Jornal de Pomerode

Edição Impressa



Talento expressado em madeira

Pomerodense, depois de anos, descobre-se um artista em madeira e desenvolve um trabalho primoroso na área.

2260d773d520a8f4fef4ae1c23c712fb.jpg Foto: Isadora Brehmer/JP

Descobrir um dom depois de muitos anos. Isso é possível para qualquer um, assim como foi para Rui Carlos Knopf, de 55 anos, que, em novembro do ano passado, descobriu-se um artista de madeira, com talento especial para produzir peças com entalhe em madeira.

“Sempre gostei muito da arte na madeira e, quando foi aberto um curso de entalhe em madeira na Prefeitura, no ano passado, me inscrevi e comecei a aprender as técnicas. E, felizmente, eu peguei o jeito rapidamente e comecei a fazer as minhas obras de arte”, conta Knopf, orgulhoso.

A primeira peça produzida pelo artista foi um tucano, que Knopf exibe e do qual fala, com alegria. Depois, vieram outros trabalhos e, um deles, tem um significado maior ainda: a reprodução de uma fotografia de sua esposa, entalhada em madeira. 

“Este trabalho é um presente para ela e foi um dos mais difíceis que já fiz, porque reproduzir o rosto de uma pessoa é sempre muito complicado, pois cada um tem feições diferentes e não há como seguir um modelo. Por isso, aproveitei o segundo curso que estava fazendo para desenvolver essa peça e pude contar com a ajuda da professora, que, inclusive, ficou espantada com a minha coragem em fazer logo algo tão difícil”, relata.

Conhecendo mais sobre a área, Knopf revela que percebeu que é necessário ter o dom para fazer este tipo de trabalho e se sente felizardo por possuí-lo. As professoras dos cursos dos quais participou, segundo ele, também já lhe disseram que pode ter um futuro promissor na área, devido ao seu jeito com o entalhe.

“As ideias para produzir alguma peça surgem de acordo com o que eu vejo ao meu redor e imagino como ela ficará entalhada em madeira. A partir daí, decido como irei fazê-la, de acordo com a minha visão e inspiração”, explica. 

O processo começa com a separação da madeira que será utilizada no entalhe, que precisa ser uma que não seja nem muito “mole” e nem muito “dura”, para que seja possível trabalhar sem danificar a peça como um todo. Knopf, por exemplo, utiliza para suas peças sempre madeira de cedro.

“Logo depois, pego o modelo da figura que irei retratar e faço o desenho na madeira, começando a entalhar de acordo com o desenho. Para isso, utilizo uma série de ferramentas, principalmente formões e goivas, que são as lâminas que fazem o entalhe. Elas possuem diferentes formatos e cada uma é utilizada para um detalhe diferente. Há ainda o macete, que substitui o uso do martelo”, enumera o artista.

O tempo para produzir a peça, de acordo com Knopf, depende sempre de sua complexidade, podendo ser de algumas horas ou, então, levar dias. Uma de suas temáticas favoritas é a das ilustrações presentes em moedas, já que é apaixonado por moedas atuais e antigas. Knopf deixa, ainda, a sua assinatura entalhada em madeira, na parte de trás da peça.

“Agora, quero me aperfeiçoar e conseguir, quem sabe, fazer figuras em três dimensões, que são esculturas entalhadas, além de fazer trabalhos cada vez maiores. Meu sonho, na verdade, é conseguir reproduzir a cena da Santa Ceia entalhada, em uma peça bem grande. Porque, para mim, quanto mais complicado melhor, tem que ser um desafio, sempre”, destaca.

 



Galeria de fotos: 2 fotos
Créditos: Isadora Brehmer/JP Isadora Brehmer/JP
Tags:
Veja também:









Publicidade

  • 
    eb224b55631b8f403d168a912e1f6fb6.jpg4b580c53dad677f2141dea5ad908465d.jpg