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De um fim, a possibilidade de recomeços

Doação de órgãos é uma opção em casos de morte encefálica e pode representar uma nova vida para quem recebe um órgão por transplante

0006228e5a554374099cbb7968856941.jpg Foto: -Família de Rodrigo não teve dúvidas sobre a importância da doação de órgãosIsadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Aperda de uma pessoa querida é sempre um momento complicado. Mas, em alguns casos, a situação pode ter um lado bom, que traz esperança. A doação de órgãos, após o falecimento de alguém, pode ser a chance de um recomeço para alguma outra pessoa, em qualquer lugar do país. E foi este pensamento que possibilitou à família Karling adotar um gesto de solidariedade.

Após o falecimento do filho mais velho, Rodrigo, em dezembro de 2018, os pais Neidi e Mario Luis Karling autorizaram a doação dos órgãos do jovem. Os pais relatam que, mesmo no momento de tristeza, não tiveram dúvidas em autorizar a doação.

“A enfermeira responsável informou que, depois do falecimento, poderíamos ajudar oito pessoas. Então, conversamos entre nós, no hospital, ainda, e decidimos dar nossa autorização. Destas oito pessoas que poderiam ser beneficiadas, quatro foram compatíveis”, relata o pai de Rodrigo.

Após a autorização e os testes de compatibilidade, foram encontrados receptores para as córneas, fígado e rim, que deram uma nova chance a quatro pessoas. Para Mario e Neidi, poder ajudar estas pessoas, trouxe um alento para o sofrimento. 

“Ficamos orgulhosos e, também, felizes, por saber que, em algum local, parte dele está viva nestas outras pessoas. Não pudemos saber quem foram estas pessoas, por questões de sigilo, mas já é muito gratificante saber que conseguimos ajudar a salvar a vida de outras pessoas”, ressaltam.

 

Ficamos orgulhosos e, também, felizes, por saber que, em algum local, parte dele está viva nestas outras pessoas.

 

A irmã de Rodrigo, Pamela Karling, destaca que não é uma decisão difícil de ser tomada, pois significa poder fazer o bem a outras pessoas. “Não foi difícil decidir por isso, porque poderíamos ajudar outras pessoas. Não havia porque não ajudar. Se fosse alguém da família, nós iríamos desejar que alguém tivesse este mesmo pensamento”, pondera.

A família destaca, ainda, que deseja toda a felicidade do mundo para quem foi contemplado com a doação, mesmo que não os conheçam. “Para quem recebeu estes órgãos, desejamos que sejam felizes, aproveitando esta nova oportunidade, essa chance nova de viver. E se alguém passar pela mesma situação que nós enfrentamos e tiver a possibilidade de autorizar a doação, que não tenha dúvidas em ajudar, pois nós nunca podemos saber como será o dia de amanhã e há muitas pessoas que precisam”, frisa a família Karling.

A coordenadora de enfermagem da Comissão Hospitalar de Transplantes, Gisélia Theiss, explica que, antes da possibilidade da doação e do transplante, é necessário que seja definido o diagnóstico de morte encefálica e estabelecido o diálogo com a família.

“Tudo começa com o diagnóstico preciso. Desde o início, é conversado com a família, sobre a possibilidade de ser constatado o falecimento. Então, são realizados três exames para termos este diagnóstico, e em cada uma destas etapas, mantemos a conversa próxima dos familiares. Caso venha a confirmação do óbito por parte do médico, a equipe de enfermagem entra em cena, para passar toda a orientação à família, primeiramente, sobre questões como velório”, esclarece Gisélia.

 

 

Só depois é exposta a possibilidade da doação de órgãos. Então, é preenchido um termo de autorização. No caso de doadores maiores de 18 anos, é necessária autorização de parentes de 1º ou 2º grau. Se o doador for menor, o pai e a mãe devem assinar o termo. “Posteriormente, encaminhamos este termo para a Central de Transplantes, em Florianópolis, que realiza a avaliação do prontuário do doador e das pessoas que estão da fila de espera, analisando estrutura física, tipo sanguíneo e gravidade do caso do possível receptor. Caso haja compatibilidade de órgãos, iniciamos os procedimentos para o transplante”, afirma.

 

Capital estadual dos transplantes

Por proposição do deputado Ricardo Alba (PSL), Blumenau já é a Capital Estadual dos Transplantes de Órgãos. O título reconhece o trabalho de instituições e profissionais da medicina de Blumenau, além de propiciar ao município mais visibilidade e respeito em Brasília, junto aos órgãos federais da saúde, podendo, até mesmo, facilitar investimentos internacionais na área para a cidade. 

Ao defender a própria iniciativa, Alba ressaltou o trabalho do Hospital Santa Isabel e da Associação Renal Vida. O reconhecimento foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa do Estado, no dia 21 de agosto.

“Transplante de órgãos é assunto muito sério, pois trata de salvar vidas”, acentua o deputado, ao ressaltar que toda abordagem sobre o tema ainda chama a atenção para a doação de órgãos, na qual, Santa Catarina é um exemplo. O título pode ser muito mais do que um designativo, ele pode potencializar a importância da cidade neste quesito junto aos organismos financiadores da saúde e colaborar na melhora da qualidade de vida das pessoas”, conclui Alba.

 

Referência nacional

Santa Catarina é um dos estados com melhor índice de doação de órgãos e realização de transplantes. Grande parte deste reconhecimento é devido ao Hospital Santa Isabel, uma das referências nacionais em questão de transplantes. O local realizou o seu primeiro transplante em 1980 e, desde então, aperfeiçoou o trabalho. Em 2015, ultrapassou a marca de 1.000 transplantes renais; em 2016, atingiu a marca de 1.000 transplantes hepáticos, ano em que foi o que mais realizou transplantes de fígado no país.

No ano de 2017, foi considerado o melhor hospital transplantador do estado e, em 2018, ficou entre os cinco hospitais que obtiveram os melhores resultados na doação de órgãos em Santa Catarina. 

Em todo o estado, foram realizados 788 transplantes, de janeiro a julho deste ano. Destes, 116 foram no Hospital Santa Isabel. Houve 336 casos de morte encefálica e, destes, 171 possibilitaram doações de órgãos, um percentual de 51% de efetivação. O Vale do Itajaí é o que possui a melhor relação notificação X doação. Também nos sete primeiros meses do ano, foram 45 notificações às famílias de morte encefálica e a consulta para doação. Destas, 28 foram efetivadas.

 

(Foto: Letícia Venera / Hospital Santa Isabel)

Até julho deste ano, 598 pessoas estavam na Lista de Espera por um transplante em SC. No ano passado, eram 614 pessoas na espera por um transplante. Já no Brasil, o total chega a 44.464 pessoas.

Em média, um doador salva cinco pacientes, com rins, fígado e córneas, mas esse número pode ser maior: doando, também, pulmões, pâncreas, intestino e coração, uma pessoa salva 10. O transplante de córneas é atualmente o segundo mais realizado no Estado, ficando atrás apenas do rim, que pode ser feito com doação em vida. Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos EUA.

Para ser um doador, basta conversar com sua família sobre o seu desejo de ser doador e deixar claro que eles, seus familiares, devem autorizar a doação de órgãos.

 

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