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Aprendendo a falar desde cedo

O que é linguagem? Será que linguagem é só fala? Mas se é só fala, como um bebê se faz entender?

f50b8e29026bc01d92d11a52b6c99a04.jpg Foto: Divulgação

O que é linguagem? Será que linguagem é só fala? Mas se é só fala, como um bebê se faz entender? Como se nem eu mesma dizer que estou triste, alguém me pergunta o que tenho?

Para esclarecer isto basta começarmos a entender que estamos envoltos a linguagem, estamos cercados, mergulhados de linguagem por todos os lados!
Quer dizer que nascemos nos comunicando? Sim, nascemos nos comunicando! Não existem mães que conhecem o choro da comida, o choro da fralda suja, o choro de querer colo? Então a criança não precisa ser estimulada, naturalmente ela vai se comunicar? Aí começam os nossos probleminhas de linguagem.

A criança sabe se comunicar, mas ela desconhece a linguagem padrão utilizada por sua comunidade. Todos nós nascemos sabendo falar inglês, espanhol, italiano?

Precisamos ser ensinados, não é verdade? Com a criança ocorre o mesmo, ela precisa de alguém que apresente o mundo para ela. Ela não sabe que a água que recebe de sua mãe em um copo se chama água, então ela faz “ÃÔ para água, e a mãe lhe dá, sem refazer a palavra dizendo água, a criança passa a entender que “ÃÔ é a palavra utilizada para o objeto que ela quer.

Pecamos, também, quando impedimos que ela a criança fale, respondendo a gestos como acenos, apontar. Temos que colocar os sons que a criança fala dentro da matriz de significações. O que é isso? É o local onde são guardados todos os significados, um interligado ao outro, originados das vivências das crianças. Por isso as crianças aprendem palavras diferentes umas das outras, em ordem diferenciada.

Para que a criança adquira a linguagem é necessário que se fale com ela, que se aprenda a ouví-la e a considere um verdadeiro interlocutor. A fala é muito complexa, nós temos uma ordem gramatical para seguir (a sintaxe), uma palavra pode ter dois significados em contextos diferentes (a semântica), ela é formada de uma imensidão de sílabas (morfologia), que ainda se subdivide em sons minúsculos e muito parecidos (Fonologia).

Mamãe e papai, vocês estão vendo como o seu filho tem que ser inteligente para não perder nenhuma dessas informações e como é fundamental o seu papel durante o processo de aquisição de linguagem? E como vou saber se o meu filho não possui problemas de linguagem? Com que idade a criança deve estar falando?

Inicialmente, o bebê vai emitir vários sons indiferenciados, esses sons vão passando a ser reconhecidos pela mãe como sons de desconforto, frio, fome, mais ou menos na quarta semana de vida, o que permite identificar vários tipos de choro.

A partir do segundo, terceiro mês, começa o jogo de consoantes, no sexto e sétimo mês o bebê começa a repetir o que escuta, aqui o bebê está passando a entender o significado da linguagem.

No nono mês a criança está mais aberta a linguagem. No décimo mês surgem as primeiras palavras (às vezes podem não ser percebidas por não parecerem com uma palavra real). A partir do uso é que palavra vai passando a ter significado no contexto.

Já aos 18 meses, a criança tem um vocabulário de 24 palavras, aqui surgem as primeiras sentenças (combinação de duas palavras), durante o segundo ano de vida ocorre um grande desenvolvimento. Por volta do terceiro ano, a criança pode ter um vocabulário de 200, 300 palavras.

Espera-se que por volta do quarto ano a criança esteja com o quadro fonêmico completo. Os primeiros sons produzidos são: /a/, /e/; em seguida surgem os guturais /k/, /g/ e /R/(de rato); a medida que ocorre dissociação de lábios e língua surgem os fonemas anteriores /p/, /b/, /m/, /t/, /d/, em seguida os fricativos /f/, /v/, /s/, /z/, /x/, /j/ e por fim os líquidos /l/, /lh/, /r/ (de barata).

Algumas dicas devem ser seguidas a partir do nono mês, para evitar-se problemas de linguagem: aumentar as verbalizações; nomear partes do corpo da família; usar padrões corretos da fala; não usar diminutivo, as palavras ficam mais compridas e difíceis; usar palavras fáceis e frases curtas; verbalizar gestos das crianças, nomeando objetos antes de entrega-los; não solicite (de forma insistente) que a criança fale algo que só sabe mostrar; induza a falar em contextos significativos; imite barulhos de animais, objetos.

Se você tem dúvidas se o desenvolvimento da fala e da linguagem do seu filho ou filha está adequado ou não, não hesite em procurar um especialista para realizar uma avaliação fonoaudiológica. Fique atento!

Fonoaudióloga Vanessa Carla Hoepers Ribeiro 
CRFa 3/7554
Instituto Integra



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Créditos: Divulgação / Instituto Integra
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