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TV no Brasil – do preto e branco ao HD

Confira mais um Artigo do leitor, escrito por Eduardo Brito Senger

d1f661a6accb97bdc628bdc4df4a1cd0.png Foto: Divulgação

A história da televisão no Brasil começa a ser desenhada no ano de 1950 com a criação da TV Tupi, canal 4, em São Paulo. No ano seguinte, a pioneira estendeu sua cobertura para o Rio de Janeiro. Em 1960 ocorreu a primeira transmissão “ao vivo” no país mas para um público muito seleto. A primeira transmissão pública em cores no Brasil ocorreu em 1972, durante a “Festa da Uva”, em Caxias do Sul – RS. 

Naquele tempo, o número de pessoas que possuíam um televisor em casa era ínfima. Somente integrantes de famílias nobres da época tinham condições financeiras de adquirir uma telinha.

A primeira Copa do Mundo transmitida em cores foi a Copa de 1970, no México, com a famosa e marcante marchinha “90 milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração”. Entretanto, apesar da transmissão ter sido em cores, somente uma pequena parcela da população possuía monitor colorido. A imensa maioria detinha uma tela pequenina em preto e branco. Como era algo muito caro e inacessível às classes mais baixas, muitas famílias que tinham televisor convidavam os vizinhos e amigos para poder acompanhar pela primeira vez na história uma Copa do Mundo “ao vivo”, o que era algo “mágico” para a época. 

O Brasil chegou ao México em 1970 como bicampeão mundial mas nas conquistas de 1958 e 1962 não houve transmissão por TV e todos reuniam-se ao lado dos aparelhos de rádio, onde as frequências em AM (amplitude modulada) e OC (ondas curtas) eram tecnologias de ponta. As “Ondas Curtas” eram o que chamamos “top” hoje em dia, permitindo captar o sinal de emissoras de longas distâncias, inclusive da Europa. Um exemplo foi a Deutsche Welle, da Alemanha, com expressiva audiência principalmente nas regiões colonizadas por alemães. Não existia satélite muito menos internet, porém como não haviam interferências de celular, internet, satélite, ondas de rádio, computadores, e outros eletrônicos que nem existiam. Por isso o áudio chegava com alta qualidade para os padrões da época. 

E foi no ritmo do “pra frente, Brasil” que a seleção brasileira de Pelé, Jairzinho, Gérson e Rivelino chegou ao tricampeonato mundial. Naquele tempo não havia espaço para ostentações nem figuras midiáticas. A quantia que Pelé, o maior jogador de todos os tempos, recebia na época, comparada às cifras de hoje beiravam o “ridículo”. Era um tempo de mais raça, respeito e amor à camisa. Os jogadores recebiam apenas uma ajuda de custo para jogar na seleção, contrastando em muito com os contratos milionários de licenciamento e publicidade verificados no futebol atual.

A partir do final dos anos 70 houve uma popularização maior dos televisores sendo que a maioria dos lares já possuíam um equipamento colorido. Os satélites começaram a ser utilizados, novas emissoras surgiram e o desenvolvimento foi grande. 

Até o final dos anos 80, já existiam cerca de 10 emissoras no país. Como qualquer tipo de tecnologia, as cidades maiores como São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre iniciaram as transmissões analógicas construindo um contingente alto de telespectadores. Em cidades de porte médio em Santa Catarina como Joinville, Blumenau, Florianópolis e Criciúma, o número de canais sintonizados variava de 3 a 6 canais, dependendo do relevo e da distância das torres de transmissão e também do tipo de antena utilizada, na época a velha “espinha de peixe” ou mesmo uma simples anteninha interna.

Mas foi no início dos anos 90 que ocorreu uma grande transformação e todas as emissoras de TV Aberta passaram a chegar aos lares através das antenas parabólicas apontadas para o satélite StarOne C2, de propriedade da Embratel, existente até hoje em dia. 

