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Quatro ícones do esporte nos deixaram em 2018

Pessoas especiais, quando partem, deixam muitas lembranças, saudades e histórias. E no meio esportivo, esse sentimento se potencializa. No ano de 2018, a morte levou, entre outros, quatro “guerreiros” que contribuíram com o futebol pomerodense e regional.

428f72c4bb6dbdf4714186639d92b84b.jpg Foto: Reprodução

Pessoas especiais, quando partem, deixam muitas lembranças, saudades e histórias. E no meio esportivo, esse sentimento se potencializa.

No ano de 2018, a morte levou, entre outros, quatro “guerreiros” que contribuíram, principalmente, com o futebol pomerodense e regional. E que, com certeza, já têm lugar garantido no coração de cada um.

 

UM APAIXONADO PELO ESPORTE - No dia 17 de janeiro, o esporte pomerodense ficou “órfão” de um dos seus maiores entusiastas. Vítima de câncer, Ingomar Kienen faleceu aos 71 anos, na cidade de Blumenau, deixando dois filhos e um neto. Ele descobriu a doença no dia 22 de dezembro, sendo internado na noite de 01 de janeiro.

Figura conhecida na cidade, iniciou suas atividades profissionais desde muito jovem, nos anos 1950, juntamente com seu pai, como padeiro. A partir de 1981, assumiu o negócio, com seus irmãos, atividade que foi estendida até o ano de 1997. Neste ramo, conseguiu muitos amigos, que se admiravam por sua simplicidade e presteza naquilo que fazia.

Além da sua profissão, exerceu diversas atividades, que muito contribuíram para o engrandecimento da sociedade. Entre elas, estava o rádio, uma vez que foi locutor da Rádio Pomerode, entre 1984 e 1989, apresentando programas de grande audiência, e, também, da Nereu Ramos, atuando no setor de Marketing. Foi um dos fundadores do antigo PFL (hoje Democratas) em nossa cidade, sendo, inclusive, candidato a vereador em duas oportunidades. Também foi presidente da A.P.P. do C.E.I. Rosa Borck, auxiliando no desenvolvimento da instituição escolar. Antes de falecer, trabalhava na BluMob, empresa concessionária do transporte coletivo de Blumenau.

Mas foi no esporte que teve grande notoriedade. Participou da 1ª Volta Ciclística de Pomerode, no ano de 1965, terminando na 5ª colocação. Também atuou como jogador do 25 de Julho (onde foi técnico), Botafogo, Vasquinho e Floresta, além da Cia. Mercantil Victor Probst, na qual jogava na equipe de Futsal.

Assim que se aposentou dos gramados, manteve-se ativo dentro do esporte, sendo um dos fundadores da Liga Pomerodense de Desportos, como 2º secretário. A partir daí, sua atuação dentro da LPD era constante, sendo designado para atuar como Delegado de Partida, atividade que exerceu até os últimos dias da sua vida. Também fez parte da Liga Blumenauense de Futebol, na mesma função.

Por conta disso, a admiração por sua pessoa era muito forte, conforme conta o atual secretário da LPD, Waldemar Wiesner. “O conheci quando eu jogava na categoria juvenil do Floresta. Ele sempre foi apaixonado por futebol, principalmente quando se tratava do Botafogo, nas suas antigas instalações. Sempre o via lá, com o apito, trabalhando em jogos do aspirante. Inclusive, ele era um dos que defendia essa categoria, como forma de incentivar os pomerodenses dentro do futebol”, relatou.

 

UM LEGADO IMENSURÁVEL - No dia 16 de maio, Pomerode também ficou de luto, pela perda de uma figura que deixou sua marca na história da cidade. O ex-prefeito, Eugênio Zimmer, mais conhecido como China, morreu aos 74 anos, na cidade de Itapema, no litoral do estado. Ele deixou dois filhos, uma nora, três netos e uma bisneta, além de um imenso legado para a cidade de Pomerode.

Zimmer foi eleito, em 1982, pelo PMDB, e comandou a cidade no período de 01 de fevereiro de 1983 a 31 de dezembro de 1988. Sua gestão foi marcada pela criação da Festa Pomerana, em 1984, em comemoração aos 25 anos de emancipação político-administrativa da cidade. Além disso, também atuou como vereador, em dois mandatos: de 1973 a 1977 e de 2001 a 2004.

Na juventude, segundo o amigo de muitos anos, Valmor Kamchen, era batalhador e ativo nos esportes, inclusive, como jogador das equipes do Botafogo e Floresta, além de ter feito parte da primeira diretoria da Comissão Municipal de Esportes. Por isso, quando Zimmer se elegeu prefeito, também procurou incentivar a prática esportiva na cidade. Tanto que, no fim da década de 1970, foi presidente do Clube Pomerode C.R.E., revitalizando suas instalações e fundando a piscina do local, em dezembro de 1978. Tanto ela, quanto a quadra de esportes, foram amplamente utilizadas pela população, inclusive, nas competições dos Jogos Estudantis.

“Ele sempre incentivou a educação e o esporte na cidade e tinha uma forma de pensar sempre para o futuro. Ensinou, propagou e lutou pelos valores morais e éticos. Era um eterno professor e dizia que o exemplo não era uma maneira de ensinar, mas sim, a única. Sempre dizia aos jovens: ‘Melhor que o sonho, é sua realização. Sonhem, mas sonhem alto e lutem para realizar seu sonho’”, destacou.

