Jornal de Pomerode

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Lição de vida de quem, logo cedo, lutou muito para tê-la

Neste Dia das Crianças conheça a história de Arthur Werner Greuel, de cinco anos, que nasceu prematuro e, desde lá, lutou pela vida. Mesmo com dificuldades para se locomover, não deixa os obstáculos da vida fecharem o seu caminho e sua alegria diária

b57f28f7b18b66050098a39aefdad6c6.jpg Foto: Raphael Carrasco/JP

Quando a gente se remete aos nossos tempos de infância, sempre vamos ter alguma lembrança daquela época. Desde as brincadeiras, os amigos e até aqueles puxões de orelha quando nós fazíamos alguma coisa de errada, ou malcriação.

E, nesta semana, será comemorado mais um 12 de outubro, o Dia das Crianças. Para homenagear a data, nós vamos contar a história do Arthur Werner Greuel, de cinco anos, que possui dificuldades para se locomover, após um nascimento prematuro, mas que não deixa os obstáculos da vida fecharem o seu caminho.

Os pais de Arthur, Márcia e Diether Greuel, relatam que gestação estava correndo muito bem, quando ela começou a sentir dores fortes. Eram as contrações, mas a gravidez estava em 23 semanas. Ao todo, foram três internações para “segurar” o bebê, mas o Arthur nasceu no dia 13 de junho de 2013, com 27 semanas de gestação, pesando 1,185kg e medindo 37,5cm. Depois disso, o menino ainda precisou enfrentar uma série de desafios, mas superou a todos.

“Quando nasceu, o Arthur foi para a UTI devido a prematuridade, estava com baixo peso e pulmão ainda não formado. Na UTI, teve amarelão, anemia e infecção. Segurei-o pela primeira vez no colo depois de 11 dias. Foi muita emoção, mas também muita angústia em ver ele tão pequeno e frágil, com aparelhos, sonda para se alimentar, entre outros. Buscamos forças, sempre com muita fé em Deus”, conta Márcia.

Ela também lembra que presenciou a morte de dois bebês na UTI, por isso era ainda mais difícil presenciar a cena do filho tão frágil. “Depois de 44 dias na UTI, Arthur foi para o quarto. Fiquei com ele mais seis dias internada. No quarto, ele teve que aprender a mamar no peito, e ganhar peso. Depois veio a tão esperada alta, após ficar 50 dias no hospital. Saiu de lá com 1,9kg. Com três meses e meio, teve que fazer uma cirurgia, estava com uma hérnia, devido a prematuridade. Mais uma angústia, mas deu tudo certo. Após o Arthur completar um ano, o pediatra desconfiou que poderia ter paralisia cerebral. Começamos então a fazer acompanhamento com ortopedista e neurologista, e também fisioterapia até os dias de hoje”, acrescenta a mãe.

Quando o Arthur chegou aos três anos de idade, seu neurologista pediu que o menino fizesse uma ressonância para confirmar a lesão cerebral. O diagnóstico foi de paralisia cerebral leve, que afetou a parte motora, principalmente motora fina e membros inferiores. Conforme o médico, a paralisia foi ocasionada devido ao parto prematuro, e em algum momento, houve falta de oxigênio e causou essa lesão.

Os pais de Arthur relatam que, devido a paralisia, ele possui dificuldades de locomoção, mas que, na medida do possível, incentivam o menino a fazer as coisas sozinho, para que ele tenha independência.

Arthur estuda na E.B.M Amadeu da Luz e os amiguinhos percebem que o pequeno possui dificuldades para andar e sempre o acompanham de mãos dadas durante o intervalo, na hora da fila e também na Educação Física. “Os amiguinhos gostam muito dele, e vice-versa. Fazem juntos as atividades em sala, brincadeiras e tudo mais. Quando tem dificuldade de locomover-se, ajudam segurando na mão. Quando cai, ajudam também a levantar quando necessário”, contam os pais do menino.

Tímido, mas bem brincalhão, Arthur tem como seu lugar preferido na escola a Biblioteca, onde ama ler as historinhas infantis e gosta de contar para os outros colegas. 

Uma das aulas preferidas do garoto, é a Educação Física. Mesmo com problemas para praticar exercícios físicos, Arthur é acompanhado pelo professor e chará, Arthur Gewehr, que ajuda o garoto a se divertir durante a aula. No dia em que vimos de perto a aula, o professor ajudou o aluno a brincar de pega-pega, durante o aquecimento. Logo após, foi realizada uma atividade com um pequeno trampolim e um colchão, para praticar o salto. Novamente, com o auxílio do professor, Arthur abria um sorriso no rosto e voltava para fila, ansioso, para novamente pular.

O sorriso de Arthur é justamente a maior alegria de seus pais, que hoje o consideram um guerreiro e um exemplo até mesmo para Diether e Márcia. “O Arthur é nosso pequeno milagre, para nós é tudo, nosso bem mais precioso.Nasceu tão frágil e pequeno e lutou com tanta garra para sobreviver. É exemplo e prova viva que Deus opera milagres, é esperança. Agradecemos diariamente a Deus por nosso filho estar aqui com a gente. O tempo que passamos na UTI, vendo tantas outras crianças, vendo nosso filho, nos tornou pessoas melhores. Aprendemos a olhar a vida com outros olhos, a entender o que de fato é importante nessa vida. Hoje para nós, tomar café da manhã juntos, jantar juntos, ficar abraçados juntinhos, andar de mãos dadas, deitar todos na cama e contar histórias para o nosso filho, é a maior benção que Deus pode ter nos concedido. Dizer ‘eu te amo’ diariamente, abraçar seu filho todos os dias, nunca deixem de fazer isso, pois não sabemos o dia de amanhã. Então, pais, não deixem de dar atenção aos seus filhos, de abraçá-los, de brincar, de dizer eu te amo. Falar para seu filho que pode sempre contar com você, ensine ele a ser educado e respeitoso, e a crer em Deus. Ele nos tornou pessoas melhores depois que tivemos o Arthur. Só temos a agradecer”, ressaltam.

 



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