Jornal de Pomerode

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Superando fronteiras e barreiras por amor

História de amor ultrapassa fronteiras do país e ensina lições sobre que o que importa na vida é o amor

6d1572ae4dc96c7213ab5be03292c58d.JPG Foto: Divulgação

Quem não sonha em conhecer o seu grande amor e construir uma vida ao seu lado? A maioria das pessoas ao redor do mundo tem este sonho, mas realizá-lo é uma tarefa um pouco mais difícil. Ainda mais se, no seu caminho, encontram-se obstáculos, como preconceito e falta de tolerância.

Este é o início da história de Igor Marques Ribeiro, de 25 anos, e de seu marido Sebastian Ordu, de 24. Em pleno século XXI, ainda há quem seja contra a união de pessoas do mesmo sexo e, no Brasil, ela só foi permitida em 2013. Este é só um dos obstáculos que pessoas homossexuais precisam enfrentar diariamente para viverem com a liberdade que merecem.

Outro desafio pelo qual muitos passam é a aceitação familiar. Porém, felizmente, para Ribeiro, esse não foi o seu caso. “No início de 2016, eu contei para os meus pais que eu sou homossexual. Na nossa sociedade, infelizmente, ainda precisamos falar qual é a orientação sexual que temos. Eu lembro que a reação da minha mãe foi super normal e acolhedora, ela me disse que me ama do jeito que eu sou e fiquei bem feliz. O meu pai, no primeiro dia em que me assumi, acho que se sentiu meio decepcionado. Mas depois ele aceitou bem tranquilamente”, comenta e acrescenta que foi um desafio para ele. 

“Eu fiquei o dia inteiro pensando se eu me assumiria mesmo ou não, pois eu sou da opinião de que as pessoas não deveriam precisar ‘assumir’ nada. Somos como somos. Nenhum heterossexual precisa dizer que é hétero para os pais. Porque eu precisaria? Mas, enfim, eu refleti melhor e sei que, por enquanto, isso ainda é preciso. Por isso decidi me assumir”, pondera Ribeiro.

Ele também conta que não enfrentou resistência por parte da mãe, e, por mais que o pai tenha ficado decepcionado, depois ficou mais tranquilo com a situação. “Mas claro, o fato de se você se ‘assumir’ te obriga a não se silenciar mais sobre esse tema. Nunca conversei com meus pais sobre isso, ou sobre namoro, amores, etc. Quando a gente se assume, a gente toca nesse tema de uma forma mais delicada, acho que é por isso que muitos pais se sentem desconfortáveis a princípio. Mas meu pai me disse que me ama do jeito que eu sou e que o mais importante é ser feliz. Isso me deixa tranquilo”. Ele completa afirmando que seus pais não o trataram diferente depois da descoberta, porque não mudou suas atitudes, continuou sendo o mesmo.

Mas, ainda antes disso, em 2013, Ribeiro conheceu o seu atual marido. Igor e Sebastian se conheceram através do Facebook, porque Ribeiro desejava aperfeiçoar seu alemão com alguém da Alemanha e o outro rapaz era alemão.

“Encontrei ele num grupo do Facebook em alemão sobre um jogo que eu gosto e, então, adicionei ele para conversar e treinar o meu alemão. Mas o tempo foi passando, a gente foi se escrevendo mais e começamos a desenvolver um sentimento maior um pelo outro”, revela.

No início de 2016, Ribeiro, que é pomerodense, quis ir para a Alemanha visitá-lo, mas não conseguiu. Então, em novembro de 2016, chegou o primeiro encontro, já que Ordu passou um mês com o amigo em Joinville. “Ele foi muito corajoso, pois ele não fala português e ele nem me conhecia pessoalmente e nenhuma outra pessoa no Brasil”, reconhece Ribeiro.

A partir daí, foram outros três encontros, passando alguns dias ou semanas juntos. Como não aguentavam mais as indas e vindas, e o sentimento continuava o mesmo, decidiram se casar e seguir uma vida juntos, casando-se no dia 08 de junho, na Alemanha.

Os dois optaram por morar na europa, na cidade alemã de Langeoog, por vários fatores, entre eles, a qualidade de vida. No país europeu, segundo Ribeiro, a qualidade de vida é maior, mesmo que tenha problemas como qualquer outro local. “A segurança também é um fator importante. De acordo com o que eu li, Alemanha registrou, esse ano, a menor taxa de crimes em 25 anos. E em Langeoog, então, nem se fala. Uma ilha com cerca de dois mil habitantes não oferece nenhum perigo nesse sentido”.

Realidade que precisa mudar 

Ribeiro, porém, compara as realidades de Brasil e Alemanha com relação ao preconceito. Para ele, no país europeu, existe bem menos preconceito do que no Brasil. “É claro que existem pessoas preconceituosas, mas é um número bem menor do que o do Brasil. Eu posso andar de mãos dadas com o meu marido na rua e as pessoas não estão nem aí. Os alemães não perdem tempo se preocupando com coisas que, na verdade, não deveriam representar nenhum perigo. Seja no trabalho, seja com as mães dos meus alunos, seja com conhecidos, eu posso falar tranquilamente, mencionar que tenho um marido, que ninguém mostra nenhum espanto e nem uma surpresa muito grande. Para os alemães é algo tão natural e sem problema nenhum”, ressalta.

E completa, expondo sobre a situação no Brasil. “O problema do Brasil é que a aceitação ou não dos homossexuais está se tornando algo meramente político. As pessoas pensam que estar de um lado político significa que precisam aceitar ou não pessoas homossexuais. Mas isso não tem a ver com lados políticos. Tem simplesmente a ver com respeito. O que os brasileiros poderiam aprender com os alemães, em geral, é que a homossexualidade não é para ser aceita ou não. É simplesmente para ser respeitada. Os alemães têm o seguinte pensamento: cada um tem o seu estilo de vida - um beijo entre pessoas do mesmo sexo não é violência, é amor. Sendo assim, para quê se incomodar? Se a pessoa faz bem o seu trabalho, se é uma pessoa honesta e que não incomoda os outros, para quê ser contra a felicidade dela? O Brasil poderia avançar mais se os brasileiros deixassem de lado essa preocupação toda com duas pessoas do mesmo sexo tendo um relacionamento. É necessário um engajamento maior em outras áreas mais urgentes - violência, desigualdade, pobreza, fome, educação, etc. Amar e se sentir bem é o que mais importa para o ser humano. Se a relação entre duas pessoas está dentro de princípios mínimos da dignidade humana, não precisamos nos preocupar, muito pelo contrário: o mundo precisa de mais amor”, finaliza.

 



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