Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019

facebook_icon

Hoje: Máx 34Cº / Min 21°C

Siga a gente -

Jornal de Pomerode

Edição Impressa

icon_user

Fé como combustível para superação

Mulheres revelam como a fé em Deus e o apoio das pessoas próximas as ajudaram a superar o câncer de mama

027a6e75cb870f020b6e54afc0b7295b.jpg Foto: -Hoje, Marcia já teve de volta seus cabelos e sente a autoestima voltandoIsadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Enfrentar o câncer é uma tarefa que exige fé e persistência. Vanilda Borges de Almeida, de 60 anos, passou por esta batalha e, hoje, é exemplo para quem está iniciando esta luta. 

 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
https://jornaldepomerode.com.br/novo/midia/banners/banner_808x164/29f51f06e48d9e702fd26857397d83d9.jpg

 

Auxiliar de limpeza há seis anos no Fórum de Pomerode, Vanilda ressaltou o orgulho pela adesão do órgão ao Outubro Rosa, que chama atenção para as questões ligadas ao câncer de mama e de colo de útero. 

Ela descobriu a doença em 2010 e a primeira cirurgia, em 2011. Depois desta, exames revelaram que ela ainda possuía células cancerígenas, o que demandava um tratamento. “Quando eu recebi a notícia do médico, que precisaria continuar com o tratamento, primeiro não entendi o porquê daquilo. Mas ele me explicou, com paciência, porque eu deveria continuar me tratando e, neste momento, foi como se tivessem me tirado o chão e eu chorei muito, assim que saí da sala”, relembra.

Porém, a auxiliar de limpeza revela que foi a fé em Deus que lhe deu forças para prosseguir na luta. “Eu descobri a doença pela primeira vez, por meio do exame preventivo oferecido pela Rede. Desde lá, as voluntárias me apoiaram, assim como a minha família. Mas o principal foi continuar a ter fé e pedir ajuda a Deus para passar por isso. Com Ele, consegui ter a calma para lutar contra a doença”, ressalta.

 

Vanilda, hoje, veste a camisa ao falar da importância da campanha Outubro Rosa. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Hoje, realizando apenas o acompanhamento semestral, Vanilda afirma que o seu principal desejo é poder aproveitar esta nova chance de viver, que Deus lhe oportunizou. “Agora, eu quero curtir a minha vida, viver cada momento com a minha família, aproveitando ao máximo cada instante. Agradeço todos os dias pela dádiva de ter superado a doença”, destaca.

Para quem recém descobriu a doença, Vanilda aconselha a nunca perder a fé, pois é ela que dará forças na luta. “E também pedir ajuda a Deus, que irá preparar os nossos médicos, nos dará força, porque sem Ele não conseguimos ser nada”, finaliza.

 

Um recomeço por meio das perucas

Quem também enfrentou a luta contra o câncer foi a professora Marcia Costa Chaves Lima, de 46 anos. Ela recebeu o primeiro diagnóstico da doença em março de 2018, fez a cirurgia de retirada da mama em junho e, no dia 16 de julho, soube que ainda possuía o câncer maligno e precisaria fazer a quimioterapia vermelha.

“Eu fazia em casa o autoexame e sentia um pequeno nódulo, como uma ponta de uma caneta, mas achava que podia ser algo normal, que logo desapareceria. Na Rede Feminina também perceberam e sugeriram que eu fizesse a mamografia, que apontou uma anormalidade. O médico, então, pediu o ultrassom”, relata Marcia.

Diversos outros exames de ultrassom foram feitos, como acompanhamento, mas o nódulo evoluiu e foi necessário fazer a biópsia, para confirmar se era câncer de mama. Com o resultado positivo, houve a necessidade de fazer a cirurgia para retirada da mama. Depois dela, Marcia precisou submeter-se a uma nova biópsia, que apontou a continuidade do câncer, sendo necessário o tratamento por quimioterapia vermelha. Esta provoca a queda dos cabelos.

“No início, você não sente nada de anormal, mas quando começa a se dar conta, sente medo e, principalmente, raiva do câncer. Quando caíram os primeiros fios de cabelo, devido à quimioterapia, é que veio o baque maior, caiu a ficha de que eu estava com uma doença séria”, relembra a professora.

 

No início, você não sente nada de anormal, mas quando começa a se dar conta, sente medo e, principalmente, raiva do câncer. Quando caíram os primeiros fios de cabelo, devido à quimioterapia, é que veio o baque maior, caiu a ficha de que eu estava com uma doença séria

 

E foi esta perda dos cabelos que mais afetou Marcia emocionalmente. Ela revela que, à medida que o cabelo ia caindo e o couro cabeludo começava a aparecer, a sua aparência era de alguém doente, o que a fazia se sentir pior ainda.

“Eu decidi raspar tudo e até me senti mais forte ao fazer isso, mas não queria sair de casa assim. Então, fui à Rede Feminina e vi as perucas, logo pedindo para experimentá-las. Ao fazer isso, me senti muito bem, por isso levei uma para casa, para usar no dia a dia. Ter essa peruca, me deu muita força, me deixou mais confiante”, afirma.

Marcia garante que, durante todo o tratamento, teve muita fé em Deus, assim como Vanilda. Para a professora, o que quer que acontecesse, seria a vontade dele. “Porém, o que mais me doía era pensar no sofrimento das minhas filhas, Maria Clara e Maria Caroline, se elas me perdessem. Isso me deixava triste e a depressão é mais uma doença que ronda quem está com câncer, por isso, me sentir confiante com as perucas foi fundamental”, pondera.

Para quem está começando esta batalha, Marcia aconselha a não ter medo, mesmo que a situação assuste, além de seguir o tratamento orientado, com cuidado. “Para a família, digo que é preciso ter paciência, para que a pessoa que está doente encontre o apoio necessário em casa, o acolhimento, pois isso também auxilia, e muito. Eu tive o apoio maravilhoso do meu marido, filhas, mãe, irmãs e oração de tantos parentes, amigos, alunos, colegas, desconhecidos. Por isso, acredito que o amor cura tudo. E há muito amor em cada doação por essa causa, seja um abraço, uma palavra, uma mensagem, um ouvir, um olhar e, até mesmo, um cabelo”, frisa.

 

Um trabalho nobre

Na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Pomerode, quem realiza o trabalho de confecção das perucas é a voluntária Mara Gracinda Custódio. Ela conta que já pratica atividades voluntárias há 20 anos.

“Como tenho muitos anos de voluntariado, acompanho a dificuldade destas mulheres que enfrentam o câncer. Antigamente, era muito caro comprar uma peruca, então, como sempre fui voluntária em outras áreas, decidi me dedicar às perucas”, relata Mara.

Ela conta que, normalmente, confecciona duas perucas por dia, sozinha. Caso tenha outra voluntária lhe auxiliando, consegue produzir ainda mais. Porém, o que mais importa é poder contribuir com a recuperação das mulheres que enfrentam a doença. 

“Muitas mulheres não tinham autoestima, por isso, é satisfatório saber que elas encontram sua identidade em uma peruca. É gratificante saber que elas voltam a amar a si mesmas, com energia para enfrentar o tratamento. Saber que posso fazê-las mais felizes é combustível no meu dia a dia”, reitera.

 

Quer ser o primeiro a receber as notícias de Pomerode e região pelo WhatsApp? Clique aqui.



Veja também: