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Lagoa do Weege: devemos nos preocupar?

Diante do ocorrido em Brumadinho (MG), surgiram questionamentos sobre a situação da Lagoa do Weege, em Pomerode, e das barragens de Rio dos Cedros. Conversamos com o poder público para saber qual a real situação delas

85bec57a9d188486b4c2223e60e90f19.jpg Foto: Mani Goede/JP

O rompimento da barragem da Vale, na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, além de comover e provocar indignação em todo o país, trouxe à tona, novamente, o debate a respeito das condições das milhares de barragens e represas existentes no território nacional. O Governo Federal apresentou uma lista com 44 barragens que precisam receber fiscalização prioritária após a tragédia em Brumadinho, baseada em dados da Agência Nacional de Águas (ANA), responsável pela fiscalização destas estruturas.

Apesar de não integrar a lista do Governo Federal, muito se discutiu a respeito da Lagoa do Weege, em Pomerode Fundos, por ser localizada em uma região mais alta da cidade e armazenar uma grande quantidade de água, graças aos seus 42 mil metros quadrados de área de lâmina d’água.

O patrimônio foi leiloado em janeiro de 2004 e, hoje, é um terreno privado. Devido a esta situação, é de responsabilidade do proprietário promover vistorias frequentes para manter a segurança do local. 

A Defesa Civil de Pomerode, de acordo com o coordenador Lúcio de Bem, faz vistorias a cada três meses na estrutura da Lagoa e, há cerca de dois ou três anos, uma fiscalização mais aprofundada, com trabalho inclusive dos Bombeiros, foi contratada pelo proprietário para assegurar que a estrutura da represa possui a segurança necessária.

“Nas vistorias que a Defesa Civil fez no local, não foi encontrado nenhum agravante que pudesse comprometer a estrutura como um todo e provocar um acidente. Apenas as comportas apresentavam pequenas avarias, mas elas têm apenas a função de regular o nível da água na barragem. Recentemente, ainda, foi feito um desassoreamento no local, que melhorou a capacidade de armazenamento de água”, relatou de Bem.

Segundo o prefeito de Pomerode, Ércio Kriek, o município tem interesse em ter de volta a Lagoa, que já foi um ponto de encontro bastante movimentado, entre as décadas de 50 e 60. “A nossa intenção é fazer uma permuta com o atual proprietário, cedendo alguns outros terrenos em troca da Lagoa, para depois transformá-la em um parque municipal”, afirma.

Entre as estruturas listadas, porém, estão as duas barragens existentes em Rio dos Cedros, criadas para abrigar geradoras de energia elétrica da Celesc: a de Rio Bonito, na localidade de Palmeiras; e a do Pinhal, localizada em Alto Palmeiras; além das duas usinas de geração de energia, a de Rio dos Cedros e a de Palmeiras. De acordo com dados da Prefeitura de Rio dos Cedros, a primeira possui 14 quilômetros de extensão e armazena 18 milhões de metros cúbicos. Já a represa de Rio Bonito tem nove quilômetros de extensão e 32 milhões de metros cúbicos de água.

A fiscalização, de acordo com a Prefeitura da cidade é feita pela Agência Nacional de Águas (ANA), mas a Defesa Civil também monitora as condições de segurança do local. O relatório da ANA apontou que a Usina de Rio dos Cedros possui Dano Potencial Associado (DPA) Baixo e que a de Palmeiras tem DPA Alto, ou seja, elas possuem um alto potencial de perdas de vidas humanas e impactos econômicos, sociais e ambientais, decorrentes da ruptura da barragem. O mesmo balanço da ANA divulgou que as duas usinas possuem Categoria de Risco Médio (de Rio dos Cedros) e Baixo (Palmeiras).

Leonardo Ropelato, proprietário de uma Marina na localidade de Palmeiras, em Rio dos Cedros, está diariamente no local e afirma não haver risco iminente na estrutura. “No meu ver, as barragens, tanto o lago Rio Bonito quanto o Pinhal, estão em condições boas, tanto que, diariamente, há funcionários da Celesc, de uma empresa terceirizada, que monitoram o nível dá água. Eu acredito que não oferecem riscos na estrutura. Quando chove muito, às vezes, eles precisam soltar mais água daí as pessoas acabam colocando a culpa na represa, mas na verdade, é como se não houvesse ela lá, pois seria água que desce do próprio rio”, afirma.

O vice-prefeito de Rio dos Cedros, Jorge Luiz Stolf, argumentou que, mesmo diante do medo provocado pelo acontecimento em Minas Gerais, é preciso ter cautela, pois tratam-se de estruturas diferentes. “Estas represas foram construídas para suportar diversos eventos climáticos, e já suportaram, como foi o caso de 2008, por exemplo. Elas são feitas de concreto e podem suportar aumentos de volume de água significativos. Nós também temos protocolos para quando a represa tiver níveis máximos e mínimos de água, assim como seguimos os critérios de manutenção e a nossa Defesa Civil tem feito o acompanhamento de todas, com todo o cuidado necessário”, ressaltou.

