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Um chamado para Brumadinho

Bombeiro Militar, morador de Pomerode, está na cidade mineira prestando auxílio em uma das maiores tragédias do Brasil

b65fa56070fbc0ad06fc5c3367a18428.png Foto: Divulgação

Uma tragédia que comoveu um País inteiro. O rompimento da barragem de Brumadinho, zona metropolitana de Belo Horizonte, que aconteceu no dia 25 de janeiro, deixou, até o fechamento desta edição, 134 mortos -120 identificados. 199 pessoas ainda continuam desaparecidas e 394 foram localizadas.

Para tentar resgatar e encontrar os corpos no meio de muita lama, é necessária uma força tarefa dos Bombeiros, que enfrentam situações extremas, há quase 15 dias. Além da corporação de Minas Gerais, bombeiros de várias partes do Brasil resolveram ir até a cidade mineira prestar auxílio nas buscas. É o caso do comandante do BM de Benedito Novo, morador de Pomerode, Gean Carlos Espíndola, que abraçou a missão de auxiliar o trabalho do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

Ele é um dos 10 bombeiros militares de várias regiões do estado, que possui um curso de preparação técnica para atuar em áreas de deslizamento. O Sargento Bombeiro Militar Gean, faz parte de um grupo do 3º Batalhão de Bombeiros Militares de Blumenau especializado nestas situações. Ele ressalta que a ida, também, é um ato de voluntariado. O grupo atua, ainda, em conjunto com os cães de resgate do 3º BBM.

O comandante e outros membros da corporação saíram de Blumenau na terça-feira, dia 29 de janeiro, e chegaram a Brumadinho na noite seguinte. Ao chegar no local da tragédia, Espíndola ficou espantado com a real situação da cidade.

“Definitivamente, nunca tinha presenciado algo assim. Quando eu cheguei lá, a minha primeira reação foi espanto. É impressionante a dimensão dos estragos causados pelo rompimento da barragem. E meu primeiro pensamento foi o de que estaria ali para aliviar o sofrimento das famílias dessas pessoas que ainda estão desaparecidas”, relata o comandante.

Ele comenta que não teve contato com as famílias, já que estão em uma área mais isolada, distante da área dos procedimentos de resgate, incluindo decolagens e chegadas de aeronaves.

Por lá, Espíndola está ajudando nas buscas, juntamente com uma equipe acompanhada de um cão farejador, no local onde a lama desceu. Os cães fazem o trabalho de busca, enquanto os bombeiros desenterram os corpos que são encontrados soterrados no meio da lama. 

“São tarefas difíceis. Há uma camada grande de lama, o que não facilita nosso trabalho. Quando o cão fareja e encontra algo, temos que nos deslocar até o local e usar técnicas de deslocamento para evitar o afundamento na lama, o que prejudica muito a nossa missão. Outro detalhe, que não nos ajuda, é o calor e o tempo seco. E já tive a experiência de me deparar com um corpo que recém tinha sido encontrado e que coube a nós tirar da lama”, explica o Sargento BM Gean.

Ainda de acordo com o comandante, os bombeiros militares se concentram na “Área Quente”, onde a lama ainda está mole e os voluntários ficam na “Área Fria”, locais em que a lama já secou. Para Espíndola, a experiência de atuar na tragédia de Brumadinho, será inesquecível.

“Já tive outras missões em enchentes aqui no Vale do Itajaí, mas Brumadinho está sendo diferente. A experiência será muito grande, pois estamos com grupos de bombeiros de vários estados (MG, SP, AM, RJ, SE,) além do PCMG, PF, PRF, PAMG, e a logística montada para abrigar a situação é muito boa”, destaca.

Porém, por estarem em uma área considerada perigosa, o comandante admite que existem os momentos em que pensa na família. “Penso, sim, na minha família, pois além de estar longe, compartilhamos a dor dos familiares das pessoas aqui. Além disso, existem riscos para nós, que estamos trabalhando e eu quero ir para casa inteiro e não dentro de um caixão”, declarou.

Os bombeiros contam com máquinas anfíbias, drones, botes, helicópteros, escavadeiras, retroescavadeiras e cães farejadores. Ao todo, segundo a corporação, 15 máquinas trabalham na tentativa de resgate das vítimas. Os bombeiros militares do estado devem retornar a Santa Catarina nesta quarta ou na sexta-feira.

 



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Créditos: Divulgação
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