Jornal de Pomerode

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Personalidades escondidas nas entrelinhas

Grafologia ajuda internos da Casa Solidariedade a entenderem mais sobre si mesmos e o que aconteceu para estarem ali, a fim de mudarem hábitos e se ressocializarem.

23acd8a464fc8f30efc568c6bbc5edc4.jpg Foto: Isadora Brehmer/JP

A Casa da Solidariedade, em Pomerode, atende dependentes químicos e alcóolicos, trabalhando para tornar possível a sua reabilitação. E, recentemente, uma iniciativa voluntária está contribuindo para esta ressocialização. A psicóloga e grafóloga Ilse Calen, de 75 anos, está fazendo a sua pós-graduação em neuropsicopedagogia e seu projeto de pesquisa é baseado na reabilitação dos usuários que vivem na Casa da Solidariedade, por meio da grafologia. O Projeto é intitulado “O Encontro com o meu Verdadeiro Eu”.

“A grafologia é o estudo da personalidade de uma pessoa por meio da sua escrita. Portanto, ao fazerem o curso de grafologia, os internos da Casa da Solidariedade conseguirão entender mais sobre si mesmos, olharem para dentro de si. E, através do autoconhecimento, é mais fácil evitar a depressão e aumentar a autoestima”, explica a grafóloga. 

A participação dos internos é facultativa, portanto, depende da vontade da pessoa de aprender e de se reinventar. Normalmente, participam das atividades de grafologia cerca de nove internos.

Ela também ressalta que os internos que estudam a grafologia e conhecem mais a si mesmos, também desenvolvem mais os sentimentos de humanidade e empatia, tornando-se mais preocupados com o outro e com menos chances de terem uma recaída no futuro.  “Busco trabalhar com eles a compreensão de porque a sua vida tomou esse rumo e, também, a mudança de crenças e hábitos. Com isso, as pessoas conseguem tomar as rédeas de sua vida”, afirma.

As atividades referentes ao projeto são realizadas na Casa da Solidariedade sempre às segundas-feiras e têm cerca de duas horas de duração. Para o diretor da Casa da Solidariedade, Marcos Antônio Marques Godoy, a parceria é benéfica para os internos porque é diferenciada, promovendo a reflexão. “Nós procuramos, aqui, sempre promover atividades diferentes para os internos, para que eles possam deixar o mundo das drogas e do álcool para trás e começar uma nova etapa de suas vidas”, destaca.

Além do projeto desenvolvido na Casa da Solidariedade, Ilse atua como voluntária na Rede Feminina de Combate ao Câncer, atendendo mulheres que recebem atenção da RFCC e têm vontade de aprender mais sobre a grafologia. 

Amor que nasceu na juventude - Desde pequena, Ilse já se interessava pela análise da escrita. Nascida na Hungria, na cidade de Budapeste, em 1943, precisou deixar a Europa com a família por causa da Segunda Guerra Mundial. Ela foi morar no Rio de Janeiro, onde cresceu e realizou a sua formação. Porém, ainda criança, a escrita a fascinava e Ilse, mesmo sem saber ler, pegava as cartas da família que vinham da Europa e conseguia identificar quem a escrevera, apenas pela letra.

Com o tempo, esse gosto foi assumindo tom de seriedade e Ilse decidiu atuar nesta área. “Me graduei em Psicologia e, depois, me especializei em grafologia. Conheci essa ciência por meio de uma colega de trabalho, que era grafóloga, e pediu para que eu escrevesse um texto, para que ela analisasse. Minha colega descobriu coisas sobre mim que nem meu pai e minha mãe sabiam. Foi ali que conheci e decidi que queria seguir esta carreira também”, explica.

Ilse colocou o seu sonho em prática e atuou por anos no Rio de Janeiro, inclusive, durante seis anos, trabalhou com a ressocialização de presidiários que já haviam cumprido a sua pena. Esta experiência, segundo Ilse, lhe permitiu expandir seus horizontes e desenvolver ainda mais a empatia. 

Por causa da importância que percebeu que a grafologia tem na mudança da vida de diversas pessoas, Ilse decidiu tentar implementar um curso em Pomerode. A primeira experiência para teste de público será uma palestra, que acontecerá no dia 25 de abril, na Sala de Cinema da Fundação Cultural, às 18h30min. A palestra é aberta ao público.

“Espero que as pessoas venham conhecer um pouco mais sobre esta ciência e como ela pode ajudar as pessoas a melhorarem sua autoestima e entenderem melhor quem são”, destaca.

 



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Créditos: Isadora Brehmer/JP Isadora Brehmer/JP Isadora Brehmer/JP
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