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A visita da alegria

Voluntários do Projeto Sorriso, há seis anos, levam às pessoas internadas no HMRT risos e alegria

41493e82606a8436325604074272e1c3.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Há um provérbio português muito conhecido, o qual afirma que “rir é o melhor remédio”. E tem um projeto em Pomerode que aplica exatamente o que prega esta frase de sabedoria.

 

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O Projeto Sorriso, como o próprio nome já sugere, tem o objetivo de levar a alegria a pessoas que estão passando por um momento difícil, ou que enfrentam, diariamente, a solidão. A iniciativa foi criada em Blumenau, no ano de 2005, por dois acadêmicos do curso de medicina, e chegou a Pomerode oito anos depois, na época, com uma única voluntária, que hoje é coordenadora do projeto em nossa cidade: Tânia Luize Weh. 

Com a adesão de outra voluntária em 2014, começaram as ações no Hospital e Maternidade Rio do Testo, uma vez que o Projeto já era conhecido na instituição, já que os voluntários blumenauenses vinham uma vez por mês e visitavam ora o HMRT, ora o Centro de Convivência Pommernheim. Estes dois locais, a partir daquele ano, passaram a receber as visitas animadas do Projeto Sorriso Pomerode.

Atualmente, são 20 voluntários engajados no projeto, que se revezam nas visitas aos locais assistidos pelo Projeto Sorriso. Quatro vezes por semana, os doutores da alegria, como se intitulam, vão ao HMRT e visitam os pacientes internados na instituição. Estas visitas duram cerca de duas horas. 

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

“Temos o cuidado de buscar informações sobre os pacientes, para termos ideia da situação e se há algum quarto que não seja indicada a visita. Cada equipe é dividida em trios ou duplas. Os voluntários interagem, também, com acompanhantes, cuidadores, visitantes, funcionários, técnicos em enfermagem e equipe médica. A todos levamos alegria, um sorriso, um olhar”, explica a coordenadora do projeto em Pomerode.

Os médicos-palhaço, identificação utilizada pelos voluntários, formados na arte da “Besteirologia”, têm a missão de alegrar o ambiente e o deixar mais leve, uma vez que ninguém gosta adoecer e ficar internado. “Nosso trabalho procura descontrair as pessoas, levando-as ao riso. Ele faz o corpo produzir endorfina e, com isso, traz uma melhora no estado geral de quem está internado. Por isso, interagimos com quem estiver lá, para que todos se beneficiem”, acrescenta Tânia, também conhecida como doutora Naninha.

Melaine Jandre, a Dra. Pipiadinha, é voluntária do Projeto Sorriso desde março de 2018 e comenta que poder fazer o bem a outras pessoas é uma sensação indescritível. “Sempre temos algo especial dentro de nós e eu senti a necessidade de dividir esse amor que tinha dentro de mim. Por isso procurei o projeto, principalmente, para mostrar que somos irmãos e precisamos uns dos outros”, destaca.

A doutora da alegria também revela que o seu nome “artístico” é uma homenagem a alguém muito especial. “O meu nome, doutora Pipiadinha, surgiu por causa da minha filha. Faz alguns anos que eu a tive e o seu nome era Pietra. Depois que ela partiu, senti a necessidade de fazer essa homenagem, sendo a doutora Pipiadinha”, conta.

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Voluntário desse abril de 2019, Artur Gewehr, o doutor Espingarda, comenta que entrou no projeto para desafiar a si mesmo, buscando levar o bem a outras pessoas. “O que me motivou mais foi poder descobrir o meu limite, ajudar o próximo até o meu limite. Estar em contato com as pessoas aqui no Hospital, primeiro significa o agradecimento em poder interagir com os pacientes, familiares, funcionários, porque eles têm essa carga e é muito bom poder ajudá-los também”, revela.

Nossa equipe acompanhou a visita do Projeto Sorriso ao HMRT no dia 02 de outubro, com os doutores Naninha, Pipiadinha e Espingarda, enquanto visitavam os recém-nascidos e suas famílias, na maternidade.

 

Em uma destas visitas, conhecemos os papais Jean Carlos Rodrigues e Fabiana Conceição Rodrigues, que conheceram o filho caçula Augusto naquele mesmo dia. O pai, que trabalha como analista de sistemas, afirma que a visita dos voluntários trouxe boas risadas à família.

 

Voluntários com o Augusto, que nasceu no dia da visita. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

“Foi muito gratificante o momento do nascimento do Augusto. É uma experiência única, apesar dos sustos, deu tudo certo. Resumindo, é um momento de muito amor. E por isso foi muito legal ter a visita deles, foi engraçado e eu acho que todos gostaram, pois animou muito o quarto, depois desse momento de tensão e emoção do nascimento”, disse o analista de sistemas.

 

Atuação dos doutores da alegria

O clown (palhaço) deve respeitar a vontade de cada pessoa que encontrar, durante sua visita. Tudo deve ser cuidadosamente observado. Os voluntários buscam, por meio do olhar das pessoas, perceberem se serão bem vindos e, para isso, é necessário treinamento.

Tudo começa com uma seleção que, em Pomerode, dura em média três meses. Nesse período, o candidato conhece mais a fundo o que é o Projeto Sorriso, faz parte de algumas visitas monitoradas. Também é avaliado se o candidato, nesse período, desperta o clown, o palhaço. O comprometimento também é uma das chaves, pois as visitas são semanais e há, ainda, os treinamentos, encontro e reuniões.

“Um voluntário jamais inicia suas atividades no projeto sem acompanhamento de veteranos, que o orientam. A maioria dos pacientes nos recebem com muita espontaneidade e alegria e esta é a deixa para que o clown trabalhe suas habilidades e consiga o riso”, ressalta Tânia.

Para a primeira voluntária pomerodense engajada no projeto, o ponto que mais a encanta é a troca de experiências e de energia durante uma visita. “A sensação é a melhor possível, pois tudo é troca. É sempre um caminho de duas vias, você dá, você recebe. Para o voluntário do Projeto Sorriso, o sorriso que recebemos é o mais lindo retorno. A energia que uma pessoa desprende ao sorrir para o palhaço que se desdobra para divertir é maravilhosa, fortifica nossa certeza de que é ali que queremos estar. Não existe valor monetário que pague esses momentos lindos”, declara.

 

Onde o Projeto atua

O Projeto Sorriso envolve-se em ações que sejam movidas por entidades que prestam serviços à comunidade, como hospitais, asilos, Apae’s, Centros de Hemodiálise, Associações voluntárias, bem como, auxilia em pedágios, bingos beneficentes e outros eventos

Os voluntários também levam alegria aos idosos do Pommernheim, tendo um trabalho diferenciado, por se tratar de uma realidade diferente. Ali, entre os “opas e omas”, além de levar alegria, os médicos-palhaços preenchem esse tempo com carinho e afeto. 

No total, o Projeto possui, hoje, cinco núcleos, em Blumenau (2005), Gaspar (2010), Pomerode (2014), Timbó (2017) e Ibirama (2018). São abertas vagas para novos voluntários, pelo menos, uma vez por ano e estas sempre são limitadas.

Em novembro, o grupo estará abrindo vagas através das páginas do Projeto no Facebook e no Instagram, por meio das quais também é possível acompanhar o trabalho dos voluntários, nas diversas instituições. 

 

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