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O adeus a um ícone de Pomerode

Brueder Wachholz nos deixou aos 90 anos, mas seu legado de amor pela pátria e pelas tradições permanece vivo na cidade

5ae37305ccb2654eb9fdd05438cb5474.jpg Foto: -Brueder Wachholz acompanhado da filha, Rose Mari, em seu último desfile de Festa PomeranaArquivo Jornal de Pomerode

Um amante da pátria e das tradições mantidas em Pomerode. Tais características podem definir um pouco de quem foi o ex-militar Brueder Wachholz, que nos deixou na madrugada de 26 de julho, aos 90 anos de idade.

 

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Wachholz era figura muito conhecida em Pomerode, por ser um dos remanescentes da Polícia do Exército, a qual serviu na juventude e pelas histórias das dificuldades vividas no tempo da campanha da nacionalização.

Na Fundação da Polícia do Exército, em 1948, Wachholz relatava com orgulho que o então Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, escolheu a dedo sua participação no grupo. Por isso, ele sempre se referia ao serviço militar como uma honra em sua vida. “Eu tinha o maior orgulho, porque quem não serve ao Exército, não é brasileiro”, dizia Wachholz.

Fiel defensor da manutenção das tradições herdadas dos imigrantes alemães, Wachholz acompanhou a fundação de diversos Clubes de Caça e Tiro de Pomerode, que se deu a partir da década de 50. Era sócio de dois: 1º de Maio e Clube Pomerode. Além disso, graças à experiência no Exército, Brueder Wachholz era um excelente atirador, conquistando diversas medalhas e títulos de Rei nas competições típicas da modalidade.

Brueder Wachholz nasceu em 1929, e foi casado com Wanda Wachholz, com quem teve quatro filhos, Asta, Cora, Aldo e Rose Mari, além de sete netos e dois bisnetos. O militar tinha, ainda, como um dos principais hobbys, a pesca, amor que transmitiu, também, aos filhos e netos.

A filha, Rose Mari Wachholz, carrega consigo as lembranças felizes de seu pai, um homem forte, que sempre buscou conquistar seus objetivos. “Meu pai sempre teve muita consideração pelas tradições, ele achava a manutenção delas algo lindo, principalmente os desfiles, tanto que foi comandante dos desfiles nos clubes de caça e tiro”, relata Rose.

Outra paixão de Brueder Wachholz era a direção, tanto que o fez até o fim da vida, enquanto conseguia. “Meu pai queria ter um trabalho sem rotina, por isso, quando voltou do Exército, comprou o caminhão e começou a trabalhar com ele, fazendo fretes. Ele adorava dirigir”, destaca.

Muitas pessoas em Pomerode o reconhecem por ele ter feito a mudança de suas coisas para novas moradias, algo que ele nunca negava a quem vinha procurar pelos seus serviços. “No penúltimo frete que ele fez, lembro que fomos a São Francisco do Sul buscar uma carga e depois voltamos. Tínhamos que entregá-la no Ribeirão Herdt. Era uma subida difícil, mas meu pai conseguiu, mesmo atolando o caminhão em um momento, ele não desistiu e chegamos ao nosso destino, onde ele deixou a carga exatamente no local em que as pessoas precisavam que ela estivesse. Naquele dia, vi meu pai como o Super-Homem”, relembra.

Uma das maiores lembranças que Rose manterá de seu pai é relacionada à sua força para viver. “Meu pai viveu intensamente, mantendo a sua personalidade forte, com a sinceridade de dizer o que pensava. Aprendeu sozinho muito do que sabia e ensinou, principalmente, o respeito pelas tradições, seja qual for. Por isso, ele é uma inspiração”, finaliza.

 

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