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Pomerode: o recanto das aves

Cidade é um destino para a observação e fotografia de aves, em função de sua vegetação e clima

ec377e8a94da3b47259c462e38fc34b8.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Pomerode possui suas belezas naturais, arquitetura e um povo que preserva as tradições e culturas alemãs, sendo uma referência no turismo de Santa Catarina e, também, do Brasil. Mas, você poderia imaginar que a cidade também acolhe um grande número de espécies de aves que atraem os olhares de observadores e fotógrafos de pássaros? De acordo com o site WikeAves, um tipo de enciclopédia online de pássaros, mais de 320 espécies diferentes foram registradas por pessoas que tiraram fotos ou gravaram os cantos das aves, na cidade.

Grupos de fotógrafos e observadores de aves rodam o município para conseguir o melhor registro das espécies presentes, em Pomerode. E, para conferir uma dessas “expedições”, fomos até o Morro da Turquia, a fim de acompanhar um pouco dessa atividade. 

O nascer do sol e a névoa que se formou em alguns pontos da cidade, já deram um ar especial na visita a um dos pontos mais altos do município. A caminhada iniciou no topo do Morro, onde nos encontramos com o grupo de pessoas pomerodenses e de outras cidades, como Jaraguá do Sul, Timbó e Rio dos Cedros. 

Com suas câmeras de lentes de longo alcance, o grupo observava os arredores do local para tentar achar uma ave. Para ajudar os pássaros a aparecerem com mais facilidade, o guia da observação e biólogo, Adrian Eisen Rupp, reproduz, em uma caixa de som portátil, o canto de algumas espécies para atrair as aves para mais próximo, facilitando, assim, a observação e o registro dos fotógrafos e amantes dos passarinhos. O áudio não toca por muito tempo, a fim de não estressar os pássaros. 

 

(Foto: Isadora Brehmer)

Com o canto de um Pica-Pau, a primeira tentativa não obteve êxito. Mas, após uma segunda tentativa, metros à frente, um Pica-Pau-de-Banda-Branca (Dryocopus lineatus), deu às caras, deixando eufóricos os fotógrafos que conseguiram registrar a ave.  A espécie habita o interior e as bordas de florestas altas, capoeiras, cerrados, campos e plantações com árvores esparsas.

Vive solitário ou aos pares, arrancando a casca e “martelando” troncos e galhos maiores, em busca de insetos, tanto em árvores vivas como mortas. Dormem sempre em ocos, onde, também, se abrigam da chuva pesada; alguns elaboram cavidades, que servem para dormir. Presentes na América do Sul e Central, recolhem-se cedo para dormir. 

 

(Foto: José Eduardo Cruz)

Além disso, durante a caminhada, nossa equipe e os observadores encontraram as espécies Pula-Pula (Basileuterus culicivorus), Miudinho (Myiornis auricularis), Capitão-de-Saíra (Attila rufus), Saíra-Ferrugem (Hemithraupis guira) e Viuvinha (Colonia colonus), que puderam ser vistos durante a manhã fria, no Morro da Turquia. O forte frio daquele domingo, também dificultou, um pouco, o aparecimento de algumas espécies, que ficaram em seus ninhos, para não enfrentar o frio brusco, já que, no dia da visita, os termômetros chegaram a 3ºC, com sensação térmica de 0º.

 

(Foto: Vilson Wruck)

Rupp comenta que para a realização da atividade, é necessário um conhecimento da área, para uma melhor experiência nos registros fotográficos ou para observação.

“Acordar bem cedo, pois é no início da manhã é o período melhor para observar as aves, já que elas estão em atividade. É importante ter dedicação, fazer bastante silêncio e conhecer as áreas que as aves frequentam”, comenta o biólogo.

Além disso, ele explica o porquê de Pomerode ser um destino muito procurado pelos observadores e fotógrafos de aves.

“Pomerode é uma cidade que possui uma vegetação rica de Mata Atlântica. Há várias espécies de aves endêmicas de Santa Catarina (que ocorrem em determinada área ou região geográfica) que são encontradas na cidade, inclusive, algumas ameaçadas de extinção, que possuem população no município. Isso, sem contar a estrutura turística que a cidade possui, com as padarias, pontos turísticos e hotéis de qualidade, que acabam fazendo a diferença na estadia desse pessoal de fora, que aproveita para tirar um tempo para o lazer, além da atividade de observação e fotografias de aves”, explica. 

Ainda de acordo com o guia de observação de aves, observadores e fotógrafos da Alemanha, Chile, Uruguai e outros países já usaram Pomerode como um destino para a atividade, que apresentou um crescimento nos últimos anos.



Galeria de fotos: 2 fotos
Créditos: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode
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