimento hospitalar são como hemorragias, parada cardiorrespiratória, afogamento, derrames, politraumatismos, outros; e urgência, como intensa falta do ar, intoxicação por medicamentos, agrotóxicos, dores intensas no peito, de início súbito, que pioram com esforço.

 

Muitos dos casos, logo na triagem, são identificados como não sendo de urgência ou emergência. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Esta classificação é efetuada no momento em que o profissional realiza o acolhimento com escuta qualificada, mas, por definição, urgência é o agravo de saúde inesperado que, quando não tratado em tempo, pode levar a uma situação de risco iminente de morte. Emergência são situações e agravos à saúde em que há risco iminente de morte, exigindo intervenção imediata.

Em outros casos, como o citado por Samuel Eichstadt, o ideal é procurar as Unidades de Saúde. Porém, muitos acabam desistindo por não conseguirem um atendimento imediato e precisarem esperar para marcar uma consulta. E a demora, de acordo com a Sesa, é devido à alta demanda na cidade. “Existe uma elevada demanda devido ao aumento da população, utilização do SUS por usuários que tem Plano de Saúde e, também, migração de usuários dos planos para o SUS”, explica Lígia.

A secretária também esclarece que a Sesa está em fase de reorganização do processo de trabalho das equipes e colocando o usuário no centro da atenção, buscando resolutividade, diminuindo filas de espera e excesso de agendamentos. Isso, considerando o território para nortear o planejamento do trabalho das equipes e da necessidade de respeitar o limite máximo de 3.500 pessoas por equipe. A Sesa também planeja o redimensionamento de algumas áreas para adequação a este limite.

 

Atendimento médico nas Unidades

A secretária de Saúde coloca que, em todo o horário de funcionamento da unidade, há atendimento médico. Mas, além das atividades de atendimento de demanda espontânea, o médico está realizando outras atividades pré-agendadas, como visita domiciliar, consultas agendadas, pequenas cirurgias, reunião de equipe, grupos de usuários e outras.

“As Unidades de Saúde não atuam como pronto atendimento médico. Nestas, são realizadas, também, consultas de pré-natal, consultas puericultura, procedimentos de enfermagem, consultas odontológicas, grupos de usuários, visitas domiciliares, pequenas cirurgias e outras”, afirma Lígia.

As Unidades de Saúde, de janeiro a julho de 2018, realizaram 76.777 atendimentos e 102.466 procedimentos. Em 2019, no mesmo período, realizaram 91.706 atendimentos e 174.641 procedimentos.

A Secretaria de Saúde e o HMRT têm firmado contrato administrativo, sendo que dois itens do contrato são relativos ao pronto atendimento, o Incentivo aos Serviços de Urgência e Emergência e Incremento aos Serviços da Urgência e Emergência. No pronto atendimento, a Secretaria disponibiliza os recursos como auxílio aos serviços do HMRT no apoio a rede de atenção à saúde do município.

Conforme o contrato, o Incremento aos Serviços da Urgência e Emergência tem como teto mensal R$ 202.207,20 e o Incentivo aos Serviços da Urgência e Emergência R$ 98.360,33. O incremento engloba o pagamento do atendimento médico durante 24 horas, com um médico 24 horas e um segundo médico, 12 horas, de segunda a sexta-feira; e nove horas aos sábados e domingos, além do pagamento do sobreaviso de Anestesiologia, Ortopedia, Cirurgia Geral, Pediatria e Obstetrícia.

O contrato está sendo revisado, com relação à metas e pactuação, que se destina a implantação do protocolo de classificação de risco no pronto atendimento. Este protocolo seria como um instrumento reorganizador dos processos de trabalho na tentativa de melhorar o atendimento. Ele possibilita a ampliação da resolutividade ao incorporar critérios de avaliação de riscos, para, assim, melhor organizar o fluxo de pacientes que procuram o pronto atendimento, gerando atendimento resolutivo e mais humanizado.

Por fim, a secretária de Saúde ressalta que está em processo de reorganização do processo de trabalho das equipes e, com isso, podem haver alterações na agenda das unidades. “Demandas que deveriam ser atendidas nas Unidades de Saúde, infelizmente, acabam sendo atendidas no hospital e, por isso, trabalhamos em parceria com o HMRT para melhorar fluxos de atendimentos para qualificar o acesso”, reitera.

Ainda, em debates nas redes sociais, foi abordada a ideia de Pomerode ter uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), porém, de acordo com a legislação para o financiamento de sua construção, apenas cidades com mais de 50 mil habitantes conseguem ter uma UPA de Porte I, a mais básica, o que não se aplica a Pomerode.

 

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