Jornal de Pomerode

Edição Impressa



O cuidado de quem sempre cuidou de nós

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que, a partir de 2039, o Brasil terá, em média, mais pessoas idosas do que crianças, de até 14 anos

6e73f279e57fadb47b216b2667dc90d0.jpg Foto: Divulgação

No dia 1º de outubro é comemorado o Dia Internacional do Idoso. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data tem como objetivo sensibilizar a sociedade para o envelhecimento e alertar sobre a importância de proteger e cuidar dos idosos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que, a partir de 2039, o Brasil terá, em média, mais pessoas idosas do que crianças, de até 14 anos.

O estado de Santa Catarina, por sua vez, atualmente, é o estado do Brasil com a maior expectativa de vida ao nascer, para ambos os sexos (79,7 anos). Em 2060 deverá, ainda, manter a liderança chegando à expectativa de 84,5 anos. Sendo assim, está mais do que na hora de os serviços de saúde serem focados no atendimento da população idosa.

Infelizmente, o Brasil não está preparado para atender a demanda desta população. Segundo o médico geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Dr. José Elias Pinheiro, o tratamento dos idosos nos serviços de saúde é ineficaz. “Faltam profissionais capacitados na ponta (atenção primária), há muitos encaminhamentos equivocados, excesso de medicalização e pedidos desnecessários de exames”. Ou seja, o idoso passa por vários especialistas, tratando suas comorbidades de maneira fragmentada e não é visto como um todo, que seria o ideal.

O tratamento e acompanhamento integral do paciente idoso é fundamental para o sucesso dos tratamentos, e evita problemas corriqueiros, como a polifarmácia.

 A polifarmácia (uso concomitante de múltiplos medicamentos) é uma prática não só perigosa, como onerosa. É comum nos pronto-atendimentos dos hospitais, idosos procurarem atendimentos com queixas que são decorrentes de efeitos adversos do uso de diversos medicamentos. Por se tratar de um serviço de emergência, o idoso acaba sendo tratado para o sintoma, adicionando mais medicações ainda ao seu dia a dia, criando uma bola de neve, gerando ainda mais gastos aos serviços públicos e prejuízos à saúde, já que alguns medicamentos podem trazer mais malefícios do que benefícios aos pacientes longevos.

O idoso precisa de uma atenção especial devido às suas particularidades, o que exige investimento em programas de atenção aos idosos, visando não só sua qualidade de vida, como também sua inserção e resgate social, o que merece a atenção de profissionais qualificados e que desenvolvam um atendimento condizente com as necessidades dos usuários idosos. 

O acompanhamento de um médico e uma equipe multiprofissional especializada na área de geriatria é uma boa opção para aqueles idosos que são tratados por diversos médicos de várias especialidades, e acabam se confundindo com tantos remédios e exames. 

Geralmente, em consultas mais demoradas, este profissional avalia a memória e capacidade física do idoso, além de fazer uma avaliação global, que envolve, além da saúde física, também as questões emocionais e sociais, compreendendo melhor as alterações na estrutura do corpo e o metabolismo do organismo do idoso, sabendo indicar melhor os remédios que são apropriados ou não apropriados para o uso nesta idade. Vale lembrar que a avaliação com os demais especialistas segue de suma relevância e não deve ser substituída. 

“Respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito, pois um dia seremos todos idosos.”



Veja também:









Publicidade

  • 
    50b2324f0aa1127b27ce46c6d6dd7ed4.jpg