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Quando a ajuda se torna empecilho

Bases de concreto para sinalização turística são implantadas na cidade e, ainda, sem as placas indicatórias, acabam dificultando o tráfego de pedestres, uma vez que se encontram instaladas sobre as calçadas

338f2751dc1bd649b6f8fcc0af830f33.jpg Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode

Auxiliar o turista a se localizar na cidade, apontando os caminhos para que ele encontre os principais pontos turísticos do município. Por ter o turismo como uma das principais bases econômicas, tornou-se imprescindível que Pomerode investisse em estrutura para atender a quem visita nossa cidade e uma das ações realizadas foi a colocação de placas de sinalização por toda a cidade.

Porém, o que deveria ser uma solução, acabou virando uma dor de cabeça, mas não para os turistas, e sim, para os moradores, que, em época de menor movimento na cidade, precisam lidar com o suporte das placas colocados bem no meio de várias calçadas, atrapalhando o fluxo e obrigando muitos a passarem pela rua, dividindo espaço com os carros.

Diante desta situação, foram inúmeras reclamações de moradores nas redes sociais e, para saber como foi o planejamento da colocação destas placas, procuramos o poder público, para que preste esclarecimentos.

De acordo com Gladys Sievert, secretária de Turismo e Cultura de Pomerode, a colocação da sinalização correta, segundo o trade turístico (conjunto de equipamentos da estrutura constituinte do produto turístico), é um anseio antigo do setor na cidade, pois é uma condição básica para uma cidade que queira oferecer uma estrutura turística adequada.

“As placas são fundamentais devido ao impacto visual que oferecem, pela rapidez com que o turista consegue se localizar e encontrar o caminho para os pontos turísticos. Claro que hoje existem as tecnologias, mas as placas ainda são uma das melhores maneiras de indicar o caminho a ser seguido”, ressalta Gladys.

 A secretária e vice-prefeita de Pomerode também explicou que o projeto para a obtenção de recursos e instalação da sinalização turística já havia sido protocolado pela gestão passada, mas este não foi aprovado pelo departamento de Engenharia da Caixa Econômica Federal, que é responsável pelo repasse de recursos e pela avaliação dos projetos encaminhados.

Em 2017, no início da gestão de Ércio e Gladys, o projeto para a colocação da sinalização turística foi, novamente, trazido à pauta, para que não caísse no esquecimento. Segundo Gladys, a administração entrou com um pedido de prorrogação de prazo para a Caixa, que foi aceito.

“Para a elaboração de um novo projeto, contratamos, por meio de licitação, a empresa curitibana Projevias, que é especializada em sinalização e que, também, atende ao Governo do Estado e ficou responsável pela consultoria na elaboração do projeto e pelo levantamento dos principais pontos onde se faz necessário intensificar a sinalização turística. O projeto foi refeito e, em seguida, reencaminhado à Caixa, para avaliação, sendo aprovado”, relata a Secretária de Turismo.

 

Já em abril de 2017, o Ministério do Turismo confirmou que seria executado o repasse de R$ 250 mil para a cidade, que deveriam ser utilizados, integralmente, para os investimentos na sinalização turística. Ao todo, são cerca de 50 novas placas de sinalização instaladas e, de acordo com a vice-prefeita, após a instalação da primeira parte delas, houve uma avaliação para apurar se a colocação foi executada da maneira adequada, para, somente depois, serem liberadas mais parcelas do recurso total e ser dada continuidade ao processo de instalação.

Porém, o que se viu na cidade, e até mesmo foi pauta na Câmara de Vereadores, foram reclamações a respeito da maneira como as placas foram colocadas, principalmente porque, em alguns pontos, a base e o pilar de sustentação da placa turística foram colocados no meio das calçadas, obstruindo a passagem e dificultando a tarefa para quem tem alguma dificuldade de locomoção. 

Um dos grupos mais afetados, nestes casos, são os cadeirantes. Não há um número exato de pessoas que necessitam deste auxílio para se locomoverem, mesmo assim, sabe-se que existem as pessoas nesta situação e que precisam receber mais atenção. É que o pede Nilton Mueller, cadeirante, ao falar sobre a situação da colocação das placas de sinalização.

“Há vários locais onde existem obstáculos para quem é cadeirante e as placas, agora, são somente mais um deles. Nós sabemos que o turismo é, sim, bom para a cidade, mas não podem se esquecer da população. Uma ideia que poderia melhorar a situação seria colocar a base das placas coladas às cercas e muros, além do fato de que deveria haver um padrão de tamanho para as calçadas e eu acredito que estes locais deveriam ser um local limpo, para que todos possam trafegar com segurança e conforto por elas”, ressalta Mueller.

A respeito da colocação das placas de sinalização turística na cidade, questionamos às secretarias competentes, bem como à assessoria de imprensa da Prefeitura, ainda, sobre por que alguns postes se encontram sem as placas; se não foi analisada a possibilidade de gerar transtorno para quem trafega pelo local ou, até mesmo, se prejudicaria a acessibilidade; e se existe possibilidade de readequação de posicionamento de algumas delas. Porém, não obtivemos respostas até o fechamento desta edição.

Acessibilidade comprometida

Tema recorrente na sociedade, a questão da acessibilidade, seja em locais públicos ou estabelecimentos privados, ainda é bastante problemática, impossibilitando que ações comuns do dia a dia sejam realizadas com facilidade ou, ainda, que nem possam ser efetuadas.

Nilton Mueller, em entrevista, ainda comentou sobre a situação precária em que se encontram muitas das calçadas na cidade, que, além de diversos obstáculos, não oferecem condições adequadas, principalmente, para quem tem alguma necessidade especial. 

“Para um cadeirante, por exemplo, sair sozinho na cidade, é praticamente impossível, pois temos muitas dificuldades, há locais em que não há nem calçada. Pomerode tem, sim, muitos problemas de acessibilidade e somente quem está nesta situação observa estes detalhes”, comenta.



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Créditos: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode
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