Sendo assim, o vertiginoso crescimento das antenas parabólicas banda C (analógicas) fazia chegar às telas de tubo uma imagem perfeita, praticamente sem chuviscos. Até o final dos anos 90 a TV Aberta, com as seis principais emissoras da época (TV Globo, SBT, TV Bandeirantes, TV Record, TV Manchete e TV Cultura), dentre outras menores, todas conseguiram atingir lugares antes inimagináveis para um país com dimensões continentais. Não existia mais o problema da distância. Mesmo nos cantos remotos como interior do Norte/Nordeste, o sinal de TV chegava “limpo” e cristalino. Mas tudo mudou novamente...

A partir de 2000 as pessoas foram deixando, aos poucos, o hábito de assistir TV Aberta. Apesar de fundada em 1992, a Globosat, até então com apenas três canais, entrou para valer no mercado a partir de 1996, até então para uma clientela de classe alta, quando ocorreu o lançamento da operadora de TV por assinatura Sky, na época em conjunto com a NET TV a cabo e as Organizações Globo, que eram suas acionistas. Entretanto, depois surgiram dois concorrentes: a DirecTV e Tecsat. Em 2004, o grupo DirecTV da América Latina adquiriu a Sky Brasil mas resolveu manter o nome Sky, talvez pelo impacto do nome e houve uma significativa mudança em sua logomarca, antes azul, agora na cor vermelha. A Tecsat, com sede em São José dos Campos - SP, havia surgido em 1991 mas veio a falir em 2007. Era uma operadora com preços mais acessíveis e o seu grande “carro-chefe” eram os canais da rede HBO.

Então, de 2007 até 2009, o grupo NET/Sky deteve o monopólio da “Pay TV” no país. A partir de 2009, com a criação da então “Via Embratel”, o mercado começou a acirrar-se novamente. Hoje, a operadora do grupo Embratel chama-se Claro TV e temos várias opções, além do cabo. O cabo continua presente ainda, principalmente nas cidades de porte médio a grande e praticamente tudo por fibra óptica. Já o DTH (sistema de transmissão em banda Ku digital) tornou-se altamente competitivo. Além da Sky e  Claro, vieram a Oi TV, a Vivo TV e outras menores. 

A imagem, que era transmitida no sistema “Beta” analógico, começou a mudar no país. Surgiu o sistema HDTV (alta definição, em inglês) e a Sky foi a pioneira em oferecer canais pagos neste mercado de TV por assinatura.

As primeiras transmissões com sinal digital gratuita de TV Aberta HD deram-se início na cidade de São Paulo, em dezembro de 2008. O sistema de transmissão adotado pelo país foi o japonês. A partir de então a tecnologia expandiu-se para os quatro cantos do país. Em vários municípios basta uma simples antena interna (ou externa) UHF para captação de várias emissoras de TV Aberta com sinal em alta definição para serem assistidas em telas finas de Plasma, Lcd, Led e Oled. Mesmo as residências que ainda não possuam um televisor HD poderão ter acesso à qualidade do sinal digital bastando, para isso, adquirir um conversor digital e uma antena UHF, facilmente encontrado em lojas de todo o país hoje e distribuído de maneira promocional ou mesmo de graça à população de baixa renda. A resolução de imagem passou de 720 p para 1080 p, na prática uma mudança altamente significativa pois os detalhes do rosto de um apresentador de telejornal são muito mais visíveis. Por esse motivo, as emissoras precisaram caprichar melhor no “make” de seus apresentadores. As imagens ganharam a mesma proporção do cinema. Passou do sistema 4:3 (tubo) para 16:9, com ganho de 33% a mais nas laterais.

E não para por aí pois vem aí o sistema Ultra HD (4k), com a promessa de imagens 4x mais nítidas que o HD. Não existem limites para a tecnologia!

 

Eduardo Brito Senger, bacharel em Comunicação Social (FURB)
e-mail: ebsenger@gmail.com

 

 

 

 



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