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“Represento a possibilidade de renovação da política e da história de Santa Catarina”

Dando sequência à série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado, confira o que disse o penúltimo postulante

73c75fcb3e56f10b21eeb9dcd63e2c39.jpg Foto: Raphael Carrasco/JP

Jornal de Pomerode - Se possível, gostaríamos de saber de sua história e do seu envolvimento com a política.
Décio Lima -
Eu sou um menino que regressa do Regime Militar e cedo despertei à luta pela democracia, onde fui levado a ter um ativismo permanente pelas liberdades democráticas, principalmente no período dos generais Geisel e Figueiredo. Nestes períodos, criei lideranças no movimento estudantil. Primeiro fui presidente de um grêmio estudantil secundário, depois, um grêmio estudantil salesiano e, na universidade, cheguei à presidência de diretórios acadêmicos, do DCE e da União Catarinense dos Estudantes. Tive a honra de ser, também, tocado pela construção do processo democrático brasileiro, que se iniciou no começo da década de 1980, com o pluripartidarismo, onde iniciamos, em Santa Catarina, a construção do Partido dos Trabalhadores, no qual, sou o segundo filiado no estado e, hoje, presidente. Fui vereador na cidade de Blumenau, prefeito por dois mandatos, depois administrei o Porto de Itajaí, quando o levei a ser o segundo maior porto de movimentação de carga de containers do Brasil, que se transformou em um porto cinco estrelas. Estou em meu terceiro mandato como deputado federal. Neste período, fui presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e o único catarinense a ocupar este cargo. Atualmente, sou líder da oposição no Congresso Nacional, onde se reúnem a Câmara e o Senado.

JP – Cite cinco propostas presentes em seu plano de governo.
DL –
Primeiro: eu represento, neste momento, a possibilidade concreta de renovação da política e da história de Santa Catarina. Uma renovação que pretende fazer com o povo catarinense uma nova convenção na sociedade. Uma mudança estruturante, uma mudança de conceito e de comportamento na forma de governar. Um governo e um governador que serão itinerantes durante os quatro anos, pisando nos 295 municípios do estado, com a presença do governador, com a caneta na mão e com o poder que é o orçamento, para, regionalmente, poder, no âmbito das associações dos municípios, construir o que chamamos de orçamento participativo e regionalizado. Extinguir todas estas “geringonças” que chamamos de Agências de Desenvolvimento Regional, portanto, uma concepção nova de governança para Santa Catarina.

Em um segundo momento, um governo que irá rever os processos da educação no nosso estado. Serei um governador que vai dobrar o salário dos professores nos próximos quatro anos, porque acredito que este é o maior patrimônio que o estado tem para garantir um processo de futuro para a nossa gente. Portanto, nós vamos desbloquear, também, a carreira dos nossos professores. Sou um candidato que é filho de uma professora do estado e sabe, também, as injustiças que cometeram contra o magistério catarinense. Vou fazer uma escola que toque e seja tocada pelos avanços tecnológicos. Na área da educação, nós vamos fazer uma verdadeira revolução.

No terceiro ponto, a questão da saúde, cujas questões são todas prioridades. Santa Catarina, hoje, vive o absurdo de se permitir que meio milhão de catarinenses estejam na fila para ter um atendimento de saúde. Nós vamos criar um “SUSc”, o Sistema Único de Saúde de Santa Catarina. Vamos envolver os prefeitos, nas 21 regiões, que fazem a saúde básica. Vamos envolver a estrutura do estado, a filantropia e oferecer para o povo catarinense a saúde em um aplicativo, onde ele o acessa para marcar o seu exame, solicitar seu remédio. Uma saúde, portanto, à altura da dignidade do povo catarinense. Porque o diagnóstico que nós temos é de que o processo da saúde em SC é um problema de gestão, que vamos resolver imediatamente.

Um quarto ponto é a questão da segurança pública. Santa Catarina é um estado em que ocorre um feminicídio por semana. É um estado que permitiu a chegada do crime organizado no nosso sistema penitenciário. Hoje, a população que nós temos no sistema penitenciário é de 21 mil detentos e temos capacidade para apenas 17 mil. O mesmo fizeram com as nossas Instituições. Precarizaram todas. A nossa Polícia Militar, por exemplo, conta com 10.400 efetivos. Na década de 80, esta corporação tinha um efetivo de 13 mil homens e tínhamos uma população de quatro milhões de catarinenses, contra sete milhões hoje. Temos um policial para cada 700 habitantes, quando a ONU recomenda um policial para cada 250 habitantes. O mesmo ocorre com a nossa Polícia Civil, com a Inteligência, com a falta de tecnologia. Vou criar, também, o SUSp, o Sistema Único de Segurança Pública, que envolvam as nossas instituições. 

