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Há médicos, mas também, demanda

Secretaria de Saúde esclarece casos de falta de médicos em unidades de saúde na cidade

d1bee03475a3c15340cc98e29deba78c.jpg Foto: Isadora Brehmer/JP

A saúde em Pomerode, constantemente, tem surgido nas conversas e comentada em redes sociais, mas não com elogios. Muito se falou, nos últimos meses, sobre um único assunto: a falta de médicos em algumas das unidades de saúde da cidade. Diante desta situação, a redação do Jornal de Pomerode procurou a Secretaria de Saúde para que ela fornecesse algumas informações sobre como está o efetivo de médicos e, também, sobre as causas da demora para se conseguir uma consulta na rede pública.

O secretário de Saúde, Marcos Bönmann, esclareceu alguns destes pontos, como por exemplo, a demanda de médicos existente em Pomerode. Na cidade, há oito unidades de Estratégia de Saúde da Família (EFS), onde são realizadas as consultas. Além disso, há, ainda, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), bem como a Policlínica,  onde está a sede da Secretaria Municipal de Saúde.

“Em cada uma destas ESF’s temos um médico efetivo, que trabalha por 40 horas semanais, e em algumas ESF’s, de maior contingente populacional, temos, ainda, a presença de mais um médico 20 horas. A maior parcela destes funcionários são efetivos no sistema público e contratados por meio de concurso público. Porém, há muito tempo não se realiza um concurso público, apenas processos seletivos, que preveem um contrato de apenas um ou dois anos”, explica Bönmann.

De acordo com o secretário, o processo seletivo não confere estabilidade ao médico, por isso, é difícil conseguir com que o aprovado fique à espera de ser chamado e aceite, de imediato, a oferta. Alguns, também, devem honrar com o período de desincompatibilização de seus vínculos de trabalho vigentes, em outros locais.

Diante desta situação, o secretário afirma que existia uma lista de substitutos para as possíveis saídas de médicos das unidades de saúde, mas que uma série de limitantes dificultou a reposição de profissional no quadro de funcionários da Sesa. “O primeiro caso foi em Testo Rega. O médico efetivo, que trabalha 40 horas, solicitou Licença Prêmio, a qual fazia jus e, para substituí-lo, havia profissionais qeu fizeram o processo seletivo e estavam ativos na pasta. Com a liberação de saída para Licença Prêmio, foi deslocado o médico substituto ou ‘coringa’, que trabalhou por breve período, até ser chamado em concurso na cidade onde reside, Blumenau. Desta forma, foi chamado o próximo classificado do processo seletivo, mas o tempo legal de resposta é de 30 dias. Quando estava findando o período, houve a desistência do mesmo e, assim, foi ocorrendo o processo de seleção até que houve a efetiva substituição. Portanto, foram cerca de 45 dias até um novo médico assumir na unidade”, esclareceu, afirmando que isso causou um acúmulo de consultas a serem realizadas na unidade de Testo Rega.

Logo após esta situação, houve outro caso semelhante, agora no ESF Ribeirão Areia. “Uma profissional médica do processo seletivo solicitou sua exoneração, por problemas de saúde. Procedemos, então, a chamada dos próximos do processo seletivo, até termos um aceite. Portanto, no atual momento, não temos mais profissionais para serem chamados como  substituto. Mas vale ressaltar que a unidade de Ribeirão Areia não ficou sem médico,  houve, sim,  uma sobrecarga para o profissional 20 horas que restou no local, por isso, o acúmulo e os atrasos”, relata.

Há, ainda, um terceiro caso de saída de médico. Em Testo Central, o profissional médico 40 horas da unidade solicitou seu período aquisitivo de férias, ao qual tinha direito, e o colega médico 20 horas, que ficou no local, acabou solicitando sua exoneração por problemas de ordem pessoal. “Este profissional 20 horas foi extremamente ético e comprometido com a secretaria, pois permaneceu em suas funções até o titular regressar de suas férias, para que não ficássemos sem ninguém, mas houve, novamente, acúmulo de consultas a serem realizadas”, disse Bönmann, que salientou que não houve falta de comprometimento por parte dos profissionais.

Agora, a secretaria está chamando para atender em algumas unidades médicos que foram aprovados no processo seletivo, mas que trabalharão apenas 20 horas semanais. Porém, para o secretário de Saúde, o ideal é uma solução pensada para longo prazo, onde o médico consiga fazer vinculo com sua comunidade e a comunidade reconheça o profissional como seu elemento de promoção a saúde.

“O ideal é que procedamos com prova de concurso público para efetivação profissional. Ponderamos com o prefeito e equipe técnica e chegou-se ao fato que um concurso deve ser realizado em outubro ou novembro. Depois deste concurso, os aprovados, bem como, as equipes das unidades de saúde passarão por um retreinamento, para otimizar os serviços, sem que percam a qualidade”, garante Bönmann.

Além disso, estão sendo realizadas análises para entender os fatores que levam a uma demanda tão grande de consultas em Pomerode, para que, a curto ou médio prazo, algumas soluções possam ser implementadas, visando melhorar a qualidade da prevenção em saúde na cidade.

Também cabe lembrar que há um contrato da Sesa que garante a retaguarda do Pronto Atendimento do Hospital de Pomerode, para os casos de excesso de demanda.

 



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Créditos: Isadora Brehmer/JP Isadora Brehmer/JP
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