Jornal de Pomerode


Inclusão na ponta dos pés

A inclusão social é um desafio que faz parte de qualquer comunidade. Incluir pessoas com necessidades especiais é uma tarefa de todos. Em Pomerode, existe um exemplo inspirador de inclusão e respeito para com as diferenças do próximo.

3219f18a82a680ef8b631a897cab07e2.jpg Foto: Tatiane Hansen/JP

A inclusão social é um desafio que faz parte de qualquer comunidade. Incluir pessoas com necessidades especiais é uma tarefa de todos. Em Pomerode, existe um exemplo inspirador de inclusão e respeito para com as diferenças do próximo. Quem prestigiou o último espetáculo realizado pelo Projeto Ballet Cultura, já pode ver que uma bailarina pra lá de especial integra o grupo. 

Larissa Fuchter tem 11 anos e é portadora da Síndrome de West, tendo também diversas deficiências múltiplas, consequências de uma Meningite, contraída quando a menina tinha apenas seis meses de vida. A família de Larissa é natural da cidade de Salete, no Alto Vale do Itajaí, mas morava em Criciúma até novembro de 2014, quando se mudou para Pomerode. Antes disso, ela praticava duas atividades diferenciadas, a musicoterapia e a hidroterapia.

“Quando nos mudamos para Pomerode, ela deixou de ter essas aulas, porque aqui não há um local que as ofereça. Por causa disso, percebemos que, aos poucos, ela ia perdendo um pouco a alegria de viver, ia deixando de demonstrar as emoções, o que sentia, algo que nos preocupou muito”, conta a mãe, Neusa Fuchter. 

Foi então que ficaram sabendo do Projeto Ballet Cultura e decidiram conversar com a professora e coordenadora do Projeto, Andrea Ianetta Hadrec, sobre a possibilidade de Larissa integrar o grupo. A coreógrafa prontamente aceitou, pois sabe da importância de se promover a inclusão. “É uma sensação especial, como com todas as crianças que ingressam no Ballet. No meu coração todas as crianças são especiais. Não trato a Larissa diferente das demais, mas é uma honra coreografá-la. Faço com muito carinho, de forma que valorize essa menina que iluminou as nossas aulas”, comenta a bailarina. 

E, depois de tudo acordado, Larissa pôde começar a fazer parte do Ballet Cultura, em 2017. Neusa comenta que os resultados logo começaram a aparecer. “Minha filha voltou a demonstrar a alegria, as expressões do que sentia. É notável como ela ficou mais feliz, com um sorriso no olhar e nos lábios. A convivência com as outras meninas faz bem, já que ‘participa’ das conversas, dos momentos alegres. Nos sentimos renovados a partir daquele momento, nos deu novo ânimo para continuar na luta”, declara Neusa, emocionada. 

Logo, veio a primeira apresentação de Larissa, durante o espetáculo Divertissement V, o qual, segundo Neusa, foi inesquecível. A participação de Larissa nas apresentações de Ballet foi uma lição de vida para todos que a assistiram. Agora, a menina continua nos ensaios com o grupo, sempre durante cerca de uma hora, às terças-feiras à tarde. 

Um desafio diário 

A prática do Ballet é um alento para a batalha pela vida, travada todos os dias por Larissa e sua família. Todos os dias, a mãe acorda às 04h45min para dar a medicação que a menina necessita. Mais tarde, as duas seguem para a Apae de Pomerode, onde Larissa estuda e Neusa trabalha. 

No período da tarde, chega a vez das terapias e das consultas com os especialistas, sendo eles fisioterapeuta, fonoaudiólogo, gastroenterologista, endocrinologista, ortopedista (sendo um profissional diferente para cada parte do corpo), neurologista, nutricionista, dentista, alergista e pneumologista. 

Além disso, Larissa precisa de medicamentos, alimentação e vacinas específicas, estas que não fazem parte do calendário público. Todas as consultas são pagas pelo plano de saúde, com a co-participação dos pais. 

A maioria dos medicamentos e alimentação, que precisa ser feita por meio de uma sonda, foram conquistados gratuitamente através de um processo judicial, porém, quando os produtos não vem ou vem pela metade, os pais de Larissa precisam consegui-los de forma particular. 

“Nós lutamos todos os dias um pouco para poder proporcionar a ela uma vida com o máximo de qualidade possível. Por isso, a entrada no Ballet foi tão importante.

É uma maneira de tirá-la deste mundo fechado de tratamentos e remédios e lhe proporcionar alegria. E ver que ela foi bem aceita por todos foi muito especial, pois as portas foram abertas para ela, algo que, infelizmente não é muito comum. Não há palavras para descrever o quanto foi bom ela começar a participar do Ballet Cultura, não só para a Larissa, mas para toda a família. É indescritível a sensação de vê-la feliz como está hoje”, ressalta Neusa. 



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Créditos: Tatiane Hansen/JP









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