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Como o excesso de tecnologia afeta a saúde mental das crianças e adolescentes?

O excesso de tecnologia está sendo uma das maiores preocupações da saúde pública, isso porque esse problema pode atrapalhar o desenvolvimento infanto-juvenil e comprometer a saúde mental de crianças e adolescentes

f2b4b5914bde1f54f4b38f2af57dab07.jpg Foto: Divulgação

Nos pontos de ônibus, nas saídas da escola, no ônibus, no carro, na fila do supermercado, no restaurante, na bicicleta, na roda de amigos e até no trabalho ou dentro da sala de aula. O Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, é o quarto maior volume do mundo. O excesso de tecnologia está sendo uma das maiores preocupações da saúde pública, isso porque esse problema pode atrapalhar o desenvolvimento infanto-juvenil e comprometer a saúde mental de crianças e adolescentes.

 

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O vício em Games já foi inserido na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) como um Distúrbio Mental. Esse fato alerta que é preciso priorizar ações educativas visando o controle sobre o uso excessivo de eletrônicos na era digital.

Por isto é preciso atentar de que maneira esta tecnologia está entrando nas vidas das crianças e adolescentes – e porque não dizer dos adultos também?

A dependência do “gadget” (dispositivos eletrônicos portáveis), usados menos para fazer ligações do que para ler notícias, interagir nas redes sociais, jogar e assistir a vídeos tem até um nome: nomofobia (sensação de medo ou agonia de ficar longe ou incomunicável sem seu aparelho celular ou computador).

Pesquisas já mostram que os adolescentes dependentes de celulares exibem níveis mais significativos de depressão, ansiedade, insônia e impulsividade.

É claro que a tecnologia também tem seu lado bom! Com ela reencontramos amigos, conversamos com pessoas distantes, podemos planejar viagens e comprar produtos pela internet, otimizamos o tempo, flexibilizamos o trabalho, aumentamos as fontes de pesquisas para trabalhos e estudos e muito mais.

A grande questão é saber dosar a quantidade certa de acesso, assim como não transformar a tecnologia em uma ferramenta que substitua momentos em família ou amigos e intervenções importantes (como sentar e conversar sobre determinado assunto ou acontecimento) na infância e adolescência.

Às vezes é mais fácil e rápido deixar o eletrônico servir como “babá” ou “cuidador” do que parar, sentar ou conversar e saber como a criança/ adolescente está se sentindo na escola ou em outros perfis da sua vida. 

Está se perdendo este espaço de comunicação e mediação que são importantes para formar bases firmes e saudáveis junto com o ensinar a lidar com possíveis situações e sentimentos que podem estar acontecendo ou que poderão acontecer no futuro. 

A questão principal das tecnologias é saber o que a criança/adolescente está tendo acesso, com quem está falando, o que está assistindo ou se está tendo acesso a sites e materiais que não fazem parte de uma educação saudável, familiar e até sexual. Estes são os perigos do livre acesso! 

Sem perceber e aparentemente inofensivas, algumas redes sociais como o Facebook, Instagram e Twiter colocam crianças, adolescentes e até adultos em situações de empasse e sofrimento por mostrarem na grande maioria do tempo uma felicidade completa, irreal e momentânea, podendo trazer uma situação de comparação (seja do corpo ou quantidade de amigos) o tempo todo a partir da quantidade de curtidas, de “likes” ou visualizações. Situações assim são um perigo para crianças que já tem problemas com auto estima podem gerar níveis de ansiedade, depressão, e até casos como auto mutilação. 

Outro malefício do uso excessivo, principalmente à noite está relacionado a qualidade do sono. Celulares e tablets antes de dormir afetam o sono,hormônios e o desenvolvimento infantil. Crianças que tem acesso a eletrônicos como celulares e tablets pelo menos 2 horas antes de dormir estão sujeitas a desenvolver uma série de problemas de comportamento e de saúde, como obesidade e depressão infantil. 

Neste caso tirar o celular ou tablet do quarto é o ideal, pois o fato deste objeto estar no mesmo ambiente cria um estado de alerta e a expectativa de receber mensagens nas mídias sociais, o que a longo prazo pode gerar insônia, e o cérebro pode condicionar-se e associar o ambiente de dormir como um lugar de vigília, e não de descanso.

É importante atentar para isto, pois o sono é muito fundamental na fase do desenvolvimento, pois há uma série de processamentos e a fabricação de hormônios importantes para o corpo, como o hormônio do crescimento. 

E como saber quando um menor torna-se dependente da tecnologia?

É importante perceber quando a criança/adolescente deixa constantemente de fazer outras atividades novas ou que gostava ou quando não quer interagir com outras pessoas para ficar neste mundo virtual. 

 O Caps de Pomerode teve um aumento significativo no número de atendimentos de crianças e adolescentes! Assim como escolas do municípios estão com casos de crianças que estão se mutilando. Precisamos enxergar nossas crianças e adolescentes em suas essências, seus desejos, suas dúvidas e empasses.

A proibição do uso do eletrônico como forma de punição quando se está em um estado de dependência desta tecnologia pode desencadear um quadro de ansiedade, depressão e um sofrimento pelo fato da criança/adolescente sentir-se de fora de tudo que está acontecendo neste mundo paralelo em que faz parte.

Algumas dicas para uma vida virtual mais saudável:
• Ter uma rotina diária (primeiro tarefas, compromisso de casa e depois possibilitar o acesso com um tempo limitado)
• Limitar o tempo de permanência no tablet ou celular;
• Ficar sem ter acesso ao celular ou tablet pelo menos 2 horas antes de dormir;
• Ter mais momentos junto à natureza e em família;
• Os pais devem sempre buscar acordos e condições junto com a criança/adolescente para o uso e o limite de tempo;
• Garantir que as crianças/adolescentes tenham outras opções quando não estiverem com o celular (brinquedos, livros, lazer);
• Quando estiverem com o celular/tablet ficar atento para o que estão tendo acesso, o que estão assistindo e com quem estão falando. 
• Cuidar com a quantidade e qualidade do sono. (importante que crianças e adolescentes tenham pelo menos 8 horas de sono).

Deixar de usar esta tecnologia que está no dia a dia, como nas escolas (que conseguem fazer aulas mais dinâmicas e interessantes), cursos, ambientes sociais e na própria casa é inevitável e até ruim, pois estaríamos criando crianças alienadas. O importante é encontrar o meio termo!   Pois muito do que é vivenciado nesta fase irá influenciar na formação da personalidade das crianças e adolescentes.  Esteja conectado também na vida real!

Dra. Patrícia Morena da Costa Buss, psicóloga que atende no Instituto Integra



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Créditos: BBC Brasil
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