Jornal de Pomerode

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Zelo pelo patrimônio histórico de Pomerode

Depois do incêndio que destruiu o Museu Nacional, acende-se o alerta para o cuidado necessário com os patrimônios históricos presentes na cidade

644166d6e05f9885edeb7a6f56c32d97.jpg Foto: Isadora Brehmer/JP

Pomerode, há anos, tem o turismo como um dos pilares de sua economia, com diversas características que atraem visitantes de todo o país, além de ser famosa, nacionalmente, pela manutenção das tradições, que são preservadas desde o século XIX, quando os primeiros imigrantes aqui chegaram.

Construções históricas e objetos, que revelam como era a vida do colonizador, estão presentes por toda a cidade e, diante o trágico incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, é inevitável não pensar em toda a história da cidade e em como ela pode ser perdida por um simples descuido.

Para que não sejamos vítimas da mesma tragédia ocorrida na Quinta da Boa Vista, com o Museu Nacional, é preciso que autoridades e população se conscientizem sobre a importância de preservar a história que temos. Por isso, procuramos o Corpo de Bombeiros para saber como está a situação dos museus e construções históricas de Pomerode, a fim de descobrir se eles estão preparados para este tipo de situação de emergência.

De acordo com Carlos Hein, comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, o tipo de precaução que cada local deve tomar, pois depende do tipo de objetos que ele abriga. “Os equipamentos de segurança, como extintores, por exemplo, também precisam ser conferidos, para ver se estão em ordem, de dois em dois meses. E, caso haja, um sistema de irrigação, como havia no Museu Nacional, é necessário sempre verificar se há água nos reservatórios”, afirmou.

Também conversamos com o analista e vistoriador do Corpo de Bombeiros Militar em Pomerode, Soldado Paulo Ricardo Luna de Souza, que é responsável pelas vistorias de estabelecimentos da cidade, inclusive, os museus. Segundo de Souza, alguns estabelecimentos já buscaram a regularização, mas ressaltou que este é um processo demorado. “O processo é bem detalhista, tanto que os estabelecimentos têm um prazo longo para se regularizar, em um total de cinco anos para que seja feito. Começamos a base de dados a partir de 2010 e, antes disso, não havia as regularizações”, disse.

Quem preserva a história 

Em Pomerode, atualmente, podemos citar diversas construções que auxiliam na preservação de nossa cultura. Algumas das mais famosas são as mais de 50 construções que integram a Rota Enxaimel, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou os dois portais nas entradas da cidade, o Portal Norte e o Portal Sul. Além disso, há a Biblioteca Municipal e os quatro museus da cidade: o Museu Pomerano, a Casa do Imigrante, a Casa do Escultor e o Museu do Marceneiro.

- Museu Pomerano: localizado no centro histórico de Pomerode, é um passeio pela história dos primeiros imigrantes que chegaram a Pomerode e seu modo de vida. O acervo de peças foi reunido pelo colecionador particular Egon Tiedt (1938-2008), que começou a reunir as peças em 1969,  que representavam a cultura alemã na região. Em 1982, criou, em sua residência, o Pommersches Museum (Museu Pomerano), para passar às futuras gerações os conhecimentos dos imigrantes que construíram Pomerode. O museu faz parte do complexo do Centro Cultural, que está sob regularização. Já foi apresentado um projeto e já foram instalados alguns equipamentos de prevenção contra incêndios, mas falta a instalação de outros. Ainda falta o Habite-se, que é o certificado de alvará dos bombeiros.

- Casa do Imigrante: localizado em Pomerode Fundos, o museu Casa do Imigrante reúne parte do patrimônio deixado pelo imigrante Carl Weege, que se estabeleceu naquela região. O museu foi reconstruído conforme a arquitetura enxaimel e decoração típica da colonização alemã. No local, há exposição de móveis antigos, roda d’água, rancho com moenda de cana-de-açúcar, prédio da atafona e a Praça Lauro Guenther. Deste estabelecimento, não há registros de procura para a regularização junto ao Corpo de Bombeiros Militar.

- Casa do Escultor Ervin Curt Teichmann: localizado no centro da cidade, próximo ao famoso Portal Sul, o museu Casa do Escultor abriga mais de 70 estudos, diversos quadros e gravuras, além de mais de 60 esculturas feitas por Teichmann, durante toda a sua vida. Um dos mais impressionantes é um quadro em relevo, para a parede, da Santa Ceia. Teichmann é natural de Kiel, na Alemanha, e morreu em 1992. Hoje, o museu é mantido pela família. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar, o estabelecimento ainda não tem registros de regularização.

- Museu do Marceneiro: também localizado no centro, o museu abrigava a empresa Móveis Behling, fundada por Alex Behling e que atua desde a década de 50. O Museu do Marceneiro nasceu a partir da vontade de criar um cenário de trabalho e dedicação, a partir do agrupamento de antigas máquinas, ferramentas gastas pelo uso, arrojo nas técnicas de fabricação e, principalmente, empreendedorismo. O espaço traz um contraste entre passado e presente, com a exibição de uma roda d’água e equipamentos utilizados desde a época em que a indústria era apenas uma marcenaria. A fábrica está no mesmo processo do Museu Pomerano, em regularização e, no museu, existem os equipamentos básicos de prevenção contra incêndios.

- Biblioteca Municipal: Com um acervo de cerca de R$ 23 mil livros, a Biblioteca Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco completou, em 2018, 50 anos de existência e, desde 2012, está instalada em uma sala no Centro Cultural, no antigo complexo do Weege.



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