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Medalhas: sinônimo de trabalho e dedicação

O Atletismo, em Pomerode, está voltando aos seus áureos tempos, com conquistas importantes de seus atletas. E um deles fez história na cidade de Cochabamba, Bolívia, durante o XXIII Jogos Sul-Americanos Escolares, ao trazer três medalhas na bagagem.

d130b9881d7f6473fb9ed795571b6bc6.jpg Foto: -Daniel Raduenz vem se destacando no atletismoRaphael Carrasco / Jornal de Pomerode

O Atletismo, em Pomerode, está voltando aos seus áureos tempos, com conquistas importantes de seus atletas. E um deles fez história na cidade de Cochabamba, Bolívia, durante o XXIII Jogos Sul-Americanos Escolares, ao trazer três medalhas na bagagem.
Daniel Raduenz foi o ouro no Arremesso de Peso, com a marca de 16,93m; prata no Lançamento do Martelo, com 50,32m; e mais um ouro na sua especialidade, o Lançamento do Dardo, estipulando a marca de 54,66m. Além disso, Odair dos Santos, o popular Chico, integrou a Seleção Brasileira como técnico.
Confira a entrevista dada ao JP Esporte, na qual os dois comentaram sobre a competição internacional e os planos para o futuro da modalidade.
 
JP Esporte - Como foi, para você, conquistar essas medalhas para a cidade de Pomerode, Santa Catarina e para o Brasil também?
Daniel Raduenz - Para mim foi inesperado, porque eu vinha treinando mais o Lançamento do Dardo e, de vez em quando, treinava o Arremesso de Peso. Conquistar duas medalhas era o meu objetivo. A primeira foi o ouro no Peso, com direito a bater meu recorde pessoal. Logo após, veio a prata no Lançamento do Martelo, uma prova que eu não vinha treinando, o que me deu mais motivação ainda para o Lançamento do Dardo. Neste momento, estava mais aliviado, justamente por ter ganho medalhas em provas que não eram o meu “forte”.
 
JPE - Você, como treinador, foi convocado para integrar a Seleção Brasileira, na Bolívia. Qual a sensação de ver o Daniel trazer três medalhas do Sul-americano?
Odair dos Santos - Foi uma experiência única, poder viajar junto com o atleta é sempre muito bom, uma vez que, dificilmente, você vai trabalhar com os mesmos atletas em Seleções Escolares. Estavam todos bem preparados e, no caso do Daniel, fomos com a ideia de fazer bons resultados e trazer, pelo menos, duas medalhas. A gente sabe que a prova do Daniel sempre foi o Lançamento do Dardo, mas não deixamos de trabalhar as outras duas provas, apenas com menos intensidade. No Peso ele, realmente, surpreendeu, havíamos treinado e não esperávamos uma marca tão boa assim. Até porque num Sul-americano o nível dos atletas é muito alto e o Daniel teve um “rival” de Chapecó, que acabou ficando na segunda colocação. 
 
JPE - E essa rivalidade “interna” é importante, também, para você se motivar e mostrar o seu potencial, não é?
DR - Eu sempre falei para ele, desde o Campeonato Brasileiro, eu vou te ajudar e você pode me ajudar também, mas nunca vamos abrir espaço, dentro de uma competição, pela amizade. Nas disputas, é cada um por si.
OS - O Daniel tem muito disso, ele é companheiro fora das pistas, mas chega na prova, ele é competitivo, inclusive, se cobrando bastante. Mas, em nenhum momento, ele deixou o amigo dele de lado, continuou motivando, até porque ali estávamos defendendo uma Seleção Brasileira. Por mais que seja “cada um por si”, somos um grupo e devemos ajudar um ao outro. Os dois foram bem na competição, fazendo as melhores marcas, mas o Daniel se sobressaiu e continuou motivando, tanto que houve a “dobradinha” do Brasil no Arremesso de Peso.

JPE - O ano de 2017 foi o da afirmação do Daniel dentro do cenário esportivo?
OS - A gente já vinha trabalhando há alguns anos, treinando, “brincando”, pois sabemos que nessa idade não podemos cobrar muita coisa em questão de resultados. Todavia, quando surge um atleta com tamanho potencial, sabemos que os resultados vão aparecer com muito mais facilidade. O Daniel conquistou, esse ano, quatro medalhas em nível nacional e três medalhas em nível continental. Nessas provas de lançamentos e arremessos, a gente sabe a dificuldade em treinar dois estilos, o que não aconteceu com ele, pois conseguimos trabalhar três estilos. Por isso, o potencial existe e a gente acredita que teremos ainda mais resultados nos próximos anos.

JPE - Quais foram as principais dificuldades enfrentadas na Bolívia?
DR - Uma delas foi a língua, porque quando eu estava com meus companheiros de Seleção, tudo bem. Mas quando chegavam atletas de outros países para conversar com a gente, eu não entendia muito bem no começo, mas acabei me acostumando. A alimentação também não era das melhores (risos), mas a gente acaba se adaptando. O clima também era diferente, mas tudo isso foi superado ao longo da competição.

JPE - Como estão sendo esses dias pós-competição? Você já se deu conta que conquistou uma medalha a mais do que a série histórica de Pomerode no Sul-americano?
DR - Pra mim está sendo muito bom, afinal, uma marca dessas não é para qualquer um. Diante disso, eu me questiono o porquê disso acontecer justo comigo. Mas, já que aconteceu, eu fico muito feliz e poder dar esse destaque para a cidade. Isso se deve, também, à relação que eu tenho com o professor Chico, muito mais do que treinador e atleta, mas sim, de amizade. Isso facilita, e muito, o desenvolvimento do atletismo em Pomerode.

JPE - O Daniel é um espelho, já que, há 15 anos, era você quem estava iniciando no Lançamento de Dardo?
OS - Com certeza, afinal, há 15 anos era eu passando por essa situação, sendo campeão estadual... E complementando o que o Daniel disse, isso funciona com todos. Eu não sou um cara fechado, tampouco aquele que, simplesmente, dá uma bronca. Eu procuro ajeitar as coisas da melhor maneira possível, conversando, trocando muitas ideias, ouvindo e entendendo os anseios dos meus alunos. A gente sempre tenta ajustar, até porque não há necessidade de todo um regramento, por enquanto. Sabemos quando não dá e sabemos, também, quando se pode pegar um pouco mais pesado. 

JPE - E nessa questão, há a reciprocidade por parte dos atletas?
OS - A gente sempre foi muito direto com relação a isso, ou seja, treinou, vai ter resultado. Não treinou, não vai ter resultado. E eu sempre falo o que vai ser. Claro, conversamos sobre outras coisas também, afinal, há vida fora das pistas. Nós passamos de duas a três horas por dia treinando, e o resto? Eu cobro muito o desempenho escolar deles, o comportamento fora do âmbito esportivo. Às vezes os pais vêm conversar comigo, e é uma coisa necessária para a evolução dos atletas. 
DR - Eu tenho essa consciência, de que a responsabilidade vem aumentando cada vez mais, afinal, levei Pomerode para fora do Brasil, não só da cidade, nem do estado.

JPE - E qual será a sua rotina neste fim de ano?
DR - Pretendo dar uma descansada, mas não totalmente.
OS - Exatamente isso. Como ele voltou de competição agora e estamos muito próximos do fim do ano, vamos continuar treinando de leve. Depois do dia 22, todos os atletas entrarão em férias, mas sem ficar parados, e no início de janeiro voltaremos para os treinamentos de base e preparação física para 2018.



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Créditos: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode
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