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Oportunidade de ter uma vida melhor

Haitiano, que trabalha na empresa Netzsch do Brasil, conta como saiu do país para buscar uma melhor qualidade de vida

18ac947e4a7c878c706adcfc53c1e3f6.jpg Foto: Divulgação / Netzsch do Brasil

Um país que possui seus contrastes econômicos e sociais. O Haiti, localizado na América Central, é uma nação que sofre com catástrofes naturais e humanas. Uma das piores de sua história, aconteceu no ano de 2010, quando um forte terremoto de 7,0 de magnitude na escala Richter atingiu o país, provocando uma série de feridos e mais de 200 mil mortes registradas, além de inúmeros desabrigados que perderam suas casas durante o abalo sísmico.

E, para tentar uma vida melhor, após toda a tragédia, Pierre Rony Morantus, 28 anos, resolveu fazer uma mudança radical para buscar oportunidades em outro país e resolveu, na cara e na coragem, vir ao Brasil à procura do que poderia ser um novo começo. Em 2016, tentou a vida no Rio de Janeiro, mas não se adaptou à capital carioca. Após passar um tempo por lá, resolveu ir ao Chile, onde ficou por cerca de um ano.

Mas, foi em 2018 que sua vida começou a ter uma mudança. Neste ano, veio para Pomerode e começou fazendo “bicos” no parque temático Vila Encantada. Morantus, nesse período que trabalhava no parque, procurava emprego em empresas da cidade e achou uma vaga disponível na empresa Netzsch do Brasil.

 

(Foto: Divulgação / Netzsch do Brasil)

O haitiano passou na experiência e já está há um ano na empresa, atuando na área de pintura de peças produzidas pela fabricante de bombas, localizada na Rua Hermann Weege, centro de Pomerode. Desde lá, divide a rotina com colegas de setor, que segundo ele, uma ótima relação.

“Fiz muitos amigos aqui dentro. Eles me ajudam quando eu preciso, me dão também um auxílio no português, já que eu ainda não domino 100% o idioma. E a própria diretoria que sempre me tratou bem e me deu essa oportunidade de trabalho. Agradeço a Deus, todos os dias, por essa oportunidade de vida que me foi dada, pois já vi muita coisa difícil no Haiti. Perdi amigos e alguns familiares no terremoto”, comenta.

 

Em relação ao idioma, Morantus sabe falar o crioulo, idioma local, francês, um pouco de inglês, espanhol e o português. E, segundo o haitiano, a língua portuguesa foi uma de suas maiores dificuldades para a adaptação ao país. Além disso, outro fator que ainda não se adaptou foi em relação ao frio.

 

Agradeço a Deus, todos os dias, por essa oportunidade de vida que me foi dada, pois já vi muita coisa difícil no Haiti. Perdi amigos e alguns familiares no terremoto

 

“Quando cheguei aqui e enfrentei meu primeiro inverno, foi muito difícil de acostumar. Eu nem tinha casacos que me protegessem contra a onda de frio, mas graças aos colaboradores da Netzsch, que fizeram uma campanha do agasalho para mim, ganhei roupas que me conseguiram me esquentar durante essa fria época do ano”, relata.

Em Joinville, quando se reuniu com outros haitianos que residem em solo catarinense, em sua passagem pela cidade, conheceu Andreia, que tornou-se sua companheira e, juntos, moram em Pomerode. Hoje, Morantus é o único membro da família que vive no Brasil. A distância da família, principalmente de sua mãe, é uma das coisas que mais sente falta. O haitiano pretende juntar dinheiro, com o tempo, para que possa trazer sua mãe ao Brasil e aproveitar momentos ao lado da mesma, para matar a saudade. 

 

Morantus está há um ano na multinacional. (Foto: Raphael Carrasco)

“Nós conversamos por WhatsApp, com frequência. Mas, faz quase três anos que não a vejo e, pelo celular, não é a mesma coisa do que ter ela ao meu lado e saber que ela está bem, com saúde ou tendo uma vida boa, pois o Haiti é um país com uma crise econômica muito forte e nunca tivemos muito dinheiro”, frisa.

Morantus conta que sente vontade de estudar  para melhorar a sua qualificação e espera, em um futuro próximo, ingressar em um curso técnico ou faculdade. 

 

O Haiti 

Com aproximadamente 10 milhões de habitantes, é considerado o mais pobre país da América. O idioma oficial é o crioulo, mas grande parte da nação utiliza o francês como um segundo idioma, já que o país foi colonizado pela França.

A nação sofreu vários golpes militares e foi governada por ditadores durante muitos anos, resultando na perseguição a opositores e na morte de muitos habitantes. Essa situação fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) interviesse na política nacional, sendo o Brasil responsável pela pacificação naquele país. 

Conforme dados da ONU, o Haiti detém o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do continente americano. Entre os vários fatores que contribuem para essa situação estão a expectativa de vida, que é de apenas 60 anos; os serviços de saneamento ambiental, que são destinados a menos da metade das residências; a maioria dos haitianos vive abaixo da linha de pobreza; cerca de 60% dos habitantes são subnutridos; o índice de analfabetismo é de 38%; a taxa de mortalidade infantil é de 62 para cada mil nascidos vivos. Além de todos esses problemas socioeconômicos, o Haiti, em janeiro de 2010, foi atingido por um terremoto, que provocou a morte de mais de 120 mil pessoas.



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