Jornal de Pomerode

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Ultrapassando os preconceitos

Franciely Sanches faz plantões de motorista no Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, quebrando preconceitos e estereótipos.

b6ceced579a3353fcd952f4f2d289668.jpg Foto: Arquivo Pessoal

“Mulher ao volante, perigo constante”. Quem nunca ouviu essa expressão? Mas para Franciely Sanches, a piada sobre as habilidades de direção das mulheres, nunca foi uma ofensa. Para responder à altura, ela realizou um desejo que tinha desde cedo, dirigir uma viatura de resgate. E, há cinco anos, ela faz parte da corporação do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, concretizando o que pedia na juventude.

O desejo de trabalhar na área de resgate começou aos 15 anos de idade. Nessa época, Franciely perdeu seu pai devido a um infarto fulminante. E isso, fez com que pensasse em como ela poderia ter evitado tal ocorrido e despertou o interesse por salvar outras vidas. Natural do Paraná, ao chegar em Santa Catarina, ficou sabendo de uma oportunidade para entrar e realizar o trabalho espontâneo no Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode. 

E, em 2012, ela fazia parte da equipe, como auxiliar de socorro, mas sempre buscou cursos para agregar em seu trabalho. Franciely tem formação de bombeira voluntária e socorrista, algumas dessas atividades feitas em outras cidades de Santa Catarina. Além disso, ela já participou de outros cursos como o de resgaste veicular, condutor de veículo de emergência e carteira de motorista para dirigir a viatura.

“Eu fiz a ‘Carteira D’, que habilita condutores de caminhões, apenas pelo desejo de ser motorista de uma unidade móvel de resgate. E tudo isso foi graças à minha determinação e garra, por correr atrás e conseguir realizar esse sonho que tinha na minha juventude. Hoje, me sinto totalmente realizada salvando vidas pela cidade de Pomerode”, ressalta a bombeira.

E como é ser mulher, atuando em uma função que, geralmente, é rotulada como apenas para homens? Franciely conta que já sofreu preconceitos durante os cinco anos de trabalho, e diz que “não leva desaforo pra casa”. E para responder a essa visão preconceituosa e, muitas vezes, machista, ela apenas realiza o seu trabalho, que tem a mesma função do homem: salvar vidas.

“Eu já ouvi muitas piadas e vi olhares irônicos quando me viram dirigindo uma viatura, tanto na rua, quanto dentro da corporação. E eu fui uma rompedora de paradigmas aqui na cidade, pois sou a primeira mulher a conduzir uma viatura em Pomerode. E acabei buscando meu espaço pela minha força de vontade, de poder mostrar que ajudar o próximo e realizar resgates que exigem mais o físico, não é apenas para homens. A mulher consegue e só precisamos nos empenhar, ter garra e determinação, sempre, para conquistar o espaço e reconhecimento que merecemos. E temos que tirar a imagem de sexo frágil que muitos homens ainda têm de nós”, desabafa.

Além de prestar os serviços voluntários para o Corpo de Bombeiros de Pomerode, Franciely trabalha na Link Importadora, como coordenadora de marketing, mas consegue conciliar as duas funções, mais os momentos juntos com seu filho, noivo e mãe. Ela possui um plantão fixo na corporação todas as segundas-feiras à noite, mas também ajuda quando é necessário um apoio para entidade.

E, na Semana das Mulheres, Franciely se considera um exemplo que conquistou seu merecido espaço, e deixa um recado para todas que têm o desejo de atuar em áreas que são vistas como cargos apenas para homens.

“Tenham força, garra e determinação. A mulher pode! Talvez não tenhamos a mesma força física que os homens, mas conseguimos, é uma questão de técnica, determinação e força de vontade. Muitos me chamavam de louca por querer dirigir um caminhão e, hoje, eu consegui e atuo com muito amor e carinho. Se você acredita, se dedique, vá e faça.  Me considero um exemplo, pois aqui dentro da empresa, muitas pessoas reconhecem o meu trabalho, estão sempre orgulhosos com a minha função extra. E duas meninas que trabalham comigo, já pensam em realizar cursos para tentarem ser, também, bombeiras voluntárias. E isso é importante, pois elas estão se espelhando em mim para correr atrás das suas vontades, e isso me deixa extremamente gratificada”, enfatiza. 

 



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Créditos: Arquivo Pessoal Arquivo Pessoal
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