Jornal de Pomerode


O mais sustentável do mundo

Pomerode possui exemplos, locais propícios e estrutura para a utilização deste meio de transporte. Mas a palavra chave para funcionar é respeito. Confira benefícios, regras e uma história de quem usa a bicicleta como meio de transporte.

b1539351641a6d338fdf101bf5b40602.jpg Foto: Isadora Brehmer/JP

Devido ao relevo e à cultura de Pomerode, utilizar a bicicleta é uma prática comum entre os moradores da cidade. Porém, é preciso sempre incentivar as pessoas a continuarem esta tradição e utilizar a bicicleta não só para o lazer e para se exercitar, mas também como meio de transporte, para ir à escola ou ao trabalho. 

Foi o que fez a professora Wandreia Silva, de 46 anos, que há cerca de um mês e meio, decidiu mudar o seu meio de transporte e ir trabalhar sempre com a sua bicicleta elétrica. Responsável pelas aulas de empreendedorismo e geografia para as séries finais nas escolas Amadeu da Luz e Hermann Guenther, quando o tempo colabora, ela sempre utiliza a bike como meio de transporte para chegar e ir embora do trabalho. 

A iniciativa começou nas próprias aulas de empreendedorismo, a partir do objetivo de trabalhar a ideia de responsabilidade social com os alunos, entrando no assunto dos sete R’s. “Pensei no que eu, como professora, poderia fazer para incentivar práticas sustentáveis. Foi então que surgiu a ideia de usar a bicicleta para vir trabalhar, a exemplo dos países mais desenvolvidos, principalmente na Europa”, relata a professora. 

Ela afirma que a cidade, no seu ponto de vista, tem todas as condições propícias para que o uso dela seja como meio de transporte principal de uma pessoa. “A bicicleta também vai auxiliar na mobilidade urbana, pois com um número menor de carros, o trânsito flui melhor, além de ser um meio rápido e sustentável. Hoje eu não consigo mais não agir dessa maneira”, conta Wandreia. Ela ressalta, ainda, que, para que a prática funcione, é preciso que todos sigam sempre as regras do trânsito, para que haja uma boa convivência.

“Como uso a bicicleta elétrica, tem um limite de velocidade estabelecido por lei, que é de 25 quilômetros por hora. Além disso, procuro sempre respeitar os limites e o espaço de cada um. Há lugar para todos, basta que todos façam a sua parte. Inclusive, sonho que este seja o principal meio de locomoção na cidade e que haja mais investimento para esta área”, comenta. 

Cuide de si e do planeta

Exemplos como o de Wandreia, podem e devem ser seguidos por mais pessoas, porque o ato de andar de bicicleta traz benefícios não só para a saúde, mas também para a cidade, principalmente na questão da sustentabilidade, como é frisado pela professora. O meio de transporte de duas rodas, é considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) o mais sustentável entre todos. 

Além disto, andar de bicicleta oferece vários benefícios para a saúde do ciclista. Segundo a Revista Bicicleta, apenas 10 minutos de bicicleta já repercutem nos músculos, na irrigação sanguínea e nas articulações. A partir de 30 minutos, aparecem influências positivas nas funções do coração e também para melhorar a memória, raciocínio e planejamento, combatendo também a ansiedade. A partir de 50 minutos, é estimulado o metabolismo lípidico. Os benefícios de andar de bike de forma regular, ainda, reduzem o seu risco de enfarte em, aproximadamente, 50%. 

Para quem quer um plano mais detalhado, os benefícios são os seguintes: 10 minutos - Melhoria das articulações; 20 minutos - Reforço do sistema imunológico; 30 minutos -  Melhoria a nível cardiovascular; 40 minutos - Aumento da capacidade respiratória; 50 minutos - Aceleração do metabolismo; 60 minutos - Controle de peso, anti-stress e bem estar geral. (Fonte: Revista Bicicleta)

Infraestrutura e regras

Mas, para que a população possa, realmente, utilizar este meio de transporte, sem pôr em risco a sua segurança ou bem estar, é necessário que haja uma infraestrutura adequada. Além disso, quem tem a intenção de começar a utilizar este meio, precisa ter em mente que respeito é palavra chave. 

Segundo informações da Gerência de Trânsito de Pomerode (Getran), a cidade tem cerca de 15 quilômetros de ciclovias, mas, como a quantidade de pessoas que utilizam este meio de transporte aumenta cada vez mais, a intenção é também tornar maior a quantidade de quilômetros da cidade que possuem a ciclovia. E, por esta razão, a cooperação de todas as partes que integram o trânsito da cidade é fundamental. 

Tratando ainda sobre os ciclistas, é fundamental que eles entendam que a bicicleta também é um veículo. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a bicicleta é classificada como veículo de propulsão humana, sendo assim, o ciclista deve respeitar quase as mesmas regras dos motoristas. 

“Principalmente quando falamos de respeitar o sentido de circulação da via, utilizar a ciclofaixa ou ciclovia, quando houver este recurso, sinalizar suas intenções, utilizar os equipamentos de segurança e desmontar da bicicleta ao atravessar na faixa de pedestre ou ao usar a calçada”, ressalta Daniel da Luz, gerente da Getran.
Este último ponto, principalmente, é pouco observado e praticado pelos ciclistas, em sua maioria. Enquanto produzia a reportagem, a equipe observou que, em um intervalo de tempo de 30 minutos, apenas três ciclistas desmontaram de sua bicicleta para atravessar a rua na faixa de pedestres, entre os cerca de 70 que passaram pelo local, no centro da cidade.

Ele reforça, ainda, que para que as coisas funcionem no trânsito, a palavra de ordem é respeito. “O trânsito é algo que todos necessitamos para realizar nossas tarefas diárias. Em um mesmo dia somos pedestres, ciclistas, motoristas e passageiros. O que acontece, muitas vezes, é que falta empatia para com os pedestres quando somos motoristas. A partir do momento que assumimos uma posição, como motorista, por exemplo, esquecemos as dificuldades de quando somos ciclistas. Esta é uma dificuldade de muitas cidades. E sempre vale lembrar que o CTB deixa claro que os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela segurança dos pedestres”, coloca. 

Em 2018, o respeito deve prevalecer ainda mais, já que pedestres e ciclistas poderão ser multados caso desrespeitem as normas previstas no CTB. A decisão do Departamento Nacional de Trânsito foi anunciada no dia 27 de outubro e prevê que ciclistas e pedestres também poderão ser multados caso transitem fora da área que lhes é permitida. A cobrança de multa já estava prevista no CTB de 1997, mas nunca foi aplicada porque não havia uma regulamentação de como seriam cobradas. 

A multa para o pedestre que ficar no meio da rua ou atravessar fora da faixa, da passarela ou passagem subterrânea será de R$ 44,19 - o equivalente a metade do valor da infração leve atual. Já os ciclistas que andarem onde a circulação não é permitida, ou guiem de “forma agressiva”, receberão multa de R$ 130,16, que é o valor da infração média. Além da multa, a bicicleta poderá ser “removida”.

Precisamos entender que o trânsito precisa de atenção independente da maneira como você se locomove. Assim podemos observar a sinalização, respeitá-la e nos comunicar melhor evitando os acidentes. A grande parte dos acidentes acontece em virtude do desrespeito das regras do CTB, excesso de velocidade, falta de atenção, desrespeito da sinalização, etc. É obrigação de todos evitar que o trânsito se torne perigoso ou que você seja um obstáculo para os demais usuários da via.



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