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Dermatologia e Psicologia: fusão da pele e mente

No mês da prevenção contra o suicídio, vamos comentar como as doenças de pele podem interferir negativamente na vida diária das pessoas

c14a735574b5849365ef8a52924e6c18.jpg Foto: Divulgação

No mês da prevenção contra o suicídio, vamos comentar como as doenças de pele podem interferir negativamente na vida diária das pessoas, causando transtornos psicológicos, preconceitos e até o isolamento social, com prejuízo à aparência física e autoestima.

 

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A noção de haver em todo ser humano algo, além do corpo físico, é bastante antiga, desde os nossos antepassados. Hoje, se sabe que o cérebro e a pele estão intimamente ligados, pois ambos são derivados da mesma camada embrionária durante a nossa formação - a ectoderme, e, portanto, existe uma complexa interação entre os sistemas neuroendócrino, imunológico e cutâneo, através da liberação de alguns mediadores químicos.

As enfermidades psicodermatológicas são doenças que envolvem a interação entre mente e pele, e a subespecialidade da psicodermatologia estuda estes transtornos, oferecendo-nos inúmeras contribuições para a sua terapêutica.

A pele é um órgão de comunicação e percepção visual. É o maior órgão de percepção desde o momento do nosso nascimento, tornando-se meio para o contato físico e para a transmissão de sensações físicas e emocionais. Capta os sinais do nosso mundo e recebe, também, os que chegam do ambiente externo, como o calor, frio etc. Exercendo o papel simbólico de proteção, ela é a nossa barreira cutânea, que é fator a mais a ressaltar no vínculo entre os distúrbios emocionais e as doenças de pele.  

A relação entre psique-pele desempenha um papel importante no processo de socialização desde a infância até a idade adulta. Envolve todos os elementos subjetivos presentes em nossa personalidade e que podem refletir na enfermidade cutânea. A pele é um órgão extremadamente reativo às emoções e pode expressá-las, como alegria, raiva, tristeza, angústia, irritabilidade, insegurança, nervosismo, fantasia, medo, vergonha e frustração.

Por ser um órgão acessível ao toque (ao alcance das mãos), algumas pessoas podem manifestar impulsos agressivos ou autodestrutivos na própria pele, quando estão emocionalmente abaladas por diferentes situações da vida, como, por exemplo, nervosismo por causa de uma prova, à espera de alguma resposta importante, problemas nos relacionamentos e no trabalho.

Vários estudos científicos apontam que o estresse pode causar ou agravar as doenças, como a psoríase, acne e queda de cabelo e vice-versa. 

Estima-se que em torno de 30 a 60% das enfermidades dermatológicas estejam relacionadas com transtornos psicológicos e psiquiátricos. Um problema psicológico subjacente pode causar e/ou exacerbar as queixas cutâneas. As principais doenças psicodermatológicas podem assim serem agrupadas: 

1) As dermatoses da gênese psicológico / psiquiátrico primário, que são responsáveis por doenças dermatológicas autoinduzidas. São elas: a dermatite artefata, tricotilomania, escoriações neuróticas e distúrbios dismórfico corporal. 

2) As dermatoses psicossomáticas, que possuem uma base multifatorial e estão sujeitas às  influências emocionais, são elas: psoríase, dermatite atópica, dermatite seborreica, alopecia areata, vitiligo, rosácea, acne (espinhas), formas crônicas de urticária, líquen simples crônico e a hiperidrose (suor excessivo).  

3) As doenças psicológicas / psiquiátricas secundárias à dermatoses, como depressão ou ansiedade, são vistos na alopecia areata, vitiligo, psoríase, entre outras.

O perfil de pacientes psicodermatológicos é bastante variado. Os principais problemas emocionais, devido às doenças de pele, incluem a vergonha, distorção da imagem corporal, ansiedade, depressão, isolamento social e a baixa autoestima. O impacto psicossocial depende de uma série de fatores, incluindo a história natural da doença em questão, características do paciente, traços de personalidade junto a situações da vida e o significado da doença na família e na cultura do paciente.

Embora a psicodermatologia ainda seja uma subespecialidade ignorada por alguns profissionais, a consciência das doenças psicodermatológicas está aumentando. Em face da permanente interação entre pele e mente, há uma grande necessidade de uma abordagem multidisciplinar, para obter uma maior efetividade nos tratamentos e melhorar a qualidade de vida do paciente, ajudando-o a lidar, principalmente, com a ansiedade, depressão e o estigma social inerente a sua doença.

Lembre-se que a sua pele sinaliza como anda a sua saúde emocional e física, por isso, a necessidade de prestar atenção ao que esse órgão revela. É fundamental cuidar e manter a mente e organismo saudáveis, para que a pele continue cumprindo sua função de proteção do corpo. “Mente e corpo em equilíbrio é sinônimo de pele limpa, bonita e saudável!”

- Dra. Cintia Prolo - Dermatologista (especialista em Pele, Cabelos e Unhas) e Clínica Médica (especialista em Doenças Internas de Adultos) - CRM-SC 20.887

- Dra. Patrícia Morena da Costa Buss - Psicóloga Clínica - CRP12/12634
Contatos: Instituto Integra Tel: 3380-4911 e Hospital e Maternidade Rio do Testo (HMRT) - Tel: 3395- 3892.



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