Jornal de Pomerode

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Pessoas capazes e lutando pelo seu espaço

Na primeira entrevista da série de reportagens sobre inclusão, conheça um pouco da história do presidente da Apodef, e a luta pelos direitos das pessoas com deficiência

7465f98966289c1675d79709a593a424.jpg Foto: Divulgação

Provar constantemente que é capaz. Esse é grande desafio para as pessoas que possuem alguma deficiência hoje, tanto no Brasil, quanto em nossa cidade. É isto que afirma Fabio Guedert, presidente da Associação Pomerodense dos Deficientes Físicos (Apodef), em relação aos desafios que as pessoas com deficiência enfrentam diariamente.

Ele relata que começou a perceber as dificuldades deste mundo quando sofreu um acidente de trânsito, há cinco anos. Em decorrência deste acidente, Guedert teve a perna esquerda amputada, e foi a partir daí que sua vida mudou. “Foi muito difícil, pois nunca passa pela nossa cabeça que pode acontecer algo assim com você. Tudo mudou do dia para a noite e ficou mais difícil, pois coisas que eu fazia diariamente não conseguia mais fazer ou tinha muito mais dificuldade, como cuidar da propriedade, por exemplo”, conta.

Mesmo assim, ele afirma que nunca ficou sentado, se lamentando e esperando a vida passar. Sempre buscou dar um jeito de cuidar da sua casa e de seguir com a sua vida. Segundo Guedert, o que ajudou muito foi a família, em primeiro lugar, depois os conhecidos e amigos, o que lhe deu força para sempre seguir, além é claro, da Apodef.

“Eu já conhecia a Apodef antes do acidente, por meio de um amigo, que me convidava a fazer parte, mas como nunca tinha muito tempo, acabei não indo. Logo depois que me acidentei, fui a uma reunião para conhecer e gostei muito, por isso, comecei a fazer parte da entidade, o que foi muito bom para mim”.

O presidente da Apodef revela que, na instituição, criou laços de amizade e começou a encarar a vida de uma outra forma. Começou a ver que existiam mais pessoas com deficiência, que não estava mais sozinho, e muitas delas já tinham mais experiência e ajudaram a entender como poderia tornar a sua nova rotina mais fácil, além da aceitação. “Através da Apodef, é o caminho para mostrar que você é capaz”, declara.

E a necessidade de provar, a todo o momento, que é capaz, como citado no início do texto, é uma das grandes barreiras na vida de um deficiente físico ou intelectual. “A sociedade vê o deficiente como uma pessoa incapaz, subestima as capacidades e potencialidades que ela possui. Quando você se torna um deficiente, percebe como as pessoas olham com pena, como se você não pudesse mais fazer nada, e acredito que isso precisa mudar. Nós continuamos sendo muito capazes”, ressalta.

Outro problema que o presidente da Apodef cita é a questão da acessibilidade, que, segundo ele, é tão pouca que é praticamente inexistente, e acredita que haja uma falta de atenção do poder público, de uma forma geral. “Olhando por exemplo as estradas por onde precisamos andar, para as pessoas sem deficiência às vezes já é complicado, então, imagine para nós”.

Mas ele destaca o trabalho de pessoas que ainda lutam, genuinamente, para incluir as pessoas com deficiência. “Na Apodef, lutamos diariamente para a entidade continue em atividade, sempre buscando recursos para melhorá-la ainda mais. Acredito que devemos investir na instituição, para ampliar os serviços, além do que já é feito, como a questão do esporte, que hoje, é quase uma das únicas maneira de incluir”, conta o presidente, que também pratica Tiro Paralímpico e Bocha.

 



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Créditos: Divulgação Isadora Brehmer/JP
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