Jornal de Pomerode

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No prato, um estilo de vida

Mercado vegetariano vem crescendo a passos longos no Brasil

80962ffcfa548ca34b9d03e5d9fc809c.jpg Foto: Divulgação

Segundo uma pesquisa inédita do Instituto Brasileiro de Opinião Pública (Ibope), de 2018, o número de vegetarianos no Brasil chegou a 29 milhões, quase  o dobro se comparado aos  últimos seis anos. 

Mas, antes de tudo, do que se trata e por quê as pessoas param de comer carne? 

De acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SBV) o Vegetarianismo é o regime alimentar que exclui todos os tipos de carnes. Pessoas adeptas podem ser classificadas da seguinte forma: 

- Ovolactovegetarianismo: utiliza ovos, leite e laticínios na sua alimentação. 

- Lactovegetarianismo: utiliza leite e laticínios na sua alimentação.

- Vegetarianismo estrito: não utiliza nenhum produto de origem animal na sua alimentação.

- Ovovegetarianismo: utiliza ovos na sua alimentação.

Os motivos pelos quais as pessoas param de comer carne e se tornam vegetarianas são variados. Há quem não goste do alimento, outros que sentem por estar comendo um animal e, também, por uma busca maior de qualidade de vida. Mas, realmente é um diferencial para a saúde? 

Em um programa da BBC, chamado de “Confie em mim, sou médico”, o doutor e apresentador Giles Yeo resolveu seguir uma dieta sem carne, durante um mês, afim de comprovar os efeitos que a prática teria em sua sáude e os desafios que enfrentaria. 

Durante a experiência, Yeo comprovou a dificuldade de alimentação, uma vez que a maioria dos produtos tem procedência animal. Além disso, outro desafio identificado por ele, foi o de  substituir a carne e outros por uma alimentação rica em nutrientes importantes e indispensáveis para o bom funcionamento do corpo, como como vitamina D, cálcio, ferro, ômega-3 e proteínas. Para realizar essa substituição, foi necessário o consumo de alimentos fortificados, como leite de soja, leite de arroz, suco de laranja e cereais. Uma Universidade de Florença, na Itália, preocupada com a saúde dos adeptos, resolveu fazer uma pesquisa, também, quanto aos benefícios da prática. E, ao examinar 10 estudos sobre, concluiu que a resposta é sim.  A dieta pode ser saúdavel, porém, se seguida corretamente. Os acadêmicos compararam a saúde de pessoas que não comem carne a de pessoas onívoras - que comem de tudo- e concluíram que a alimentação de base vegetal ajuda a diminuir a incidência de câncer (em até 15%) e problemas de coração. Porém, não foi notado nenhuma diferença quanto a taxa de mortalidade. 

O médico Yeo, por sua vez, após um mês na dieta, perdeu quatro quilos e conquistou uma cintura mais fina. Seu nível de colesterol caiu em 12%. “O que mais fez falta foram os ovos, mas esperava que seria mais difícil”, disse em entrevista a BBC. 

Ainda segundo o Ibope, outro indíce que vem crescendo é de produtos veganos, ou seja, sem qualquer ingrediente de origem animal.  O movimento é chamado de “boom do vegetarianismo”. 

Dados da SBV mostram que, do mês de janeiro de 2012 a dezembro de 2017, a busca pelo termo, em pesquisas, cresceu 14x no Brasil.  Os números ainda apontam que, no país, cerca de 240 restaurantes são voltados aos públicos vegetariano e vegano.  O “boom” não aconteceu apenas no Brasil. O crescimento do mercado nacional reflete, também, em tendências mudiais, como no Reino Unido e Estados Unidos. 

É perceptível, também, em estabelecimentos comerciais a presença de mais produtos voltados ao público. Nos supermercados, já é possível encontrar muitos alimentos em versões veganas, como nuggets, presuntos, kibes, coxinhas, salsichas, lingüiças, sorvetes e requeijões. Em matéria publicada pela Folha de S. Paulo, empresários afirmaram o prestígio deste segmento alimentício. Juliana Berbert, consultora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas empresas alegou, em entrevista ao jornal, que o nincho é uma tendência de mercado da década e que veio para ficar. A exemplo, a empresa Mr. Veggy, especializada em alimentos congelados, teve um salto em seu faturamento nos últimos anos, ao aumentar de R$ 15 mil, no ano de 2009, para R$ 1,9 milhão até o fim de 2016 e continua em crescimento. 



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