Avanço para Pomerode 

Foi com a intenção de melhorar o fornecimento de energia para a sua indústria que Hermann Weege construiu a represa em Pomerode Fundos, conhecida como Lagoa do Weege, na década de 20. Um dos netos, Jost Weege, de 77 anos, conta que, em alguns momentos, a indústria do avô ficava sem energia porque os serralheiros da região de Pomerode Fundos esvaziavam os seus reservatórios, não tendo água suficiente para gerar energia.

“Meu avô, então, fez um acordo com os serralheiros e construiu a represa, conseguindo melhorar o fornecimento de energia para a indústria. Cerca de 50 ou 60% da energia da Indústrias Weege chegou a vir da usina daqui, graças à represa”, relata.

Weege não lembra mais o ano exato, mas na segunda metade da década de 40, a represa sofreu um rompimento e antes que Hermann falecesse, em janeiro de 1947, os filhos, Arno e Victor, prometeram que iriam reconstruir a Lagoa do Weege. “Meu pai, Arno, e meu tio reconstruíram com uma engenharia melhor, com mais tecnologia, sempre com todo o cuidado para que fosse uma estrutura duradoura, inclusive, a parte que se rompeu da primeira vez foi mais reforçada”, afirma.

A reconstrução foi finalizada entre os anos de 1949 e 1950 e a represa continuou com a finalidade original, fornecer água para a usina, para que houvesse energia para a indústria. A Lagoa foi importante para a cidade pois, graças ao seu volume, foi possível gerar energia, também, para o Centro, em locais como a Igreja Luterana e o Clube Pomerode.

Originalmente, o acesso ao local era difícil, mas com o passar do tempo, com as melhorias na infraestrutura da cidade, a Lagoa do Weege passou a se tornar um ponto de recreação, de divertimento dos cidadãos. “Nós costumávamos andar muito de barco e lembro que o dia 15 de novembro era o dia marcado para a pescaria. Era muito divertido. Conforme a cidade foi crescendo, precisou-se restringir um pouco o acesso ao local, porque começaram a aparecer vândalos e pessoas que queriam usar o local para finalidades incorretas”, relembra o neto do fundador das Indústrias Weege.

Jost Weege garante que, enquanto esteve à frente da empresa, fazia manutenções periódicas e cuidava da estrutura da Lagoa como um todo. Por isso, faz um apelo, para que o patrimônio seja bem cuidado. “Se não houver atenção à Lagoa, um dia, pode acontecer um novo acidente. Então, torço para que ela seja bem cuidada novamente”, finaliza.

As barragens e usinas de Rio dos Cedros 

A construção da Barragem de Rio Bonito foi iniciada em 1964 e durou, aproximadamente, cinco anos. Na construção dessa barragem trabalharam entre 150 e 200 operários. A Barragem de Rio Bonito possui uma comporta de fundo principal, duas comportas de fundo auxiliares e duas comportas basculantes. Essa barragem foi construída para acumular água à geração de energia elétrica pela Usina Palmeiras.

A construção da Barragem do Pinhal foi iniciada em 1952 e durou, aproximadamente, cinco anos também. Na construção dessa barragem, trabalharam cerca de 200 operários. A barragem tem duas comportas de fundo principais, duas comportas de fundo auxiliares e duas comportas no vertedouro. Essa barragem foi construída para acumular água para geração de energia elétrica pela Usina Rio dos Cedros.

Já a construção da Usina Rio dos Cedros teve início no ano de 1945 e durou, aproximadamente, quatro anos. A Usina Rio dos Cedros possui duas turbinas instaladas, e a capacidade de geração de energia elétrica é de 8.3 megawatts/hora. Uma parte da energia elétrica gerada na Usina Rio dos Cedros alimenta uma parte da serra (Rio dos Cedros), e a outra entra na subestação da Usina Palmeira e é jogada no sistema, que é todo interligado.

A construção da Usina Palmeiras teve início no ano de 1959 e durou, aproximadamente, o mesmo tempo da Usina Rio dos Cedros. Ela possui três turbinas instaladas e a capacidade de geração de energia elétrica é de 24 megawatts/hora. Uma linha de transmissão alimenta a Companhia Volta Grande de Papel, na cidade vizinha de Rio Negrinho; outra alimenta a Companhia Karsten, em Blumenau; e a terceira linha entra na subestação da também vizinha cidade de Timbó, onde é jogada no sistema.

A construção das duas Barragens, Rio Bonito e de Pinhal, e as Usinas Rio dos Cedros e Palmeiras, trouxeram muitos benefícios para a cidade de Rio dos Cedros, além dos empregos gerados diretamente nas usinas e nas barragens. Com isso, houve um grande impulso para o turismo no município. Rio dos Cedros foi escolhida para sediar essas barragens e usinas devido à grande quantidade de água existente na cidade.



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