E o último ponto é a geração de emprego e renda. Santa Catarina tem uma arrecadação de R$ 26 milhões por ano, é o que vamos arrecadar este ano e, ao mesmo tempo, daremos R$ 6 bilhões de renúncia fiscal, de generosidade fiscal, através de uma nova convenção para o povo catarinense. E a darei para as micro e pequenas empresas, para a agricultura familiar e para grandes empresários, desde que gerem empregos e ampliem os seus negócios. Quero que me olhem não como alguém de um partido, mas como um catarinense apaixonado, que vai trazer um novo horizonte para o povo.

JP – Por que decidiu se filiar ao PT?
DL –
Porque o PT é um conjunto de causas que permitiu, ao longo da sua existência, ser depositada a esperança do nosso povo. Uma esperança que trouxe, a partir da eleição do ex-presidente Lula, uma modificação histórica na vida de milhões de brasileiros. Há um Brasil que era só do Carnaval e do Futebol e um Brasil que foi tomado pela esperança de um conjunto de acontecimentos, que se permitiu tirar 40 milhões da linha da pobreza e da miséria, que se transformou em um país do pleno emprego, com 22 milhões de novos empregos que foram criados nesse período. Um país que abriu as universidades aos pobres, para os afrodescendentes e ampliou, nesse período, as vagas de, em torno de 1,8 milhão, para oito milhões, que criou o maior programa habitacional do mundo, que tocou a vida na agricultura. O PT tem essa marca de profunda modificação na história política do nosso país.

JP – Você já exerceu outros cargos políticos, como comentado. Você acredita que isso pode ajudar caso seja eleito? Como?
DL –
Com a experiência exitosa, que me permitiu ser reeleito, na cidade de Blumenau, com 63% dos votos. Uma experiência que me permitiu entregar dois mandatos de prefeito, sendo aferido pelo Ibope, em 2004, com 85% de “ótimo” e “bom”. Uma renovação que me dá condições de dizer para o povo catarinense de responsabilidade, não uma renovação para levar a gestão pública a uma aventura, mas fazer as mudanças que a experiência política já me permitiu fazer. Uma experiência que me dá garantias de ser uma pessoa que sempre tratou a administração pública como uma causa. Quero ser o governador mais apaixonado que a história já teve e o governador que mais vai movimentar este estado nos próximos quatro anos.

JP – Caso eleito, qual seria a sua prioridade para Santa Catarina?
DL
– A prioridade é onde vamos arrumar dinheiro para dobrar o piso, para aumentar efetivo da Polícia Militar, para estruturar nossas escolas e para fazer o que pretendo fazer nos próximos quatro anos, somando, também à política de investimento que quero fazer em infraestrutura, de R$ 10 bilhões. É justamente renovar Santa Catarina e interromper estes absurdos. Somando-se os seis bilhões da renúncia fiscal, trarei os meninos e meninas para dentro das escolas, ganhando mais um bilhão de reais por ano do Fundeb. Vou extinguir as ADR’s, trazendo para os cofres públicos R$ 64 milhões e vou, também, produzir uma política de crescimento da receita e de investimento na economia, com metas de cerca de R$ 2 bilhões por ano.

JP – Na sua opinião, quais serão os principais desafios para um futuro governador do Estado?
DL
– Acreditar no sonho. Eu sou aquele que sonha sem imaginar o tamanho das adversidades. Acreditar que podemos ser um estado onde não tenhamos um menino fora da escola, que não tenhamos ninguém absolutamente excluído, que tenhamos um estado seguro, com nosso povo, que tenhamos uma saúde pública à altura da nossa gente. É neste sentido que eu estou me colocando à disposição para me legitimar junto com o povo catarinense para ser seu governador, a partir de 2019. 

 

Décio Lima é o sétimo governável entrevistado. A sexta edição, com outro candidato, você pode conferir aqui



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