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Pomerodense Murilo Rauh conclui formação como Aspirante a Oficial Aviador e reforça a tradição da família na Força Aérea Brasileira (FAB)

cd69732e8c1636bd47b1b4ab3e0e83e2.jpg Foto: Arquivo pessoal

“O fato de ter a oportunidade e estar capacitado para defender ou apoiar o Brasil, em qualquer situação, é motivo de orgulho para mim e pretendo honrar essa confiança da população com todas as minhas forças”. A frase é do pomerodense Murilo Rauh, de 24 anos, recém-formado Aspirante a Oficial Aviador. Irmão de Betina Rauh, primeira mulher pomerodense a ingressar na Força Aérea Brasileira (FAB), Rauh é o mais novo membro da família a alcançar a patente.

 

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Porém, para chegar à glória de uma patente da FAB, muito esforço foi necessário. A decisão do pomerodense de ingressar na Força Aérea, surgiu a partir de um momento de dificuldade, quando ele não conseguiu aprovação no vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), para Engenharia Mecânica, em 2012.

“Eu fui aprovado no concurso da Escola Preparatória de Cadetes (EPCAr), então precisei tomar uma decisão, ou ficava um ano fazendo ‘cursinho’ para vestibulares de universidades federais ou ingressava na EPCAr. Minha família sempre me deu o maior suporte em educação, me matriculando logo no início do ensino fundamental em uma escola particular, o Doutor Blumenau. Eu tinha a ciência e acompanhava diariamente a dificuldade da minha mãe em despender grande parte do seu salário para a educação dos filhos. Eu senti que já era minha hora de cortar um pouco esse ‘cordão umbilical’, buscar o meu próprio sustento e a minha própria carreira”, relembra do Aspirante a Oficial Aviador. 

Então, apesar de já ter concluído o ensino médio, Rauh decidiu se matricular na EPCAr e iniciar novamente o ensino médio. A Escola Preparatória admite alunos que estejam entre a etária de 14 a 18 anos e oferece um ensino médio de qualidade elevadíssima, além de garantir na Academia da Força Aérea (AFA).

 

 

(Foto: Arquivo pessoal)

A formação na instituição tem a duração de três anos e oferece uma vaga direta para a AFA, sem a necessidade de se prestar o concurso, desde que o candidato seja considerado apto nos exames médico, físico e psicológico. 

“Na AFA, fui cadete por quatro anos, iniciei e conclui ensino superior em Administração e Ciências Aeronáuticas e também fiz o curso de Piloto Primário na aeronave T-25 e o curso de Piloto Básico na aeronave T-27. Além disso, em 2018 tive a oportunidade de realizar um intercâmbio de seis meses na United States Air Force Academy (Academia da Força Aérea Americana) em Colorado Springs nos Estados Unidos”, relata Rauh.

Mas estes anos de formação foram repletos de desafios, pois a formação militar, de acordo com o Aspirante, requer bastante de cada indivíduo. O início, segundo Rauh, é sempre mais complicado e exige certos comportamentos para se adaptar à vida de caserna, como a persistência e a disciplina. 

“Entretanto, tudo é possível quando se tem um objetivo em mente e o meu sempre foi a minha superação pessoal. Eu só iria desistir se me mandassem embora. O maior desafio que enfrentei, com certeza, foi a formação como piloto. Minha turma iniciou a atividade aérea com 155 aviadores e somente 78 conseguiram se formar. O principal motivo desta taxa de atrito de quase 50% foi devido à dificuldade em se atingir os níveis exigidos no curso primário da aeronave T-25. Em apenas 13 horas de instrução o piloto militar deve ser capaz de decolar o avião, voar por uma hora e pousar, tudo isso sozinho na aeronave. Muitos não atingiram os níveis exigidos e ficaram pelo caminho. Acompanhar diversos amigos que tinham o sonho de se tornar piloto irem embora também foi muito difícil”, pondera.

Além da força de vontade, Rauh destaca que a inspiração em exemplos da família e apoio destes, foram fundamentais para a sua conquista. “Meus irmãos sempre foram excelentes exemplos para mim. Quando decidi por ingressar na FAB, minha irmã estava concluindo o terceiro ano de formação na Academia da Força Aérea e já tinha passado por grande parte dos desafios de se ingressar na vida militar. Tive a oportunidade de acompanhar a batalha diária que ela vivenciava, principalmente no primeiro ano de formação. Independentemente da situação, a determinação da Betina sempre falava mais alto e ela conseguia atravessar qualquer obstáculo. Essa determinação foi uma inspiração enorme para mim. Não posso deixar de citar também o exemplo do meu tio, Claus Kilian Hardt, que foi o precursor desta tradição na minha família”, reconhece.

Para o Aspirante a Oficial Aviador, a família sempre foi, e será, a “válvula de escape”. Ele relata que sempre teve todo o apoio deles, em qualquer dificuldade que, porventura, enfrentava. “Na maioria das vezes, eles não sabiam muito como apoiar, porém o simples fato de eu saber que possuía pessoas torcendo por mim já era um incentivo muito forte, que me motivava a prosseguir”, frisa Rauh.

 

(Foto: Arquivo pessoal)

O recebimento da espada, em cerimônia realizada em 06 de dezembro, símbolo oficial das Forças Armadas, marcou o término dos sete anos de formação na FAB. O pomerodense admite que passou por diversas incertezas e dificuldades durante esses anos, mas, com o apoio da família e amigos conseguiu vencer cada obstáculo. 
A cerimônia de formatura, para Rauh, foi muito emocionante, pois todos os familiares e amigos que o acompanharam durante os anos de formação estavam presentes e possuem uma parcela gigantesca de “culpa” em sua conquista.

“Se não fosse por eles, nada daquilo teria sido possível. O fato do Presidente da República ter presidido a cerimônia, ter feito questão de descer do palanque, ficar debaixo da chuva, juntamente com os formandos, e conversado em particular com todos nós, nos parabenizando pela formatura, com certeza abrilhantou muito mais aquele momento único”.

O pomerodense admite que nunca teve o sonho de ser piloto, mas ao iniciar o curso, apaixonou-se pela profissão. Rauh declara que é gratificante e emocionante concluir o curso de pilotagem nas aeronaves T-25 e T-27 e receber a oportunidade de realizar voos solo. A FAB realiza diversas missões que sempre foram motivação para persistir, como por exemplo transporte de órgãos, a patrulha das fronteiras do país e apoio aéreo para qualquer tipo de necessidade, seja em caso de tragédias como nas enchentes de 2008 em Santa Catarina, seja para apoio humanitário como o transporte de mantimentos e medicamentos para as regiões mais necessitadas do Brasil e outros países.

“Por fim, gostaria de deixar uma breve mensagem para os pomerodenses. Independente da pessoa, o segredo da conquista é estabelecer metas e se manter fiel aos teus princípios. A vida por si só já irá colocar obstáculos no teu caminho, porém ela também fornece os meios para transpassar todos esses. Nada que é nobre é conquistado com facilidade e é o fato de ser difícil que torna a conquista tão incrível. Augen zu und durch”, finaliza.

 

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