Jornal de Pomerode

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Um mercado que inclui

Trabalhadores com alguma necessidade especial relatam experiência de estarem inseridos no mercado de trabalho em empresas da cidade

89d2f55f15b9b30ea25c2ef7273da3be.jpg Foto: Isadora Brehmer/JP

Ter algum tipo de deficiência, para algumas pessoas, pode parecer uma sentença para ficar longe do mercado de trabalho, já que muitas empresas optam por não abrir vagas para pessoas com algum tipo de deficiência. Porém, na contramão desta escolha, algumas empresas de Pomerode já estão tendo a inclusão como propósito e incorporando pessoas com alguma deficiência ao seu quadro de colaboradores. Exemplos desta prática são a HI Etiquetas e a Netzsch do Brasil.

Na primeira delas, um dos colaboradores do setor de tecelagem é deficiente auditivo e já faz parte da empresa há 14 anos. Desde 2004, Gelson Drehmer atua como tecelão da fábrica e, diariamente, ensina diversas lições a todos na empresa. Colegas comentam que o tecelão tem uma grande facilidade para fazer amizades e, também, para ensinar coisas aos outros. 

“Eu costumo observar muito as pessoas e consigo perceber se elas estão com dificuldades. Procuro, sempre ter um bom relacionamento com todos ao meu redor. Tento, também, sempre ajudar quem está começando a trabalhar aqui no setor. Mostro como deve ser feito e, apenas com o gestual, consigo ensinar”, conta Drehmer, através dos sinais, traduzidos pelo supervisor de seu setor, Caio. 

Inclusive, o próprio supervisor foi um dos que aprendeu praticamente tudo o que sabe sobre a tecelagem observando como o colega fazia. “Como só poderia explicar através dos gestos, isso ajudou aqui por causa do barulho, pois é difícil para os outros escutarem e compreenderem alguém falando. Como sempre consegui ajudar, consigo me dar bem com todos, me comunicando do meu jeito”, disse, fazendo os sinais com as mãos.

Bem humorado, o tecelão relata que houve uma época em que, por ser deficiente auditivo, sentia muito medo de fazer algo errado com a máquina, arrebentar algum fio ou quebrá-la. Por este motivo, sempre procurou fazer tudo com muito capricho, tornando-se uma das referências do setor.

Drehmer afirmou, com um sorriso no rosto, que se sente muito feliz trabalhando nesta empresa e, brincando, garantiu que só irá sair da HI caso fosse demitido. A empresa, ao contrário, afirma a felicidade e o orgulho em poder ter pessoas especiais no quadro de funcionários. Inclusive, existe sempre uma preparação especial para receber cada um, e todos os outros colaboradores cooperam pela inclusão.

Já na Netzsch do Brasil, outros dois exemplos inspiradores provam que não existem limitações para quem tem força de vontade. Um destes exemplos também é de uma deficiente auditiva, que só consegue se comunicar e entender o que outras pessoas lhe falam através de um aparelho.

“Para mim, é um pouco mais difícil me comunicar e entender o que as pessoas falam, por isso, sempre peço para que falem um pouco mais alto e mais devagar. Tenho sorte porque meus colegas de trabalho e de empresa entendem esse lado e tem a paciência necessária para que eu entenda”, relata a jovem Elenice Raduenz, de 23 anos, que trabalha no setor de Peças de Reposição. 

Ela destaca que todos dentro da empresa buscam auxiliar, principalmente, os vários funcionários que possuem alguma deficiência. Por precisar, muitas vezes, que as pessoas repitam mais de uma vez alguma informação, Elenice poderia se preocupar com o fato de as pessoas perderem a paciência, mas a jovem afirma que nunca percebeu e nem prestou atenção em situações como esta, que seguiu apenas fazendo o seu trabalho da melhor forma.

“Tenho uma relação muito tranquila com os meus colegas, eles compreendem que precisam ter um pouco mais de calma comigo. Não me vejo tendo dificuldades e me sinto inserida, o que é muito importante, pois assim me sinto bem e normal, dentro do possível. A comunicação dentro da empresa é fácil, o que é uma parte muito positiva. A única parte ruim é que, às vezes, preciso tirar meu aparelho e colocar o protetor auditivo, por questões de segurança, ficando sem escutar nada por algum tempo, algo que não gosto, mas faz parte”, afirma.

Outro funcionário agraciado com uma vaga na Netzsch do Brasil é Caio Kluge, de 20 anos, que trabalha no setor de Recebimento de Material da empresa. Kluge possui uma deficiência em sua mão esquerda, que não se desenvolveu da maneira correta, terminando quase após o pulso, limitando alguns movimentos e ações. Ele faz parte do quadro de colaboradores da Netzsch desde o início de 2018.

Porém, Kluge nunca permitiu que este fosse um empecilho em seu trabalho e sempre lutou para que não fosse tratado de uma forma diferente. “Já participei de uma atividade com todos os colaboradores do departamento que possuem algum tipo de deficiência e, durante as conversas, disse que não precisava ser tratado como diferente, pois tinha capacidade de exercer qualquer função. Quero mostrar que, apesar de ter esse problema com a minha mão, consigo ser uma pessoa e um profissional normal”, coloca.

Ele também enaltece que se sente bem recebido e acolhido dentro da empresa, conseguindo manter uma convivência tranquila e harmoniosa com seus colegas de trabalho, nunca tendo problemas com seus colegas de trabalho. 

Para a Netzsch do Brasil, é, também, um orgulho poder oferecer estas oportunidades a pessoas com deficiência, para que, cada vez mais, elas se sintam parte da sociedade, em todos os seus aspectos.

 

 



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Créditos: Isadora Brehmer/JP Divulgação Divulgação
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