Jornal de Pomerode

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Setembro Amarelo: vamos falar de suicídio na terceira idade?

No caso específico dos idosos a ideação suicida não é gerada por impulso corroborando para que as tentativas sejam mais definitivas do que no caso dos pacientes jovens

24115f0d479e5ab060970fb065620861.jpg Foto: Divulgação

O mês de setembro além de ser o mês mundial do Alzheimer também é o mês onde lutamos contra o suicídio. 

Em alusão ao setembro amarelo, precisamos falar a respeito do alto e crescente índice de suicídio na terceira idade no brasil.

Em geral, os principais fatores desencadeantes são a perda de autonomia, seja por doenças degenerativas ou limitações físicas.  Sensação de inutilidade devido cessação das atividades laborativas, questões financeiras, perda de entes queridos, lutos difíceis, isolamento social e o abuso de álcool. Fatores que consequentemente levam a um quadro de depressão.

No caso específico dos idosos a ideação suicida não é gerada por impulso corroborando para que as tentativas sejam mais definitivas do que no caso dos pacientes jovens. 

Porém, eles costumam dar pistas verbais ou de comportamento sobre a perda de perspectiva de vida. 

Na terceira idade há também a classe dos suicidas passivos-crônicos, que são aqueles que cometem um suicídio lento, não claramente manifesto. Por exemplo: recusam alimentação, não aderem aos tratamentos médicos, deixam de tomar os remédios e, até mesmo, provocam as próprias quedas. 

Datas comemorativas, como natal, aniversário, aniversário de morte de um ente querido, dia das mães, pais e etc merecem mais atenção, já que são as datas onde se sentem mais motivados a atentar contra a própria vida.

A família tem uma responsabilidade grande nesse processo, como fator protetor. Muitas vezes na própria casa, o idoso perde o quarto principal e vai para um quartinho nos fundos afastado. Os filhos, quando o levam ao médico, falam por ele, o tratam como criança, o desautorizam. O idoso automaticamente vai perdendo a voz e o próprio espaço. 

É por isso que sempre oriento os familiares a preservarem ao máximo a autonomia do paciente. Assumir todas as responsabilidades do idoso por ele não é a melhor forma de cuidado. O processo do envelhecimento não deve estar interligado com incapacidade. 

Valorize seu familiar idoso, não anule sua personalidade. Ouça o que ele tem a dizer, respeite suas vontades e aproveite para aprender com sua experiencia. Estas medidas aliadas a uma boa dose de carinho são estratégias com garantia de sucesso na prevenção.

Serviço: 

Dra. Nathany Raup é Membro do corpo clínico do Hospital e Maternidade Rio do Testo e da Sociedade Brasileira de Estudos do Envelhecimento; 
Pós-graduada em Geriatria e Gerontologia pela Universidade do Porto, em Portugal e em Longevidade Saudávelno Instituto BWS, de São Paulo.  

 

 



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