Jornal de Pomerode


Nunca é tarde para aprender

Alunos do Ueja, de Pomerode, enaltecem a importância dos estudos como complemento social e para crescimento pessoal

Todo ser humano est&aacute; nesse mundo para evoluir, seja pessoalmente e/ou profissionalmente. Algumas pessoas, quando em idade escolar, n&atilde;o conseguiram concluir seus estudos, contam hoje com o apoio da Unidade de Educa&ccedil;&atilde;o de Jovens e Adultos (UEJA).</p> <p><br />Para expressar essa extensa caminhada, dois alunos escreveram sobre a import&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o em suas vidas e, tamb&eacute;m, aos alunos que fazem parte da institui&ccedil;&atilde;o.</p> <p><br />Jo&atilde;o Batista da Silva, &eacute; aluno de matem&aacute;tica, artes e iniciou os estudos nesse ano, no Ueja. Ele reitera a import&acirc;ncia do primeiro passo. "Meu nome &eacute; Jo&atilde;o Batista, sou natural de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, e tenho 46 anos. Esse ano comecei meus estudos na UEJA- Unidade de Educa&ccedil;&atilde;o de Jovens e Adultos, em Pomerode. O meu retorno &agrave; escola se deu atrav&eacute;s do incentivo da minha esposa, pois deixei meus estudos aos 16 anos. Naquela &eacute;poca eu n&atilde;o sabia, mas tinha adquirido um dist&uacute;rbio de aprendizagem, provavelmente advindo de um trauma ocorrido na inf&acirc;ncia, durante o quinto ano (antiga quarta s&eacute;rie). Toda vez que eu era chamado para ir at&eacute; a lousa para resolver algum c&aacute;lculo, por mais simples que fosse, eu n&atilde;o conseguia e meus colegas "zombavam" de mim. Antes n&atilde;o existia o termo "bullying" e nem puni&ccedil;&atilde;o para quem o fizesse, portanto, resolvi me afastar da escola. De 1986 at&eacute; 2010 me tornei autodidata, pois lia e aprendia sobre v&aacute;rios assuntos, sempre sozinho em casa. Guardo uma rel&iacute;quia comigo, um ba&uacute; com livros, que &eacute; o meu tesouro, trancado a sete chaves. Essa pequena biblioteca particular proporcionou todo o conhecimento que tenho hoje. Em 2010, resolvi superar meus traumas e me matriculei no CEJA- Centro de Educa&ccedil;&atilde;o de Jovens e Adultos, em Blumenau. Devido &agrave; localiza&ccedil;&atilde;o da escola e minha intensa carga de trabalho, abandonei o barco, mais uma vez. Hoje, n&atilde;o s&oacute; voltei a uma sala de aula como tamb&eacute;m aprendi a gostar novamente da disciplina de Matem&aacute;tica. A prof&ordf; Graciane &eacute; a grande respons&aacute;vel pela minha perman&ecirc;ncia na escola, pois com sua dedica&ccedil;&atilde;o e dinamicidade, faz com que eu me sinta &agrave; vontade e bem capaz de aprender a disciplina que antes tanto temia", ressalta.</p> <p><br />Sandra Mara Santos &eacute; aluna do Ueja desde 2015 e pretende concluir seus estudos at&eacute; o fim deste ano. Para Sandra, aluna de L&iacute;ngua Portuguesa, voltar a estudar &eacute; fundamental. "Nunca pensei que seria t&atilde;o empolgante a minha volta &agrave; escola! Posso estar cansada do dia a dia, mas nunca falto &agrave;s aulas, pois sei que se faltar terei conte&uacute;do a menos. N&atilde;o sou de desistir f&aacute;cil das coisas que eu quero fazer e quando come&ccedil;o tenho que terminar. J&aacute; ouvi pessoas falando que n&atilde;o voltam a estudar porque est&atilde;o velhas e outras cansadas, mas na verdade, esquecem que &eacute; necess&aacute;rio mesmo ter vontade e determina&ccedil;&atilde;o e &eacute; nisso que eu estou me agarrando. O engra&ccedil;ado &eacute; que hoje volto &agrave; minha inf&acirc;ncia e relembro de como eu era t&iacute;mida, tinha medo de falar, de aparecer, sempre me escondia e quando tinha prova ent&atilde;o... era o meu pior dia e chegava a suar frio.</p> <p>&nbsp;</p> <p>Por&eacute;m, de conversar com meus colegas de classe eu n&atilde;o tinha vergonha, vai entender n&eacute;? Por isso eu sentava l&aacute; atr&aacute;s e as professoras de Hist&oacute;ria e Geografia j&aacute; me conheciam e me trocavam sempre de lugar. Colocavam bem na frente e diziam que era pra ficar de olho em mim, pois eu falava demais com as amigas, &eacute; claro. Eu nunca fui a melhor aluna, mas tamb&eacute;m n&atilde;o era a pior, sempre conseguia passar de ano. Eu tinha uma amiga, e estudamos juntas da 4&ordf; &agrave; 7&ordf; s&eacute;rie. Bem no meio do ano, ela foi transferida para um Col&eacute;gio da Pol&iacute;cia Militar, pois seu pai era um policial e tinha conseguido uma vaga para ela.</p> <p>&nbsp;</p> <p>Fiquei triste, pois sabia que tinha perdido uma grande amiga e eu nem ligava mais para os estudos, pois n&oacute;s duas t&iacute;nhamos um lema: "brincar, mas sempre estudar". Foi ent&atilde;o que eu e mais tr&ecirc;s colegas formamos um grupinho e "mat&aacute;vamos" aula toda semana. Tinha uma delas que sempre sabia para onde ir&iacute;amos. Ainda bem que eu morava em uma cidade grande e nunca encontrei nenhum vizinho. Talvez seria melhor se tivesse encontrado algu&eacute;m que contasse para minha m&atilde;e logo, pois ela me colocaria nos eixos rapidinho. Nesta fase da minha vida eu tinha 13 anos e estava cursando a 7&ordf; s&eacute;rie. Desde ent&atilde;o, comecei a ser reprovada e, aos 16 anos, desisti de estudar. Logo vieram os meus filhos, aos 17 e 18 anos. Depois, tentei por duas vezes voltar a estudar, mas, com os filhos pequenos, foi bem dif&iacute;cil e logo desisti. Voltando aos dias atuais, em 2015, com 41 anos de idade, procurei a UEJA para voltar a estudar. Como n&atilde;o tinha meu Hist&oacute;rico Escolar, fui submetida &agrave; Prova de Profici&ecirc;ncia para poder ser matriculada nos Anos Finais do Ensino Fundamental. Voltei a estudar, s&oacute; que agora foi pra valer! J&aacute; eliminei algumas disciplinas e, este ano, termino o Ensino Fundamental. No pr&oacute;ximo ano come&ccedil;o o Ensino M&eacute;dio e n&atilde;o vou parar por a&iacute;, n&atilde;o. Pretendo entrar na faculdade de Nutri&ccedil;&atilde;o, quero ter o meu diploma e exercer a profiss&atilde;o. Hoje eu participo das aulas sem receio, gosto de ler, fazer e responder questionamentos, pois venci a vergonha. Gosto de participar e quero aprender mais a cada dia. Tem coisas que v&atilde;o e n&atilde;o voltam mais. Eu sei disso, mas por outro lado, acredito que podemos recome&ccedil;ar de onde paramos e mudar o futuro da nossa hist&oacute;ria de vida. Foi o que eu fiz e estou me sentindo cada vez mais realizada", finaliza.</p> <p>&nbsp;</p>


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