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Em SC, 229 mil jovens não estudam nem trabalham

Análise, feita pelo Observatório FIESC com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, revela o perfil do jovem do estado

812204a6c43d77c1d91202f447d7f3bf.png Foto: Divulgação

Santa Catarina tem 1,6 milhão de jovens com idade entre 15 a 29 anos. Desse total, 229 mil nem trabalham e nem estudam, ou seja, 14% deles são jovens nem-nem. Outros 704 mil trabalham e não estudam (44%); 353 mil não trabalham e estudam (22%) e 315 mil trabalham e estudam (20%). O número total de jovens que não trabalham é de 582 mil (36%), mostram os dados que revelam o perfil do jovem catarinense. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, e foram analisadas pelo Observatório da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

 

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No Brasil, são 48,5 milhões de jovens de 15 a 29 anos. Desse total, 17 milhões trabalham e não estudam (35%), 14 milhões não trabalham e estudam (29%), 11,1 milhões não trabalham e nem estudam (23%) e 6,4 milhões trabalham e estudam (13%). O total de jovens que não trabalham soma 25 milhões, ou seja, 52% do total.

O diretor regional do SENAI/SC, Fabrizio Machado Pereira, salienta que o caminho para reduzir essa estatística passa pela educação, área que vive uma profunda transformação, com o uso cada vez maior da tecnologia e da internet em sala de aula e com o aluno assumindo o protagonismo do processo de aprendizado. “Estamos diante de uma mudança no mercado de trabalho, com muitas profissões deixando de existir da forma como conhecemos, mas com um grande número de novas ocupações surgindo. Apesar das transformações disruptivas em curso, formar, qualificar e desenvolver pessoas continua sendo essencial”, afirma.  

Pereira lembra que em Santa Catarina, SENAI e SESI atuam fortemente para reduzir o número de jovens que não estudam nem trabalham: 63% dos estudantes do SENAI e 46% dos alunos do SESI têm entre 15 e 29 anos. “São quase 88 mil jovens nessa faixa etária que estão estudando e se qualificando. A metodologia que usamos em sala de aula é dinâmica, tem recursos tecnológicos, valoriza o desenvolvimento de competências técnicas e o empreendedorismo. Um quarto dos alunos dos nossos cursos técnicos se formam e abrem seu próprio negócio. Então, nosso modelo atende às expectativas dos jovens, do mercado, e, principalmente, da indústria, que precisa cada vez mais do conhecimento, da criatividade e da capacidade de inovação dos jovens”, explica. 

Pesquisa realizada pela FIESC com o setor industrial revelou que 38,2% das empresas participantes notam desinteresse das novas gerações pela carreira na indústria. A partir de uma análise mais profunda dos dados do IBGE, percebe-se que isso não é uma particularidade do setor, mas há mudanças demográficas e no mercado de trabalho que também afetam segmentos como agricultura, comércio e serviços. Ainda há uma tendência de queda da população jovem, assim como do interesse pelo trabalho formal. 

Dados compilados pelo Observatório FIESC mostram que nos últimos 30 anos houve redução de 45% na participação de pessoas de 15 a 29 anos na agricultura, de 42% nos serviços, 36% na indústria e 31% no comércio. Em 1985, 57% dos trabalhadores da indústria tinham até 29 anos. Em 2017, esse percentual caiu para 36%. No ano de 2030, a previsão é que apenas 26% dos profissionais da indústria sejam da faixa etária de até 29 anos. Além disso, a pesquisa do IBGE destaca que as novas gerações se interessam por outras áreas, há aumento dos jovens empreendedores e um descompasso entre a busca e oferta de oportunidades de emprego.

Trabalho ideal: Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) pesquisou quais são as características do trabalho ideal para os jovens. O líder de citações foi o ambiente de trabalho amigável, seguido por bom salário, oportunidade para desenvolvimento de carreira, benefícios sociais, reconhecimento pelas conquistas, horário de trabalho flexível, férias remuneradas garantidas, tempo de deslocamento curto e acesso fácil ao local de trabalho, formação profissional contínua e presença de um sindicato. 

Quando perguntados sobre as mudanças tecnológicas, os jovens responderam que elas melhoram a comunicação, exigem reciclagem frequente, oferecem melhores oportunidades de emprego e reduzem a carga de trabalho. De outro lado, ressaltaram que as tecnologias tendem a gerar mais incertezas no campo profissional, há uma percepção de redução da importância do jovem no mercado de trabalho, assim como aumento das mudanças de emprego.  

Com informações da Fiesc



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