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Livre de substâncias prejudiciais à saúde

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) realizou levantamento da presença de agrotóxicos na água de abastecimento público de 100 municípios de Santa Catarina e identificou que 22 recebem água com resquícios de agrotóxicos e Pomerode está fora desta lista

831b23ea45a62d5a137ad2281d1b8259.jpg Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) realizou levantamento da presença de agrotóxicos na água de abastecimento público de 100 municípios de Santa Catarina e identificou que 22 recebem água com resquícios de agrotóxicos. Ao todo, foram analisados 204 princípios ativos de agrotóxicos. As operadoras do sistema de água pesquisam somente 27 substâncias, conforme o parâmetro indicado pelo Ministério da Saúde.

Dos 17 princípios ativos de agrotóxicos encontrados na água que chega aos municípios monitorados, sete são proibidos na União Europeia, devido aos efeitos negativos que podem provocar na saúde humana - atrazina, simazina, bromopropilato, metalacloro, permetrina, propargite, propiconazol.

Pomerode integra a lista das cidades em que houve a verificação da existência ou não de resquícios de agrotóxicos na água, mas os resultados do levantamento do Ministério Público apontaram que a água na cidade está livre das substâncias prejudiciais à saúde que podem ser encontradas nos agrotóxicos.

O presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Pomerode (Samae), Ricardo Campestrini, afirma que o estudo é uma forma de garantir a qualidade da água distribuída pela autarquia. “O estudo garantiu que a água de Pomerode está livre de substâncias que prejudicam a saúde e atesta que o processo que está sendo feito é de qualidade”, destaca o presidente.

Ele também pondera que, além de servir como prova de que o tratamento feito é eficaz, o estudo é uma forma de mostrar que outras ações estão surtindo efeito. “As campanhas, palestras, a recuperação de mata ciliar, tudo isso contribui para que água seja de qualidade. A coleta de lixo, indiretamente, ajuda também, pois o descarte de lixo no rio também pode poluir a água, com embalagens de veneno, por exemplo. Então, é um conjunto de ações que tornam a nossa água de qualidade”, ressalta.

Por fim, Campestrini atribui parte do sucesso na função de oferecer água de qualidade à população, que colabora nas ações promovidas. “O trabalho de conscientização é super importante, porque conta com a ajuda das pessoas, que entendem a importância destas pequenas atitudes, com isso, podemos levar água de qualidade e saúde para elas. Estamos felizes com o resultado, porque mostra que o Samae e a população estão caminhando na direção correta, assim como o trabalho realizado”, reitera.

As amostras foram coletadas entre março e novembro de 2018, período de safras e cultivos, pelo Programa da Qualidade da Água Tratada, do Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CCO) do MPSC, em parceria com a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris) e a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc). O monitoramento é realizado com recursos do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL).

 A Doutora em Engenharia Química, Sonia Corina Hess, analisou os resultados obtidos nas amostras e produziu um diagnóstico que será apresentado no Seminário sobre Agrotóxicos nos Alimentos, na Água e na Saúde, que acontece desde a segunda-feira, na sede do MPSC, em Florianópolis. “Essa contaminação repercute em riscos à saúde dos consumidores, uma vez que, possivelmente, há outros agrotóxicos e poluentes presentes interagindo com os poluentes aferidos, e que não foram abordados nas análises, com efeitos imprevisíveis sobre a saúde da população exposta”, alerta Sonia, que é pós-doutora em Química e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

As análises envolveram municípios na Grande Florianópolis, Oeste, Sul, Vale do Itajaí, Norte e Serra, que foram escolhidos com base na relação entre população, cultivo de alimentos e venda de pesticidas. O município com a maior variedade de agrotóxicos na água foi Rio do Sul, com sete substâncias diferentes, mas 13 cidades apresentaram mais de um princípio ativo simultaneamente. 

Para a Coordenadora do CCO, Promotora de Justiça Greicia Malheiros da Rosa Souza, o resultado das análises aponta a necessidade de ampliação do monitoramento e a realização de pesquisa para identificação da origem de contaminação e adoção de medidas corretivas para diminuir os riscos ao cidadão.

 



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