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Parto: o grande marco da maternidade

Para as mulheres que abraçaram a vocação de ser mãe, o momento do parto é único e um dos mais importantes de sua vida. Por este motivo, o número de mulheres que opta pelo chamado parto humanizado.

189d7083d56d67a196d474b61a43cc20.jpg Foto: -Karina e Yasmim, Su Helen e João, e Zeliana e MelanieIsadora Brehmer/JP

Para as mulheres que abraçaram a vocação de ser mãe, o momento do parto é único e um dos mais importantes de sua vida. Por este motivo, o número de mulheres que opta pelo chamado parto humanizado cresce a cada ano, embora não existam estatísticas oficiais. Uma figura que está diretamente ligada ao parto humanizado é a Doula, cujo significado, segundo a origem grega da palavra é “mulher que serve”.

A Doula tem a função de oferecer suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto. Em Pomerode, são diversas as histórias de mães que tiveram a companhia de uma Doula durante a gestação e o parto, assim como o acompanhamento do obstetra. E, graças a esta harmonia e ao apoio da Doula, trazendo conhecimento e tranquilidade, foram momentos especiais. Conheça alguns destes relatos de partos humanizados e se inspire com a emoção presente em cada uma das palavras.

Dádiva de início de ano

A emoção do início do ano foi ainda maior para a família Reuters em 2018. Isso porque a pequena Melanie não quis nem esperar que as festividades da virada terminassem para vir ao mundo. Era cerca de 00h30min do dia 1º de janeiro quando a bolsa da mamãe, Zeliana Rengel Reuters estourou, surpreendendo a ela e ao marido, Alberto David Reuters Júnior.

“Logo avisei meu marido que estava chegando a hora e saímos da festa sem fazer muito alarde, indo para a casa. Entrei em contato com o meu obstetra, Dr. Alexandre e com a minha Doula, Elisangela Meier, contando a novidade e então fomos nos preparando para este momento tão aguardado. Fomos para o hospital mais tarde, depois de tomar um banho e me preparar, com calma. Chegando lá, fizemos os exames para conferir se estava tudo bem para o nascimento, e logo fui para um quarto, onde a Elis preparou todo o ambiente, tornando-o aconchegante e cheio de amor, perfeito”, relata a mãe.

Foi um processo intenso e rápido e, em cerca de duas horas e meia, a Mel chegou aos braços de sua mãe, por volta das 04h30min. “Foi emocionante e especial, pois o momento do nascimento da Mel foi muito lindo e respeitoso. Quando ela veio ao mundo, foi logo colocada nos meus braços. Eu estava ainda em êxtase, e minha filha estava olhando para mim. Logo veio uma sensação de alerta e olhei para ela, que, com um olhinho aberto, me encarava. Aquele momento transbordou amor”.

Zeliana também fala sobre a relação com a Doula, que começou antes mesmo de ela engravidar, assim como do médico. “A Elis também me proporcionou muito conhecimento antes, e o período pré-gravidez foi muito bom. Li muitos livros com experiências de parto, informações sobre, foi essencial. Me senti preparada com o tempo pela Elis, pois ela me deu muita segurança e apoio emocional, que é muito importante. No momento do parto, tive a confiança de me sentir bem cuidada e o meu marido foi essencial nesta parte, pois a presença dele e da minha Doula se completaram”, ressalta a mamãe, que faz questão de contar sobre o quanto o momento do nascimento da Mel foi mágico na sua vida.

Persistência na decisão do parto normal

A guerreira mãe do João, Su Helen Morsch Marçal, em sua gravidez, tomou a decisão que faria o parto normal e nada fez com que ela mudasse de ideia. 

Assim como Zeliana, ela também procurou o acompanhamento de uma Doula. Até o último mês de gestação, Su Helen era acompanhada por Luize Krambeck, mas como ela também foi mãe, esta indicou uma outra Doula, Elisangela novamente. O acompanhamento com Elis durou somente um mês, mas foi o suficiente para que houvesse muita preparação e conhecimento adquirido.

“O dia do nascimento do João, em junho de 2017, chegou meio de surpresa. Eu lembro de ir me consultar com o meu obstetra na quarta feira daquela semana  e ele ter comentado comigo que a data prevista para o parto já havia passado. Por isso, fizemos um ultrassom, que indicou que havia condições para o parto, decidimos então aguardar pelo momento do João. Então, no sábado comecei a sentir contrações e marcamos de nos encontrar no hospital às 19h neste encontro vimos que o grande dia havia chegado e voltei para casa para me preparar e combinamos que iria para o hospital no meu momento certo. Mesmo tendo aceitado ter meu filho lá, eu fazia questão de que ele fosse o mais humanizado possível. Minha decisão foi apoiada pelo médico, que também esteve junto em todos os momentos” revela Su Helen.

