Jornal de Pomerode

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Relatos de quem tem um cuidado especial

Ser mãe já é algo que demanda certas responsabilidades. Ser mãe de uma criança com algum tipo de deficiência, torna-se um desafio ainda maior, na hora de dar todos os cuidados.

932d33a08b042716cc396d971af8b0bc.jpg Foto: -Suzani e AnaRaphael Carrasco/JP

Ser mãe já é algo que demanda certas responsabilidades. Ser mãe de uma criança com algum tipo de deficiência, torna-se um desafio ainda maior, na hora de dar todos os cuidados.

Suzani Cordeiro Hass é mãe da pequena Ana Carolina Alves da Silva, de sete anos. A menina é portadora da Síndrome de Rett, que compromete, progressivamente, as funções motoras e intelectuais, provocando distúrbios de comportamento e dependência. Ana tem dificuldades para se locomover e não consegue pegar nenhum objeto com as mãos, por conta da falta de coordenação motora. 

A menina também possui autismo, o que faz com que ela precise de alguém sempre acompanhando a sua rotina. Para isso, Suzani matriculou Ana na Apae de Pomerode, na qual, fica no período da manhã. A mãe trabalha na parte da tarde, no Fórum de Pomerode, para que possa ficar com a filha antes e logo depois de chegar da Apae.

Ela explica que gostaria de usar o tempo livre pela manhã, para ficar mais tempo com a filha, mas, devido ao acompanhamento médico feito na Apae, não é possível ter a companhia de Ana no período matutino.

“Eu consegui trabalhar em apenas um período para que eu pudesse passar um tempo maior com minha menina. Mas, devido ao acompanhamento médico de que ela precisa na Apae, não são todos os dias em que posso ter a companhia dela. Porém, às vezes, deixo ela ficar em casa para que eu possa passar um pouquinho mais de tempo cuidando dela, assistindo desenhos, fazendo brincadeiras, pois isso deixa qualquer dia mais feliz”, explica.

Suzani tem, também, uma filha mais velha. Alice Alves da Silva, 19 anos, que está cursando psicologia. Ela ajuda a cuidar de sua irmã enquanto a mãe trabalha na parte da tarde. O pai das duas meninas faleceu quando Ana tinha três anos. Porém, a mãe relembra que o seu ex-marido era um pai ausente e, na maioria do tempo, ficava cuidando da filha portadora de necessidade especial praticamente sozinha. Hoje, Suzani tem o apoio de seu segundo marido, Vilson Hass, e a sogra, Inhalise Hass. 

“Só tenho a agradecer ao meu marido, minha filha mais velha e minha sogra, por fazerem parte da minha vida e ajudarem a cuidar da Ana. Se não fosse eles, não saberia o que seria de mim. Eles estão sempre me apoiando, ajudando quando ela precisa de algo, cuidando dela sempre, todas as horas do dia. Fico muito triste quando crianças são abandonadas, ou até, mortas, pelo fato de certas mães não quererem criar as mesmas. Tudo que eu queria era poder ver minha filha saudável, andando, podendo dizer meu nome, brincando com outras crianças. É meu maior sonho. Por isso, não consigo entender como é possível ver essas notícias tão absurdas de abandono e assassinatos dessas crianças”, desabafa.

O cuidado especial de mãe

“O Ser Mãe”  é muito mais do que um parentesco, é uma dedicação contínua e um amor sem tamanho. Em muitos casos, essa vocação é planejada, e em outros, acontece de repente. 

“Virar mãe é muito ‘doido’, sério! Jamais tinha pensado em ser mãe, tanto que, quando descobri que seria, confesso que fiquei assustada, com medo e insegura. Pensei: e agora? Mas, mesmo me sentindo assim, não entendendo o porquê no momento, me enganei completamente. Para mim, foi um novo começo, para me doar mais e me entregar a esse amor enorme que é a maternidade”, relata Thamirys Rezende Klemme, mãe da pequena Sophye, que já teve sua história contada nas páginas do jornal. 

Há sete anos, Sphye vinha ao mundo com muita garra, determinação e um belo sorriso, herdados de sua mãe. Mas, com paralisia cerebral. Mesmo com muitas dificuldades,  o amor prevaleceu e a admiração, pelas superações, continua dia após dia. “Passamos juntas por turbulências, principalmente no ano de 2017, mas superamos tudo isso juntas. Nossa rotina é muito corrida, escola, fisioterapia, fonoaudióloga, neuropsicopedagoga, tudo o que pudermos fazer para melhorar o bem estar dela, nós faremos”, conta Thamirys. 

Sua admiração se estende e chega, também, à sua mãe, a avó de Sophye, Regina, que foi e é, segundo Thamirys, uma mãe dedicada, que lhe ensinou muitos valores. “Minha mãe me orgulha muito. É uma honra ter ela comigo, pois ela é meu exemplo e me espelho muito nela nessa aventura que é ser mãe. Sou muito apaixonada por ela e por minha filha”, conta. 

O Dia das Mães é, por si só, um dia muito importante e emocionante. Nessa mesma data, a mãe descreve que viveu um momento tocante ao escutar as palavras mais bonitas e sinceras vindas de sua filha: “Te amo”. 

Hoje, Thamirys não imagina como seria a sua rotina sem a  filha e declara o quanto ela faz parte de sua felicidade.

“É algo muito forte, muito grande e o melhor de tudo é saber que ela também sente o mesmo por mim, e que nós duas estamos compartilhando esse sentimento maravilhoso, que é sem dúvida, o sentimento mais lindo que pode haver entre mãe e filha. Hoje, eu posso dizer que sou uma pessoa realizada, completa e que já encontrei o grande amor da minha vida”. 



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Créditos: Raphael Carrasco/JP Arquivo pessoal
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