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As diferentes dores de cabeça

Quando devemos nos preocupar? A resposta é sempre. Não há nenhuma dor que seja normal, dor é um mecanismo que o seu corpo tem de mostrar que algo está errado

7906a6183f9023c8cf9e731d1a4b9ff8.jpg Foto: Divulgação

Sentir dor de cabeça é algo que praticamente todos nós já experimentamos pelo menos uma vez na vida. Algumas pessoas têm este sintoma de forma persistente e outras apenas de vez quando. Mas então quando devemos nos preocupar? A resposta é sempre. Não há nenhuma dor que seja normal, dor é um mecanismo que o seu corpo tem de mostrar que algo está errado. Isto não quer dizer que todas as dores de cabeça estão relacionadas com doenças graves, mas sim que, se você sente dor, há algo em desequilíbrio no seu organismo.

As dores de cabeça, ou cefaleias, podem representar a própria doença em si, ou seja, não há outra causa subjacente. Esses tipos de cefaleia são chamadas de dores primárias.  As cefaleias primárias são bastante comuns e podem estar ligadas a fatores genéticos, hormonais, ambientais e alimentares. 

Dentre as cefaleias primárias, as mais prevalentes são as do tipo tensional e do tipo enxaqueca ou migrânea. Apesar da menor frequência é importante o reconhecimento de outros padrões de dor como a cefaleia em salvas, que apresenta grande intensidade e tratamento diferenciado.

 A cefaleia tensional acomete ambos os gêneros na mesma frequência, podendo se manifestar em qualquer idade sendo mais comum em adolescentes e adultos. Geralmente a dor acomete os dois lados da cabeça simultaneamente, com sensação de aperto, a intensidade é de leve a moderada e o tempo de duração pode ser entre 30 minutos até sete dias. O desencadeador mais relevante é o estresse. Costuma ceder com analgésicos simples ou anti-inflamatórios. Porém, o uso desses medicamentos não é recomendado por tempo prolongado, pois isso pode levar a cefaleia de rebote, ocorrendo o retorno da dor logo após o término do efeito da medicação, transformando uma dor que era eventual em crônica.

A cefaleia do tipo enxaqueca predomina no gênero feminino, usualmente se manifesta como dor hemicraniana alternante (dor em apenas um lado da cabeça, podendo ser às vezes à direita, às vezes à esquerda). Sua intensidade é de moderada a grave, em muitos pacientes cursa com náuseas, vômitos, dificuldade em tolerar barulhos, intolerância a ambientes iluminados ou até mesmo a tela do computador ou celular. Pode ser desencadeada por diversos alimentos entre eles o queijo, o chocolate, as frituras, ingestão de bebidas alcóolicas, privação de sono ou exposição a odores fortes. Esta dor tem forte ligação genética, sendo comum acometer mais de um membro da família. O pico de incidência é durante a adolescência e em adultos jovens, tendendo a melhorar com o avançar da idade.

O uso de analgésicos comuns nem sempre é eficaz sendo necessário, muitas vezes, outros medicamentos abortivos como anti-inflamatórios, triptanos, derivados de ergotamina ou corticoides. O uso indiscriminado destas medicações deve ser evitado, pois os derivados de ergotamina não devem ser misturados com triptanos sob o risco de infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

Algumas pessoas relatam aura visual, isto é, uma alteração no campo visual que ocorre antes do início da dor, a descrição são pontos luminosos ou escuros e até mesmo perda momentânea da visão.  A aura pode se manifestar como sintomas sensitivos (formigamentos, dormências) ou dificuldades na fala. A duração é de cinco minutos há uma hora. Pacientes com enxaqueca com aura devem informar sempre seus médicos de sua condição pois se houver necessidade de tratamentos com o uso de hormônios, por exemplo, anticoncepcionais, estes devem ser contraindicados na maior parte dos casos e seu uso se necessário deve ser avaliado com cautela.

As cefaleias em salva são mais frequentes no gênero masculino, caracterizadas por dor em apenas um lado da cabeça, associada a sintomas como lacrimejamento, coriza nasal, alterações no tamanho da pupila do lado acometido, dor de muito forte intensidade, com duração de 15 minutos a três horas, no momento da crise apresenta melhora dramática com uso de oxigênio sendo muitas vezes desencadeada pelo consumo de bebida alcóolica.

Em casos onde se observam prejuízos significativos decorrentes da recorrência e/ou intensidade das dores pode ser instituído o tratamento profilático da dor. Este tratamento visa o bloqueio do sintoma doloroso e reduz o risco de abuso das medicações analgésicas e anti-inflamatórias.

O outro grupo de cefaleias são chamadas de secundárias, isso quer dizer que são um sintoma causado por outras doenças. Não necessariamente as doenças que se manifestam com dor serão malignas, porém há algumas causas que, se não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem levar ao óbito. São exemplos de dor secundária à sinusite, as dores orofaciais, neuralgia do nervo trigêmeo, tumores, aneurismas cerebrais, abscessos, meningite entre outros.

 Existem alguns dados que sugerem que a cefaleia possa ter origem secundária e devem sempre serem avaliadas por um neurologista.

São sinais de alarme:

Cefaleia de início recente e persistente

Cefaleia de início súbito

Dor que se inicia após esforço físico (exercícios, relação sexual)

Dor que se inicia após os 50 anos de idade

Dor que o acorda no meio da noite

Dor que se inicia a depender da posição da cabeça 

Dor que está presente há muito tempo, porém está se apresentando de forma diferente seja na localização, intensidade, frequência ou não está cedendo com as medicações que antes faziam efeito.

Dor associada a febre, ou manchas na pele, ou picos hipertensivos, ou a perdas de consciência ou a crises convulsivas 

Dores que surgiram após traumatismo craniano 

Dor em pacientes com histórico de câncer ou HIV

Se você tem dores frequentes ou se encaixa em alguns desses critérios, agende uma avaliação com um médico neurologista, o diagnóstico e tratamento corretos resultam em diminuição da dor com melhora da qualidade de vida e também evitam complicações futuras.

Dra. Brunna Nicole G. V. Pereira 
Neurologista / CRM-SC 26187



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