 

O DOM DE UNIR DOIS TIMES RIVAIS - No dia 18 de agosto, a cidade de Pomerode acordou mais triste. Logo nas primeiras horas do dia, a notícia de um acidente com morte, que envolveu um dos ícones esportivos da cidade, chocou a todos. E não por causa de seus feitos, conquistas, troféus ou medalhas. Mas sim, por valores que dinheiro nenhum pode comprar: bondade, altruísmo, amizade, perseverança, carinho, exemplo. Naquele momento, todos lamentavam o falecimento de Sigfrid Jandre, mais conhecido como Zigão, que deixou esta vida vítima de um acidente de trânsito, na noite de 17 de agosto, na localidade que tanto amava.

Jandre foi atropelado na rua Testo Alto, próximo à entrada do Ribeirão Gustmann, por volta das 23h45min. Quando os socorristas chegaram ao local, a vítima apresentava múltiplas fraturas e batimentos cardíacos fracos. Os bombeiros tentaram manobras de reanimação e levaram-no até o HMRT ainda com vida, mas lá, após mais tentativas de reanimação, Sigfrid não resistiu e morreu. Seu sepultamento foi realizado no domingo pela manhã, no cemitério de Testo Alto.

Ele tinha 57 anos e deixou enlutados o pai, Herbert, um irmão, uma cunhada, três sobrinhos e uma legião de amigos, que conquistou, principalmente, pelo seu trabalho voluntário de “gandula”, tanto no Água Verde, quanto no Caramuru, duas equipes rivais, mas que se uniram na dor pela perda do grande Zigão.

“Naquele momento, soubemos que não se tratava de ficção, mas sim, que era verdade. A voz do nosso irmão, que tanto adorava conversar, calou-se para sempre. Aquele sorriso e olhar de amigo se fecharam para sempre. Seus ouvidos já não poderiam mais escutar nossos lamentos, bem como, não teremos mais os abraços incansáveis e carinhosos do Zigão”, comentou o então presidente do Caramuru, Elton Belz.

Já Rolf Porath, diretor do Água Verde, disse que a notícia, logo pela manhã, foi um choque para todos. “Nos perguntávamos porque isso foi acontecer logo com ele, uma pessoa cuja bondade transcendia a sua condição humana. Várias pessoas ligadas ao Água Verde, diretores, jogadores, torcedores e ex-atletas se manifestaram nas redes sociais, lamentando a sua morte e relembrando os bons momentos vividos no nosso clube”.

 

PERDENDO A BATALHA PARA O CÂNCER - Quando perdemos um ente querido, um vazio toma conta do nosso coração. Ainda mais, quando a pessoa em questão era querida por todos. Esse foi o caso de Elias Molinari, ou Elias, zagueiro do Vera Cruz, que nos deixou por volta das 17h30min do dia 10 de novembro, vítima de câncer no estômago. Ele estava internado no Hospital Santa Catarina, em Blumenau, e deixou enlutados familiares, entre eles, a companheira, Natasha Karoline Hempkemeyer, e uma legião de amigos que fez durante os anos em que foi jogador de futebol.

Molinari tinha 33 anos e fez a sua carreira em diversos clubes da região, como Metropolitano, Madureira, Águia, Alvorada, Moura, Loes, Atlético Itoupava e Canto do Rio (Blumenau), Botafogo e Polaquia (Indaial), além de Água Verde e Vera Cruz, de Pomerode, último clube do atleta. Dentro do campo profissional, era funcionário da Metalúrgica Iaga, localizada em Testo Central.

O jogador foi diagnosticado com a doença durante a disputa da Copa Pomerode de Futebol, no mês de abril, tanto que sua última partida de campo foi diante do Floresta, no dia 25 de março. Assim que souberam da notícia, todas as equipes iniciaram um corrente de orações pela sua cura. Na partida entre Vera Cruz e Água Verde, em 08 de abril, antes da volta do intervalo, o jogadores de ambas as equipes fizeram uma oração, no círculo central. Já na grande final, realizada no dia 09 de junho, concidentemente entre Vera Cruz e Água Verde, todos os jogadores do cruzmaltino entraram em campo com a cabeça raspada, como forma de homenageá-lo.

As diversas manifestações, principalmente, nas redes sociais, mostraram o quanto Elias era querido no meio do esporte. O zagueiro Felipe Dávila, amigo e companheiro de equipe, diz que o seu legado é o de uma jornada de amor e dedicação pelo futebol. “A bola era sua parceira nos fins de semana. O futebol o permitiu criar muitos laços de amizades verdadeiras, que, agora, sentem sua perda. No campo pessoal, Elias pode ser descrito como uma pessoa honesta e cheia de princípios, que amava a família e amigos, e não media esforços para vê-los bem. Estava sempre de bem com a vida, apesar das dificuldades, e foi uma pessoa de muita fé. Sua namorada esteve ao seu lado durante todo o tratamento, sendo seu alicerce e sempre acreditando em sua cura. Sua perseverança a fez buscar todos os tratamentos possíveis, seja pela ciência ou pela fé. Éramos confidentes, saímos muito juntos, em casais, e morávamos perto um do outro. Perdi um irmão, não só na ‘bola’, mas na vida”, disse.



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