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Jornal de Pomerode

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A esperança de um recomeço

Associação Renal Vida possibilita aos pacientes do SUS uma chance de realizar a hemodiálise, para continuar tendo esperanças de uma vida melhor

9fd3c02192168e5d7b43901d5170d922.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

A chance de viver, ligada a uma máquina. Este pode ser um resumo da realidade dos pacientes que possuem algum tipo de comorbidade relacionada ao funcionamento dos rins e que, por isso, precisa passar por um tratamento conhecido como hemodiálise. Este, consiste em um aparelho que é ligado ao paciente e que realiza a função que, normalmente, seria do rim, de filtrar a corrente sanguínea.

E para atender os pacientes que necessitam deste tratamento, existe a Associação Renal Vida, uma instituição sem fins lucrativos, que atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) para a realização de procedimentos de Terapia Renal Substitutiva. A Renal Vida tem sedes em Blumenau, Itajaí, Rio do Sul e Timbó.

Esta última é localizada junto ao Hospital Oase e atende, também, os municípios de Apiúna, Ascurra, Benedito Novo, Doutor Pedrinho, Indaial, Pomerode, Rio dos Cedros e Rodeio. Somados os pacientes de cada município, a unidade de Timbó chega a atender 84 pessoas, o que representa a taxa máxima de lotação que a unidade tem a capacidade de atender.

Uma destas pacientes é a pomerodense Nelci Jukolski, de 42 anos, que vai à Renal Vida realizar o procedimento da hemodiálise. No dia 11 deste mês, ela completará 11 meses realizando o tratamento. “Eu tive o diagnóstico da insuficiência renal há 12 anos, depois de todos os tratamentos contra um câncer de útero. Porém, foi só recentemente que precisei começar o tratamento por hemodiálise e consegui este atendimento na Renal Vida”, conta Nelci.

Ela, juntamente com outros seis pacientes de Pomerode, vai a Timbó três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras. O grupo sai de Pomerode às 6h30min, segue para Timbó, onde os pacientes aguardam o início do procedimento. A hemodiálise é realizada durante a tarde, das 13h às 17h e eles retornam para casa por volta das 18h.

Porém, foi só recentemente que precisei começar o tratamento por hemodiálise e consegui este atendimento na Renal Vida

Por este motivo, segundo Nelci, foi necessário adaptar a rotina. Outros afazeres e compromissos só podem ser feitos às terças e quintas-feiras, que também é o tempo que resta para que a paciente fique a com a filha mais nova, de apenas 13 anos, que reside com ela.

“Também precisei mudar toda a minha alimentação, deixando de comer algumas frutas, verduras e legumes, por causa de alguns nutrientes que podem afetar o funcionamento dos rins, bem como, ingerir o mínimo de líquido possível. Porém, o tratamento vem me ajudando, pois antes de começar a fazer a hemodiálise, eu passava muito mal, e agora, consegui melhorar”, afirma a paciente.

 

Nelci também destaca a importância da Renal Vida para os pacientes que nela são atendidos. “A impressão que tenho agora é que a vida encolheu e que tenho pouco tempo para viver. Mas a Renal Vida é de extrema importância, pois se não tivesse a instituição, onde podemos realizar a hemodiálise, não estaríamos aqui. Hoje, o local é parte da minha vida e dos outros pacientes que ali estão, e as pessoas que nos atendem são maravilhosas”, ressalta.

A hemodiálise

De acordo com a definição da Sociedade Brasileira de Nefrologia (especialidade que trata de doenças dos sistema urinário, em especial, o rim), a hemodiálise consiste em um procedimento através do qual uma máquina limpa e filtra o sangue, ou seja, faz parte do trabalho que o rim doente não pode fazer.

O procedimento libera o corpo dos resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos. Também controla a pressão arterial e ajuda o corpo a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, uréia e creatinina.

O enfermeiro da Associação Renal Vida de Timbó, Paulo Cézar Viana Coutinho, explica que a hemodiálise é fundamental para manter a função vital que o rim executa.

“Esse processo é realizado a cada três vezes por semana. O paciente vem aqui e faz o tratamento paliativo, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dele. A parte que o rim não trabalha, a máquina fará. Quando o rim não funciona adequadamente, é este sistema extracorpóreo que vai fazer o tratamento ao paciente, por três horas e meia”, esclarece o enfermeiro responsável pelo setor.

A Renal Vida

A Associação Renal Vida foi fundada em 02 de julho de 2003 e, através de seus associados, presta serviços à comunidade e aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A entidade busca atender ao aumento da demanda por serviços da Terapia Renal Substitutiva, para suprir as necessidades da região em que está inserida. Atualmente, recebe pacientes de 45 municípios.

 

 

Nas unidades de Terapia Renal Substitutiva, como a de Timbó, são realizadas, mensalmente, cerca de sete mil diálises, em cerca de 700 pacientes. 

A direção da Associação, devido à demanda recebida, está buscando construir uma nova estrutura da Renal Vida Blumenau. Para isso, está realizando a Campanha “Semana D”, que busca beneficiar os pacientes atendidos em Blumenau. Na ação, pretendem arrecadar R$ 4 milhões, em 10 dias.

As doações funcionam da seguinte forma: graças aos doadores multiplicadores, cada real doado terá o seu valor quadriplicado. Caso a meta não seja atingida, as doações serão devolvidas. A infraestrutura contará com 8.218,85m², possibilitando 396 vagas para hemodiálise, mais 18 consultórios multidisciplinares, com uma redução de R$ 50 mil/mês no custo operacional.

 

Projeto da nova sede da Renal Vida, em Blumenau

 

O valor total do projeto para construção é de R$ 16,5 milhões. Para quem quiser contribuir, a campanha online está sendo realizada pela plataforma digital Charidy.



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