A mãe sentiu que precisava ir mais cedo ao hospital, então ela chamou o seu companheiro e a sua Doula, e foram Somente o marido e a Doula, Elis, estiveram junto no momento do parto. “Fui para a sala de pré-parto e o obstetra foi ver se estava tudo certo. A Elis preparou o ambiente na sala, mas meu parto precisou de intervenções. Uma delas foi que precisei receber ocitocina sintética, Alexandre conversou sobre a necessidade e em conjunto resolvemos usar a ocitocina sintética que é o hormônio fundamental para que o parto ocorra, o que aumentou as contrações”, admite.

O trabalho de parto durou cerca de uma hora e meia, e a Doula esteve junto o tempo todo. Foi quando outra preocupação surgiu pois na secreção tinha mecônio (fezes do bebê) que pode indicar que algo está errado e que pode haver sofrimento do bebê. “Havia o risco de a cesárea ser necessária, novamente conversamos eu, Elis e equipe médica e decidimos que iríamos aguardar o desenrolar e acabou que a mesma não se de necessária. O obstetra precisou fazer uma epistomia,para que o João viesse ao mundo. A todo momento eu era informada sobre a real necessidade das intervenções e em conjunto tomávamos as decisões sempre sendo respeitada a minha vontade. Quando o João nasceu, veio direto para o meu colo, e ficou olhando para mim, foi um momento mágico muito especial. Junto do João nasceu uma nova mulher. Por causa dessa minha experiência, digo que a Elis foi fundamental e me ajudou em tudo. Recomendo muito que as mulheres tenham uma Doula”, destaca.

Mudança de planos necessária

Karina Lange Sczuk também é uma mamãe que teve o auxílio de Elisangela como Doula. As duas já conheciam do trabalho e, quando Elisangela terminou o curso de Doula, em março de 2017, ela se ofereceu para auxiliar Karina, que recém tinha descoberto a gravidez.

“Quando soube, Elis logo se ofereceu para ser doula, e como sempre tive vontade de ter uma, logo aceitei. Desde o início queria que meu parto fosse normal, mas tinha um pouco de medo e Elis ajudou muito nisso. Li muitos livros com relatos de partos de todos os tipos e fui ficando mais tranquila”, conta Karina.
A gestação correu tranquilamente e, no dia 08 de outubro de 2017, no final da manhã, começou a sentir as primeiras contrações. Elas continuaram pelo dia inteiro, mas nunca muito fortes, e durante todo esse tempo já falava com a Elis.  A Doula ficou preocupada com a demora para as contrações aumentarem e sugeriu irem para o hospital ver se estava tudo bem, mas o casal, de início não quis, mas Elis os convenceu.

“Lá, fui atendida e perceberam que havia pouca dilatação e a enfermeira mediu os batimentos do bebê. Sem dizer nada, chamou o médico e fizeram uma nova medição, na qual perceberam que os batimentos da minha filha estavam muito acelerados, o que preocupava. Então o Dr. Paulo informou que deveria ser feita a cesárea, explicando que era pelo bem da Yasmim, minha filha”, revela a mãe.

Karina ressalta que a Doula foi essencial para tranquilizar o casal, que acabou aceitando fazer o procedimento cirúrgico. Na cirurgia, somente o marido a acompanhou. Ela também comenta que estava com muito medo, mas tudo correu bem e, hoje, Karina vê a experiência como uma cura deste medo que sentia.

“A Elis foi muito responsável pelo bem estar da Yasmim, pois insistiu para que fossemos ao hospital. Quando voltei para o quarto depois da cesárea, logo pude dar de mamar para Yasmim, o que foi mágico. Lembro de ter chorado muito quando ouvi o choro dela. São momentos que jamais esquecerei”, garante.

Doula e obstetra: harmonia necessária

A Doula, segundo Elisangela Meier, tem a responsabilidade de garantir que ninguém atrapalha ou interfira naquele momento, a não ser que seja necessário para a segurança de mãe e bebê. “Temos a função de deixar a mulher tranquila durante o parto e também de garantir que o nascimento seja respeitoso, durante todo o processo. É uma honra poder estar presente nestes momentos que são os mais importantes da vida delas. Acabei criando um vínculo forte com as mães que ajudei, pois você se envolve naquele momento”, declara a Doula.

Ela também destaca  que outro ponto importante, que ela faz questão de deixar claro é que, por lei, as Doulas são autorizadas a acompanhar a mãe durante o parto, mesmo que for uma cesárea. Além disso, todos os hospitais devem aceitar o plano de parto feito pela gestante, no qual está especificado tudo o que ela gostaria e não gostaria que fosse feito naquele momento.

O obstetra e ginecologista, Dr. Roberto Amorim Moreira, destaca que o suporte da Doula é importante por ser psicológico, e o do médico é importante por ser clínico e garantir que nada acontecerá.

Outro ponto que ele ressalta é a opção de parto da mulher. “Opção do parto é sempre conversada com muita antecedência e a escolha é inteiramente da mulher. Ressalto também que o pré-natal é sempre fundamental, junto ao bom acompanhamento, assim como o bom relacionamento entre médico e paciente, com confiança mútua”, afirma.



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Créditos: Isadora Brehmer/JP Isadora Brehmer/JP
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