Jornal de Pomerode


Uma escola que precisa da sua participação

Uma escola que apesar das dificuldades está buscando de todas as formas se manter e trazer sempre o melhor ensino aos seus alunos

A Escola Estadual Básica Presidente Prudente de Morais atualmente atende 215 alunos da comunidade de Testo Rega, 30 destes, ainda nos anos finais do Ensino Fundamental e os demais no Ensino Médio. O Jornal de Pomerode esteve na escola para conhecer seus projetos e dificuldades e, quem nos recebeu, foi o Diretor Márcio Porath.


No momento a escola está passando por algumas dificuldades, principalmente na APP. A cada dois anos uma nova APP deve ser eleita na escola e, no mês de abril esta nova gestão inicia sua atuação na escola. Porém, na escola Prudente de Moraes não estão tendo pais disponíveis a assumir a responsabilidade de participar de uma APP. No momento, possuem apenas quatro pessoas dispostas a participar, sendo que é necessário que mais oito pessoas participem. O que agora se tornou um desafio para a direção, ir em busca desses pais.


Marcio conta que a APP está lá para ajudar a manter a escola, "temos como objetivo primeiramente manter a estrutura escolar e, segundo, se possível, melhorar a estrutura. Tanto na estrutura física quanto a humana. A humana o estado manda dinheiro para pagar o servente, mas não manda dinheiro para pagar o contador, gastamos em torno de R$ 300 todo mês. A física eles mandam a lâmpada, o reator, mas não mandam o eletricista".


Por ser uma escola estadual, o município não tem obrigação em ajudar a escola, mas auxilia quando pode. Pelo estado, a ajuda vem, mas é pouco e demorado, dificultando ainda mais a execução de melhorias na escola. Antes, a única verba que recebiam vinha do MEC, agora, há dois anos, estão recebendo um cartão, o Cepesc, para cobrir apenas despesas emergenciais, não podendo ser utilizado para algo que contabilize estoque. O valor repassado do Cepesc, depende muito do número de alunos na escola, para o ano inteiro recebem R$5.500,00, muito pouco para atender as demandas emergências da escola em um ano, segundo Márcio.


Outro recurso são os Programas Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que vem pelo Ministério da Educação (MEC). Este ano, em janeiro receberam o recurso referente ao ano de 2015, e ainda parcelado em duas vezes. A escola está cadastrada em dois programas do MEC, o PDDE Básico, no qual recebem em torno de R$ 8.000,00 e o PDDE Sustentável, que é voltado para montar projetos de sustentabilidade dentro da escola. E, segundo o Diretor, um dos problemas sempre é a burocracia, já que para qualquer coisa que seja feita com este dinheiro, precisam apresentar três orçamentos, com empresas consolidadas e nota fiscal, o que faz com que o processo demore ainda mais.


Outra grande dificuldade na escola, é ter pais participativos, seja na APP, participando das reuniões, buscando os boletins dos filhos, se envolvendo mais na vida escolar deles. A escola necessita de uma atenção e toda a comunidade pode se envolver e ajudar para que cada vez mais a escola se desenvolva, fazendo com que seus alunos também tenham um ensino de qualidade.


A pastelada que era feita na escola para arrecadar dinheiro, não pode ser realizada, devido a Vigilância Sanitária não permitir nada que não seja nutricionalmente saudável nas escolas. As contribuições espontâneas também foram reduzidas a quase zero, o que dificulta ainda mais a Direção com as despesas mensais. A escola não pode mais lembrar os pais que podem colaborar com a contribuição espontânea e, o dinheiro repassado pelo MEC e Cepesc, não pode ser utilizado para pagar o contador, que gira em torno de R$ 3.600,00 reais no ano. Nas salas de aulas, os alunos sofrem principalmente no verão com a falta de ar condicionado e é hoje uma das maiores prioridades da escola.


Em relação a projetos na escola, possui em parceria com a Abefam o Projeto Sempre Jovem Teen, este trabalha com alunos convidados no contra turno questões de valores humanos. "Existem situações com alunos, em que nós não suspendemos eles e sim, fazemos com que ele participe deste projeto trabalhando questões sobre valores". Também precisam aderir ao Projeto Sustentável do MEC, para conseguir receber o valor e ser investido exclusivamente em ações sustentáveis na escola. E o projeto Capoeira na Escola. Além disso, realizam mutirões na escola a cada fim de semestre, a Festa Familiar realizada em outubro, que entra novamente a importância dos pais participarem e, várias atividades organizadas com os alunos, feira de ciências, gincanas, festa junina, grêmio estudantil, passeio ciclístico, passeio de estudos.


Márcio tem uma satisfação enorme em fazer parte da escola e dar o seu melhor para a evolução dos alunos dentro da instituição. "É uma satisfação muito grande, o ofício de ser professor é doar se bastante, se trabalha muito e ser diretor mais ainda. Existem várias situações em que precisamos arregaçar a manga, mesmo não tendo a participação efetiva dos pais como a gente queria, mas não podemos deixar a escola quebrar, as vezes temos que ser pintor, pedreiro, chamamos um pai, outro pai e assim vai se fazendo".

 



Veja também:
Galeria de fotos: 2 fotos
Créditos: Foto: Jéssica Wollick / JP Foto: Jéssica Wollick / JP









Publicidade

  • 50b2324f0aa1127b27ce46c6d6dd7ed4.jpg