Jornal de Pomerode

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O cuidado de quem lida com a terra e com a vida

No dia em que é comemorado o Dia do Agricultor, conheça uma família que dedica sua vida ao trabalho do campo

47c9fb4a8d0ba3aa2c3a04901410541a.jpg Foto: Matheus Martins/JP

É antes mesmo do cantar do galo que o dia começa. No rancho, na terra ou na roça, faça sol ou chuva, o agricultor trabalha, com dedicação e cuidado, para garantir, na mesa de toda a população, das frutas do café da manhã ao leite daquele cafezinho no fim da tarde. 

Anualmente, no dia 28 de julho, é comemorado o Dia do Agricultor, reconhecendo, assim, a importância da atuação destes especialistas em como lidar com a terra e com a vida. 

A data foi criada no ano de 1960, através do Decreto de Lei nº 48.630, em comemoração aos 100 anos da fundação do Ministério da Agricultura. O então presidente da república, Juscelino Kubitschek, foi quem assinou a lei, determinando a homenagem a quem movimenta um dos principais setores econômicos do país. 

Em Pomerode, de acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Rural, são cerca de 3.000 cadastros rurais ativos. Entre eles, está a família Gumz, de Testo Alto. 
A família de agricultores tem como uma das formas de renda a produção de leite. Para consumo próprio, cultivam o aipim e legumes, como cenoura alface, couve e outros. 

A residência, afastada da cidade, onde moram os cinco - Nelson e Rita, o filho Edson, a esposa Marilúcia e a neta Caroline Thainá Gumz -, é herança da família, assim como a experiência da agricultura, que possibilita à família ter a sua renda, através da venda do leite. Ao todo, os Gumz produzem, em média, 450 litros por dia.

Para que a meta de produção diária de leite seja cumprida, a rotina precisa ser seguida, para que tudo ocorra da melhor forma. “No rancho, antes de tudo, picamos trato, colocamos no coxo, com o farelo em cima. Então, as vacas vão para a ordenhadeira, onde é tirado o leite. Depois disso, as vacas vão para o coxo e, enquanto elas comem, a gente come também, e quando estamos satisfeitos, soltamos as vacas todas para fora e vamos para a roça. De meio dia voltamos para casa, e de tarde, voltamos para fazer a mesma coisa”, explica Marilúcia.

A agricultora, porém, fala que, nos dias mais frios, é complicado manter a rotina, justamente por causa das temperaturas mais baixas, mas que, mesmo assim, continuam com a sua produção. “A gente gosta de fazer. Alguém tem que fazer, se não o pessoal não tem do que viver”, ressalta. 

Rita Gumz, 73 anos, e Nelson Gumz, 75, mesmo com a idade avançada, não deixam o serviço de lado e ajudam como podem. Rita conta que gosta muito de trabalhar com a terra, mas que prefere mesmo é cozinhar e fazer pão, com alguns produtos de adquiridos no próprio terreno. Já Nelson relata que ajuda de vez em quando, mas não muito, devido às suas condições de saúde, porém, sempre gostou muito de tirar leite.

Para eles, morar longe da cidade é mais tranquilo e traz mais qualidade de vida. “Não sentimos falta de nada aqui, estamos acostumados e muito bem”, afirma Marilúcia, de 29 anos. Nelson, conhecido carinhosamente pelos familiares como Opa, reconhece que a vida no campo é mais serena e sossegada. 

Marilúcia fala, ainda, sobre a importância que a família, e outros agricultores, têm para a sociedade como um todo. “Se não fossem pelos agricultores, que fazem a sua parte, na cidade ninguém teria alimento, não haveria produtos para comprar. Os mercados dependem dos agricultores. Sem eles, não teria como sobreviver”.

O secretário de Desenvolvimento Rural de Pomerode, Sirio Jandre, reforça, também, a importância da agricultura para a cidade. “Pomerode começou a sua história com a agricultura muito forte, aqui já foi uma bacia leiteira e já houve um desenvolvimento muito forte neste setor. E hoje, a agricultura passou a ser um complemento de renda para estas famílias. E, ainda, muitos trazem para seus produtos o princípio de produzir sem agrotóxicos”, coloca.

Ele também fala sobre as iniciativas que o poder público ainda adota para incentivar a prática da agricultura. “A secretaria de Desenvolvimento Rural tem muitas iniciativas para o homem do campo, como a inseminação artificial na pecuária, atendimento veterinário gratuito, atendimento de técnicos agrônomos, patrulha mecanizada e todas as orientações em relação a financiamentos. Outros municípios já deixaram de atender esse tipo de demanda, estão terceirizando os trabalhos, deixando para os agricultores procurarem, e Pomerode se mantém firme, dando todo o apoio necessário aos agricultores do município”, disse.

 



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Créditos: Matheus Martins/JP Matheus Martins/JP Matheus Martins/JP Matheus Martins/JP
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