Jornal de Pomerode

Edição Impressa



Mais de 100 anos de tradição

Quarta e quinta gerações da Casa Siewert mantêm mais de um século de tradições. Uma delas, é a tradicional produção de Muss, feita pela família, usando a receita de anos atrás.

4c6bedf7bbb769aefe0dd733102f1008.jpg Foto: Raphael Carrasco/JP

Usar uma receita com mais de 100 anos de tradição parece ser uma tarefa difícil. Mas, para quem mora na Casa Siewert, em Testo Alto, preservar os antigos costumes é prioridade.

A residência tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2005, foi construída no ano de 1913 por Albert Siewert, fazendo parte da Rota Enxaimel de Pomerode. Hoje, com 82 anos, Wendelin Siewert, um dos filhos de Albert, faz parte da quarta geração da família, além de morar na tão famosa casa.

 Em 2013,a residência chegou ao seu centenário e toda estrutura é mantida pela quinta geração da família Siewert. Os irmãos Rosali e Rogério recebem vários turistas ao longo do ano para mostrar a história da casa e, também, da família. Durante todo esse tempo, a casa possui plantações de cana-de-açúcar, milho, verduras e várias árvores frutíferas. 

 Toda essa horta e pomar viram mão de obra para um doce muito conhecido pela comunidade pomerodense: o Muss. Durante o ano, parte da família reserva um pouco de seu tempo para a produção do doce. Para quem não sabe, o Muss é uma espécie de “geleia” feita com o extrato da cana-de-açúcar e frutas, para dar um sabor especial.

Para a produção, a família usa o rancho da casa para o preparo do Muss. O primeiro passo é pegar a cana retirada das plantações da própria residência. Após isso, ela é cortada e passada em uma moenda, que irá retirar todo o caldo. Depois de ter pego a quantia necessária do líquido, é colocado em uma caldeira de forno à lenha, onde ficará em processo de cozimento por quase três horas.

Passado esse tempo, são acrescentadas as frutas, que são escolhidas pela própria família, na ocasião, banana e carambola. As frutas são amassadas e acrescentadas junto com o caldo de cana na caldeira. Agora, a mistura ficará por mais de quatro horas, sendo necessário sempre mexer, para que o açúcar do caldo não queime.

Após quase sete horas de preparo, o Muss começa a criar consistência e, logo, já pode ser embalado em seus pequenos potes. Antes, eles passam por um “controle de qualidade à moda antiga”, pegando um pouquinho do doce com uma colher e usando o paladar para aprovar a receita. Se tudo estiver certo, eles são colocados em potes, que depois são guardados para o consumo próprio. Os turistas que passam pela casa e têm interesse em provar o doce, ganham um potinho para levarem pra casa.

“Para nós é gratificante. Tentamos manter a tradição, porém, não é fácil. Além ser um ‘guia de turistas’, eu também trabalho na indústria, temos outras atividades. E mesmo com tudo isso, tentamos preservar a nossa roça e a colônia em si”, explica Rogério.

Hoje em dia, a Casa Siewert recebe turistas de várias partes do país. Alguns, chegam até em excursões. Segundo Siewert, a fama do local aumentou nos últimos cinco anos.

“Tudo começou em 2013, começamos bem pequenos, nem tínhamos o museu, montávamos tudo no pátio da casa. Mas a demanda cresceu muito nesses anos, com mais e mais turistas querendo conhecer a residência e, também, o nosso modo de vida”, complementa.

Localizada na rua Testo Alto, a Casa Siewert recebe vários turistas durante o ano. Além disso, ela oferece ao visitante a venda de doces, cachaças, queijos e lembrancinhas.

 



Galeria de fotos: 2 fotos
Créditos: Raphael Carrasco/JP Raphael Carrasco/JP
Tags:
Veja também:









Publicidade

  • 
    50b2324f0aa1127b27ce46c6d6dd7ed4.jpg