Jornal de Pomerode

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Um dia para um orgulho que sempre existiu nos corações

Dia Internacional do Orgulho LGBT tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de mais tolerância na sociedade

08f1a9275e4e213b782f73d91d287a2d.jpg Foto: GETTY

"É uma questão de ser humano, de tentar compreender, de deixar de lado aquilo que somente você acha certo, e passar a abrir os olhos pro mundo, e para a diversidade que existe nele".

André Mariano

A quinta-feira, 28 de junho, é para a comunidade LGBT+, em que estão englobados lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e outros grupos minoritários, o dia em que se celebra Orgulho LGBT. A data marca um caso que aconteceu em Nova York, no ano de 1969, no qual pessoas que frequentavam o bar Stonewall Inn, conhecido por ter muitos frequentadores destes grupos, reagiram a uma série de batidas policiais realizadas frequentemente no local, motivadas pela intolerância.

Um ano depois, no dia 28 de junho, foi realizada a primeira parada gay dos Estados Unidos, que ficou conhecida como o dia de luta contra o preconceito, por inspirar outras paradas ao redor do mundo. E, além da maior visibilidade que o grupo conseguiu, diversos direitos também já foram conquistados, inclusive no Brasil.

Hoje, casais homossexuais podem oficializar a união no civil e adotar filhos, trabalhadores podem estender seus benefícios previdenciários e de plano de saúde aos seus cônjuges, transexuais podem mudar o nome no cartório sem a obrigação de terem passado por cirurgia de adequação sexual ou recebido autorização judicial, além de usar o nome social na Educação Básica. E a mais recente conquista vem do manual de doenças psiquiátricas mais importante do mundo, que não vê os transgêneros como pessoas com problemas mentais. 

Porém, mesmo com todos os direitos, um problema muito maior ainda é enfrentado por homossexuais, bissexuais, transexuais, o preconceito, motivado pela intolerância. E diariamente, quem faz parte destes grupos é obrigado a lidar com situações desagradáveis relacionadas ao preconceito. 

É o que confirma André Mariano, de 19 anos, homossexual, que relata como ainda sofre com a intolerância de muitas pessoas. “Dá para sentir na pele os olhares, cochichos, desprezo, isso quando não fazem de maneira mais agressiva. No começo, eu costumava abaixar a cabeça, sem confrontar, deixava falarem. Hoje, eu não me calo, e aliás, ninguém deve se calar! Assim como as pessoas que têm preconceito têm o direito de falar, nós temos o dever de nos defendermos. E acho que isso é uma questão de empatia. Não precisa ser gay, lésbica, bi, ou transexual, pra defender um se este estiver passando por alguma situação de preconceito, basta você ver suas concepções, colocar sua humanidade em primeiro lugar, e agir”, afirma.

Por causa destas dificuldades geradas pelo preconceito, ele acredita que um dia dedicado ao orgulho dos grupos LGBT+ é fundamental para reforçar a luta por respeito. “Esse dia é essencial na vida de todas as pessoas do meio LGBT+. Ainda que muitos não deem importância, é nesse dia, em especial, que relembramos toda a nossa luta, nossas conquistas, e mesmo que seja por apenas 24 horas, fazemos as pessoas voltarem sua atenção para algo que é necessário em qualquer tipo de situação: o respeito!”

Para Mariano, os direitos concedidos às pessoas da comunidade LGBT+ e a abertura para que o assunto seja tratado demoraram a acontecer, já que, segundo ele, estamos no século XXI, vivendo mudanças a todos os momentos e, portanto, o assunto já deveria ser comum para todos. Mariano acredita que, mesmo que a sociedade ainda discrimine e oprima muito a comunidade LGBT+, aos poucos, ela se dará conta que isso é algo normal, mesmo que tenham que enfrentar sua ignorância movida por crenças religiosas e concepções.

“Se colocar no lugar do próximo é um ótimo começo. Como disse anteriormente, você não precisa ser de tal comunidade/meio, para ajudar alguém deste que esteja sofrendo algum tipo de preconceito ou rejeição. É uma questão de ser humano, de tentar compreender, de deixar de lado aquilo que somente você acha certo, e passar a abrir os olhos pro mundo, e para a diversidade que existe nele. Afinal, fazer o bem, não vai te trazer mal”, argumenta o jovem.

Ele também ressalta que não é exagero dizer que as pessoas do meio LGBT+ enfrentam, a cada dia, uma batalha. “Ainda que não seja o certo, muitos de nós vivemos tentando nos encaixar, e tentando provar para as pessoas que somos tão dignos deste mundo quanto elas. Mas por quê? Não há nada de errado, nunca houve. Somos apenas pessoas, como outras, mas talvez, sejamos um pouco mais autênticos e verdadeiros, pois enquanto muitos se escondem por trás de sua hipocrisia e intolerância, nós damos a nossa cara a tapa, não nos acovardamos diante daquilo que enfrentamos. Desde que me descobri homossexual, e passei a entender como tudo acontece, como é essa realidade, eu me pergunto: qual a base desse preconceito? Para muitos é religião, para outros é ‘opinião’, mas, de fato, o que há de errado em ser diferente?”, questiona.

Mas, apesar de todas as lutas, André tem esperança de que o mundo melhore para as pessoas LGBT+ com o passar do tempo. “Existe uma frase, que eu gosto muito, que diz assim ‘Na natureza, um bando atacará qualquer pássaro que é mais colorido que os outros, porque ser diferente é visto como uma ameaça’. E talvez realmente seja isso, as pessoas atacam a comunidade LGBT porque sentem medo de aceitar e lidar com aquilo que é diferente, elas querem um mundo padronizado, mas esquecem que pra toda pintura, existe uma gota de tinta fora do quadro”, finaliza.

 



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