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A história por trás de uma pedra

Morador de Pomerode é colecionador de artefatos que encontra na natureza e envia peças para estudos de grandes universidades do País

e013689b08fec499076e8f2a92f00b4c.jpg Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode

Colecionar. Um hobby que, geralmente, demanda muita paixão e dedicação de um colecionador que deseja manter um acervo rico, sempre com um objetivo: nunca deixar que a história morra. E, um morador de Pomerode leva muito a sério esta atividade, além de, simplesmente, resgatar e guardar um objeto que possa ter um valor histórico muito rico, faz questão de emprestar os seus achados para pesquisas de grandes universidades brasileiras.

 

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Pedro Cardozo, 75 anos, cursou até o Ensino Médio, mas sempre procurou saber sobre a história, principalmente, na parte geográfica, onde sempre teve muita curiosidade em relação à formação da Terra. Em uma viagem a Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, encontrou fragmentos que saltaram aos seus olhos, durante uma caminhada pela cidade. Ele resolveu guardar e enviar um pedaço desse artefato para a Universidade de São Paulo (USP), já que o aposentado havia ficado muito curioso com as características diferenciadas daquela pedra.

E, após um tempo, recebeu a resposta da universidade. O professor Antonio Carlos Rocha Campos, especialista em Ciências da Terra, estudou a pedra e fez um diagnóstico sobre a origem do artefato. Chegou-se à conclusão de que aquele simples pedaço de pedra tinha mais de 50 mil anos de existência, sendo um lenho fóssil. De acordo com o especialista, o espécime pode ter vindo da formação de um rio da região.

 

Carta da USP, enviada pelo professor especialista. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

“É uma coisa que a gente fica muito satisfeito de saber, que na natureza temos tantas coisas boas e muitas pessoas não dão valor para isso. Eu terminei o Ensino Médio apenas, mas acho muito importante, quando se descobre esse tipo de coisa, é importante mostrar para os jovens, na escola, como a natureza pode ser tão rica nesta questão da história”, comenta, emocionado, o aposentado.

 

O professor de ciências Marcos Wegher, comenta que o fóssil pode ter uma idade muito maior do que 50 mil anos, podendo chegar a ser milenar. Ele explica que o Brasil, por já ter sido uma região cercada de vulcões, em muitas erupções, a lava que saía acabava passando por cima das florestas e algumas das árvores acabavam se petrificando, como se fosse uma espécie de carvão. Com o tempo, alguns pedaços dessas árvores ainda podem ser encontrados na natureza, porém, com pouca facilidade.

Cardozo, além do fóssil encontrado em Pouso Redondo, já se deparou com outros artefatos curiosos em viagens, mas faz questão de enviar para as universidades, afim de encontrar novas descobertas. O aposentado também empresta alguns de seus achados para professores de escolas pomerodenses, que mostram aos seus alunos os itens resgatados durante viagens e pesquisas. 

 

Exemplo para os alunos

A ideia de levar os artefatos para as escolas chamou a atenção do professor de ciências Marcos Wegher. Na aula de geologia, para os sextos anos, ele e Cardozo já fizeram uma aula conjunta para explicar e mostrar para as crianças as peças que o aposentado guarda, para mostrar a essa geração. Além disso, Wegher comenta que já havia dado aula para sua neta e, em homenagem ao professor, Cardozo resolveu o presentear com uma pedra guardada pelo profissional da educação.

“Tenho esse presente guardado há anos, em casa. É muito gratificante e não tem preço ver uma pessoa engajada com os estudos das crianças e comprometida como desenvolvimento de pesquisas e estudos pelo Brasil a fora. E, quando levo essas pedras para as crianças darem uma olhada, elas ficam muito curiosas e começam a fazer perguntas sobre o desenvolvimento da Terra”, afirma o professor. 

 

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