Jornal de Pomerode


Aluno pomerodense conta com a ajuda da escola para superar dificuldades

A inclusão, cada vez mais, tem feito parte da rotina de muitas escolas em Pomerode, mas nem por isso, ela deixa de ser um desafio para a instituição que recebe um aluno com alguma necessidade especial. É o caso da E.E.B.M. Curt Brandes, que recebeu o aluno Lucas.

46124df575ab2a4ec50bc027ce7db22b.jpg Foto: Raphael Carrasco/JP

A inclusão, cada vez mais, tem feito parte da rotina de muitas escolas em Pomerode, mas nem por isso, ela deixa de ser um desafio para a instituição que recebe um aluno com alguma necessidade especial. É o caso da E.E.B.M. Curt Brandes, que recebeu, em 2017, o aluno Lucas Eduardo da Silva Galupo, de oito anos, que nasceu com cegueira total. 

Mesmo com a deficiência, ele frequentou a creche desde os três meses de vida e, depois disso, sempre foi à escola normalmente. Lucas começou a frequentar a Curt Brandes em 2017, algo que foi novidade para toda a equipe, já que nunca haviam lidado com a situação de lecionar para um aluno com cegueira total. Inclusive, ele é o único aluno matriculado na rede municipal de ensino com essa deficiência. 

A mãe do menino, Rúbia da Silva, comenta que sempre houve o medo de o filho não se adaptar ou sofrer algum tipo de preconceito. Mas, felizmente, na escola isso não aconteceu e ele foi bem recebido. “A escola sempre buscou oferecer o melhor atendimento possível, estudando e se especializando em técnicas para atendê-lo. Ele também nunca teve dificuldade para se enturmar com outras crianças, tentou sempre interagir, os outros alunos já vem para perto dele”, comenta a mãe. 

Por sempre responder positivamente ao que é trabalhado na escola, Lucas frequenta todas as atividades com os colegas e participa da aula normalmente. A professora, Bruny Romana Krueger, trabalha a questão da oralidade de maneira muito forte e sempre adapta, depois, o conteúdo ao braile para Lucas. “Eu passo o conteúdo falando e quando termino, a auxiliar o ajuda a transcrever para o braile, utilizando a máquina. A única coisa que talvez falte são os livros didáticos em braile, mas ainda não podemos tê-los aqui. Mesmo assim, tudo funciona bem com o Lucas, ele é muito participativo e comunicativo na aula”, afirma Bruny. 

Além da máquina, a escola conta também com a impressora em braile, através da qual a professora digita as atividades e depois as imprime adaptadas à língua dos deficientes visuais. Nas aulas de educação física, a questão da integração com a turma é trabalhada com mais ênfase ainda. 

O professor Sandrei Rafael Batista conta que já realizou atividades com a turma toda, simulando com vendas, como seria não enxergar nada. “Colocamos as vendas em um grupo de alunos e outro grupos os guiou, depois, trocamos os papéis. Todos puderam ter uma pequena noção de como é a realidade do Lucas e andaram pela quadra e pela escola. Fizemos isso com diversas turmas e o resultado foi muito bom”, relata o professor. Nas aulas de educação física, ainda, são trabalhadas as questões de coordenação motora, lateralidade, equilíbrio e noção espacial. 

No contra turno escolar, duas vezes por semana, ele frequenta as aulas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), com a professora Rita Janaína Tristão. Ela relata que neste momento, são realizadas atividades diferenciadas com o aluno. “Faço atividades trabalhando o auto relevo, a textura, ajudo nos trabalhos passados na sala de aula, com relevo em folha e, ainda, procuro estimular o uso da bengala”, explica a educadora. 

Ela ainda acrescenta que Lucas, mesmo com limitações em alguns aspectos, tem outros que encantam por serem muito desenvolvidos. “A percepção auditiva já é muito aguçada, e ele é alfabetizado, faz leitura e digitação em braile com facilidade. Mesmo assim, às vezes, é um trabalho de formiguinha, pois também ainda estamos aprendendo com a situação. Mas o Lucas, com certeza, foi um presente para nós e para toda a escola”, finaliza.



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